Escritos
B. Piropo
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31/07/95

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Muito daquilo que discutimos sobre discos flexíveis e seus drives também vale para discos rígidos. Afinal, tanto uns quanto outros usam basicamente os mesmos princípios para armazenar informações, gravando-as em superfícies magnéticas de discos giratórios, portanto há muitas semelhanças. Mas há também diferenças importantes. E vamos hoje começar a examinar algumas delas.

O disco (ou os discos: muitas dessas unidades contêm uma “pilha” de discos acionados por um eixo comum) e o drive (conjunto formado pela caixa metálica, motores, cabeças de leitura e gravação e circuitos eletrônicos) formam uma unidade selada conhecida por “disco rígido” (em virtude do material dos discos, em geral alumínio revestido por uma superfície magnética), “disco fixo” ou “winchester”. Porque “winchester” não se sabe ao certo, mas há quem diga que o nome derivou de “drive 30-30”, o nome de código do projeto de um dos primeiros discos rígidos da IBM, um drive com dois discos com capacidade de 30Mb cada. E “30-30” também era o nome com que era conhecido o famoso rifle de repetição Winchester. De qualquer modo isso não tem a menor importância, mesmo porque o nome winchester não faz nenhum sentido e está caindo em desuso. Já o nome “disco fixo” provém do fato de que, quando foram lançados há pouco mais de dez anos, os discos rígidos eram montados no interior dos gabinetes dos computadores e não podiam ser removidos. Hoje em dia, embora a maioria ainda seja assim, já existem unidades removíveis. Essas unidades são mais caras, mas apresentam algumas vantagens: pode-se usar diversas na mesma máquina, encaixando a que contém os programas (ou dados) que se precisa na ocasião, a mesma unidade pode ser usada em mais de uma máquina e, nos casos em que é preciso cercar os dados de segurança máxima, quando não em uso a unidade pode ser guardada em um cofre a prova de fogo, cataclismas e meliantes em geral.

Embora relativamente nova, a tecnologia empregada nos discos rígidos sofreu uma evolução brutal. As primeiras unidades eram do tamanho de um tijolo, pesavam alguns quilos, tinham a capacidade limitada a 10Mb e custavam cerca de US$ 150 por Mb armazenado. As unidades modernas são do tamanho de um maço de cigarros (as mais comuns; mas já existem discos rígidos do tamanho de caixas de fósforos para uso em micros portáteis), pesam poucas dezenas de gramas, podem armazenar alguns Gb (Gigabytes, ou milhões de Megabytes) e o custo do Mb armazenado caiu para cerca de cinqüenta centavos de dólar. Isso sem falar no tempo de acesso: as unidades antigas levavam, em média, 85 ms (milissegundos, ou milésimos de segundos) para localizar um dado. As modernas reduziram esse tempo em mais de dez vezes: são capazes de localizar um dado em 8 ms. Parece pouco, mas em matéria de lerdeza os discos só são superados pelas impressoras. Não se esqueça que estamos falando de dispositivos eletrônicos onde mede-se tempo em ns (nanossegundos, ou bilionésimos de segundos). Por exemplo: enquanto a máquina gasta, digamos, 8ms para encontrar um byte em um disco rígido, o tempo necessário para lê-lo da memória anda na casa dos 40ns, ou seja, duzentas mil vezes mais rápido.

Há diversos tipos de discos rígidos. Os primeiros eram pouco mais que discos flexíveis adaptados e mantidos em uma caixa selada, hermeticamente fechada. A tecnologia usada para a gravação e leitura era exatamente a mesma. Eram os chamados discos “MFM” (de Modified Frequency Modulation, o sistema usado para codificação dos dados). Essa tecnologia logo foi aperfeiçoada e surgiram os discos tipo RLL (de Run Length Limited). Hoje em dia talvez você ainda encontre discos rígidos MFM e RLL em máquinas antigas, mas as unidades modernas são todas IDE, EIDE ou SCSI.

No que toca às diferenças entre esses diversos tipos, não dá para entrar em detalhes técnicos nesse ponto. Então, por enquanto, vamos ficar apenas no superficial. Primeiro: esqueçamos os discos MFM e RLL: dificilmente você ainda encontrará um trambolho desses. Portanto, fiquemos com os últimos três. Que, na verdade, não são exatamente três, mas dois, já que IDE e EIDE são mais ou menos a mesma coisa.

Explicando: IDE vem de Integrated Device Eletronics, ou eletrônica integrada no dispositivo. Trata-se de um tipo de unidade que, como bem diz o nome, contém os circuitos eletrônicos necessários para seu controle, dispensando assim uma placa controladora independente. Já EIDE vem de Enhanced IDE, ou IDE aperfeiçoada, e evidentemente nada mais é que um aperfeiçoamento do IDE. Quer dizer: IDE e EIDE são basicamente o mesmo tipo, com pequenas diferenças que examinaremos mais tarde. Já SCSI vem de Small Computer System Interface, ou interface para sistemas de pequenos computadores.

Se isso tudo lhe pareceu muito complicado, sinto muito: é complicado mesmo. Mas acontece que com o nível de conhecimento que dispomos não dá para destrinchar as diferenças. Por outro lado, conhece-las em detalhe, no momento, não é assim tão importante. Então fiquemos no essencial: se sua máquina tem um disco rígido, há mais de nove chances em dez que seja um IDE. Se foi comprado muito recentemente, talvez seja um EIDE (o padrão é novo e somente agora estão aparecendo os primeiros discos rígidos EIDE). Se não for um nem outro, é quase certo que seja SCSI.

Por enquanto, é o que basta. As diferenças importantes entre eles serão discutidas quando for essencial conhece-las.

B. Piropo

 


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