Sítio do Piropo

B. Piropo

< Jornal Estado de Minas >
Volte
25/01/2007

< Eu e o Windows Vista >


Meu primeiro contato com o Vista ocorreu há pouco mais de um ano. O sistema tinha acabado de ser batizado (era conhecido pelo codinome “Longhorn”) e eu já ouvira falar dele mas ainda não o tinha visto em funcionamento. Quem operava a demonstração do Vista era o Mário Abreu, um membro da equipe de “beta-testers” que acabou por tornar-se um bom amigo. O entusiasmo do Mário era tanto e sua demonstração tão convincente que solicitei à MS minha inclusão no programa de testes. Para usufruir de todas as funcionalidades do Vista montei uma máquina nova razoavelmente poderosa. Mas, afinal, quem escreve sobre computadores tem a obrigação de estar em dia com as novidades, portanto meti mãos à obra e fui em frente. Hoje, contando com todas as versões beta que foram instaladas assim que liberadas, uso o Vista há mais de ano. A partir do segundo mês, concluí que a estabilidade da versão então liberada era suficiente para que eu a usasse “na produção” e passei a trabalhar diretamente na nova máquina (gravando os arquivos na velha através da rede, que seguro morreu de velho). Já há cerca de um mês uso a versão final, em português, liberada juntamente com as versões corporativas no final de 2006 para os membros da MSDN. Em suma: uso o Vista há mais de um ano em minhas atividades diárias de trabalho. E estou muito satisfeito.

Isso não quer dizer, naturalmente, que você deva correr até a loja, comprar o sistema e instalá-lo em sua máquina. Primeiro porque talvez ele simplesmente não instale: as exigências de hardware são severas, como você provavelmente já sabe. E, se instalar, é possível que só ofereça parte de suas funcionalidades, muitas delas embutidas na interface Aero que só começa a se manifestar em máquinas com 1 GB de memória RAM e uma poderosa controladora de vídeo com pelo menos 128 MB de memória dedicada. Portanto, antes de instalar, convém sopesar os prós e os contras.

Clique para ampliar...
Figura 1: interface Aero.

Se você dispõe do hardware mínimo (usando o jargão da MS: se sua máquina é “Vista Ready”), instalar pode ser uma boa opção. O sistema não oferece novidades revolucionárias (exceto, talvez, no que toca à segurança) mas indubitavelmente representa um (largo) passo adiante em relação ao XP. Já se for preciso trocar de máquina, se você não estava mesmo planejando fazer isso em curto prazo ou se não for um usuário compulsivo do tipo que tem-que-ter-a-última-novidade (tipo, aliás, que está se tornando cada vez mais raro), melhor esperar um pouco. Mesmo porque a evolução natural da tecnologia fará com que dentro de alguns meses o custo de uma máquina “Vista Ready” com todos os seus badulaques caia ao nível do de sua máquina atual. Portanto, cedo ou tarde, você disporá de hardware suficiente para instalar Vista. Foi assim com o 98, com o XP e com o Vista não será diferente.

Mas suponhamos que você decida instalar. O que ganhará com isto? Bem, a parte mais visível é mesmo a nova interface, cheia de transparências e efeitos tridimensionais. É bonita, sem dúvida. E facilita, sim, o uso da máquina. Pousar o ponteiro do mouse sobre um botão da barra de ferramentas ou teclar “Alt+Tab” e ver imagens reduzidas do conteúdo das janelas em vez de simples ícones de programas, queiram ou não, ajuda bastante a quem está tentando saltar para a janela de, digamos, certo documento de texto quando há diversos deles abertos simultaneamente. Mas é forçoso admitir que se pode perfeitamente viver sem isso e não seria esta a razão de comprar (e olhe que não será barato) e instalar um novo sistema operacional.

Mas o Vista traz pequenos tesouros ocultos que não podem ser desprezados. Por exemplo: esqueça a desfragmentação de discos. O próprio Vista providenciará que seja feita na ocasião devida sem interferência do usuário. E não se preocupe em instalar programas auxiliares para efetuar buscas em seus discos: o que vem “embutido” no sistema é rápido e eficiente, além de estar totalmente integrado ao Windows Explorer, permitindo organizar e catalogar arquivos e pastas de acordo com os resultados de buscas. Além de notáveis melhorias em tudo o que diz respeito à segurança.

E quanto à estabilidade e confiabilidade do sistema? Melhor perguntar ao próprio Vista. Afinal, um de seus utilitários é justamente o “Monitor de Desempenho e Confiança” que roda em segundo plano e registra tanto o desempenho do sistema como qualquer falha eventual. E o que diz o “Monitor de confiabilidade” desta máquina que vos fala? Bem, desde 12/12/06, quando esta versão foi instalada, o monitor registrou duas “falhas variadas” (ambas minhas: máquina desligada inadvertidamente) e uma de aplicativo (o Word do Office 2007 travou). Falhas de Hardware? Nenhuma. Falhas de Windows? Zero. Índice de confiabilidade? Quase 8 em uma escala de zero a dez.

Clique para ampliar...
Figura 1: Monitor de Desempenho e Confiança.

Nada mau para um sistema que roda em uma máquina que eu não costumo desligar e que funciona praticamente 24 horas por dia desde a instalação do Vista...

B. Piropo