Escritos
B. Piropo
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29/05/95

< Formatando um Disco Virgem >


Faça uma experiência: pegue um disco novo, garantidamente virgem (em se tratando de discos, não há de ser assim tão difícil), introduza-o no drive e emita o comando DIR para listar seu conteúdo. Como o disco é virgem, seria de esperar uma mensagem informando que ele nada contém. Mas não: ao invés disso, a mensagem dá conta que não foi possível ler o disco e perguntando se deve tentar novamente, ignorar ou desistir do comando. Pense um pouco: a razão dessa aparente incongruência é evidente. Para listar o conteúdo do disquete, como você sabe, o sistema operacional precisa ler informações contidas nos setores que formam seu diretório raiz. E, sendo o disco virgem, nele não há setores delimitados. Portanto não há diretório raiz para ser lido. E a mensagem de erro agora faz sentido: o sistema tentou ler algo que não encontrou.

Agora, formatemos o disquete. Supondo que ele esteja no drive A, mantenha-o lá e emita o comando FORMAT A: (na linha de comando, digite FORMAT A: e tecle Enter). Mesmo constatando que há um disco no drive, o sistema emite uma mensagem solicitando que você lá introduza o disco a ser formatado.Trata-se de uma questão de segurança: como sabemos, a formatação de um disquete é uma operação um tanto drástica e o sistema precisa ter certeza que não irá formatar o disco errado. Como nosso disco já está no drive, basta teclar Enter. O sistema operacional, então, emite uma nova mensagem informando que está verificando a formatação existente.

Ele precisa desta informação porque, como sabemos, o procedimento é diferente nos casos de discos virgens ou já formatados. Como no nosso caso se trata de um disco virgem, o sistema não irá encontrar nenhuma formatação anterior e prosseguirá sua faina. Mas enquanto o faz, irá manter você informado através de uma série de mensagens: primeiro, informa que está formatando o disco e qual é sua capacidade. Em seguida, enquanto o led do drive permanece aceso e você ouve um ruido ritmado sendo produzido pelo drive na medida que a cabeça magnética se desloca de trilha em trilha para gravar as marcas que delimitam os setores, informa a porcentagem da tarefa executada até então. Finalmente, quando chegar a 100%, a porcentagem é substuida pela informação que a formatação está completa e aparece uma nova mensagem esclarecendo que você pode entrar com um nome de até onze caracteres para o disco ou teclar Enter para prosseguir. Por enquanto, simplesmente tecle Enter.

Neste ponto o disco já foi formatado. E como o sistema operacional é um bichinho danado de organizado, fornece algumas informações adicionais. Nas duas primeiras linhas aparecem o espaço total e o espaço disponível no disco. Essas informações parecem redundantes, pois sendo o disco recém-formatado, nada foi nele gravado e o espaço total deve ser igual ao disponível. Mais tarde, porém, veremos que esses valores podem ser diferentes e discutiremos as condições em que isso pode ocorrer. Por enquanto, anotemos que a informação foi prestada e sigamos adiante para as próximas duas linhas, onde aparecem o número de bytes contidos em cada “unidade de alocação” e o número total de unidades de alocação. Mais tarde discutiremos o que são na realidade essas tais unidades de alocação. Por enquanto, porém, basta saber que no caso de discos flexíveis, uma unidade de alocação é sempre igual a um ou dois setores. Em princípio, se você multiplicar os valores fornecidos nessas duas últimas linhas, irá encontrar o espaço total do disco. Na maioria das vezes, de fato, isso ocorre. Mas, durante a formatação de um disco virgem, o sistema procura por defeitos físicos na superfície magnética e, caso os encontre, marca as unidades de alocação correspondentes como inservíveis e desconta os bytes perdidos do espaço disponível. Portanto, se houver setores com defeito, o produto do número de setores pelo tamanho da unidade de alocação é diferente do espaço disponível.

Finalmente, na última linha, aparece o número de série do disco, um conjunto de números e letras de aparência imponente. Mas que, na verdade, não servem para absolutamente coisa alguma. Elas lá estão porque alguém resolveu que o sistema operacional criaria aleatoriamente um número de série para cada disco formatado, imaginando que isso poderia ser de grande utilidade, já que fornecia um meio do sistema e dos programas identificarem os discos. O problema é que eu nunca encontrei programa, aplicativo ou utilitário algum que jamais utilizasse essa informação. Mas ela lá está para ser usada tão logo alguém descubra uma maneira inteligente de fazê-lo.

E pronto: depois de tudo isso, o sistema emite uma última mensagem perguntando se você deseja formatar outro disco. Basta teclar “N” (de não) seguido de Enter para voltar ao prompt do sistema operacional com o disco formatado. Gostou?

Pois eu gostei tanto que semana que vem formatá-lo-emos de novo. Enquanto espera, digite novamente o comando DIR para listar o conteúdo do disquete recém- formatado e veja a diferença: agora o sistema operacional informa que o disco não tem nome, que seu número de série é aquele que foi atribuído durante a formatação e que nenhum arquivo foi encontrado. Todas essas informações foram lidas no próprio disco (mais especificamente, nos setores correspondentes ao diretório raiz), que agora tem todas as trilhas e setores devidamente marcados e puderam ser identificados pelo sistema.

B. Piropo

 


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