Sítio do Piropo

B. Piropo

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09/1999

< O Micro do Futuro I >


Pergunte aos especialistas como será o microcomputador do futuro. Menor, mais poderoso e mais barato, dirão todos. E, provavelmente estarão certos, já que essa tem sido a tendência dos últimos anos.

Menor, sem dúvida. Mas não muito. Afinal, um micro não tem serventia se não for possível fornecer dados e ler resultados. E embora já se possa produzir um microcomputador do tamanho de um relógio de pulso, a entrada de dados e obtenção dos resultados em um brinquedo destes seria no mínimo desajeitada. Como já há micros que cabem no bolso, o tamanho certamente ainda poderá diminuir, mas, parece, estamos próximos do limite.

Mais poderosos, com certeza. Cada nova geração dos novos circuitos integrados assombra pelo enorme progresso obtido em termos de rapidez de operação e capacidade de processamento. O único problema é que, dentro de certa medida, estas duas tendências conflitam: o Pentium, um destes novos microprocessadores, é do tamanho de um biscoito cream cracker (para usar um exemplo que todos conhecem). Portanto, menor e mais poderoso são duas qualidades que não costumam andar juntas. Mas o progresso da miniaturização tem sido formidável e é apenas uma questão de tempo para combinar o menor com o mais poderoso. E logo chegaremos lá.

E mais baratos certamente. Aqui não resta dúvida: os micros estão se popularizando e a produção em grande escala tende a reduzir os preços do produto. O primeiro PC da IBM custava cinco mil dólares há pouco mais de dez anos. Uma máquina daquelas vale hoje menos de cem dólares. Portanto, pode-se afirmar sem medo de errar que os preços cairão.

Menores, mais poderosos e mais baratos. Tudo bem. Mas será que é só isso? Que tal lançarmos nossa imaginação um pouco além do óbvio?

Pense um pouco: qual é, na sua opinião, o maior obstáculo à disseminação dos micros? Afinal, um micro é, realmente, uma máquina de mil e uma utilidades. Serve para escrever, calcular, organizar, desenhar, armazenar e recuperar informações. E pode ser útil para qualquer pessoa em qualquer lugar - como atestam os numerosos micros portáteis e os cada vez mais comuns micros domésticos. Por que, então, um micro não é um artefato tão corriqueiro como, digamos, uma televisão?

Não, o preço certamente não é o obstáculo: há micros mais baratos que televisores. Nem o tamanho, evidentemente. Não sei sua opinião, mas a meu ver o maior obstáculo é o medo. Medo de não saber "lidar com ele". Medo de não se entender com uma coisa assim (aparentemente) tão complexa. Medo do desconhecido. As pessoas têm medo do computador.

E por que o medo? Um micro é muito mais fácil de manejar que um automóvel - eu garanto. Em um micro, por maior que seja o erro cometido, dificilmente você irá danificá-lo. E o mais importante: não vai matar nem ferir ninguém. No máximo, perdem-se alguns dados. No entanto, a maioria das pessoas se assusta menos ante a possibilidade de aprender a dirigir um carro que frente à idéia de aprender a usar um micro. Por que será?

Esse assunto dá panos para manga. Tem sido debatido por técnicos, psicólogos, especialistas em comportamento e mais um monte de gente. Algumas razões já foram identificadas. E, dentre elas, uma que me parece a mais importante: a entrada de dados. Ou, trocando em miúdos: o teclado.

Acha estranho? Mas pense um pouco: há alguma forma menos natural de trocar informações com alguém ou alguma coisa que digitando mensagens laboriosamente, palavra por palavra, em um teclado? Quantas pessoas se sentem, realmente, à vontade frente a um monstrengo desses?

E há alternativa? Certamente que sim. Por exemplo: hoje o mouse já é um dispositivo quase tão comum quanto o teclado. Não sabe que bicho é esse? Fácil: mouse é um objeto com dois ou três botões que desliza sobre a mesa. Mova-o, e na tela um cursor acompanha o movimento. Leve o cursor até um símbolo na tela e aperte um dos botões: isto é o suficiente para desencadear uma ação, ou "comando". Muito mais simples que digitar o comando. Daí a grande aceitação do mouse (que se chama assim porque seu formato e o fio que o liga ao micro lembram um ratinho e seu rabo).

Mas se o mouse facilita, não resolve: ajuda, mas não substitui o teclado. Que tal se você pudesse escrever em seu micro com uma caneta, como se estivesse escrevendo em um caderno? Ou, melhor ainda: que tal se você pudesse falar com ele? E se ele lhe respondesse, como o famoso computador HAL do filme 2001? Impossível? Nem tanto.

Duas tecnologias, já em avançado estágio de desenvolvimento, podem tornar isto possível: reconhecimento de caracteres e de voz. Falaremos sobre elas adiante. E, aí sim, estaremos discutindo o micro do futuro...

B. Piropo