Sítio do Piropo

B. Piropo

< O Globo >
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14/01/2002

< Fontes >


Após onze anos saindo toda segunda-feira, a velha Trilha Zero findou-se. A partir de agora estaremos neste novo local, quinzenalmente como as demais colunas do caderninho (mas podemos continuar nos encontrando semanalmente em meu sítio, <www.bpiropo.com.br>).

Embora de cara e nome novos, o jeitão da coluna não vai mudar. Espero continuar fazendo cá o que fazia lá: explicar, de forma amena e em linguagem simples, como funciona essa formidável máquina cujo potencial de nos dar prazer com sua magia só é superado pelo de nos afligir com seus mistérios. Porque, por mais que os usuários as detestem e por mais que a MS se esmere em escondê-las, certas complexidades são inerentes ao uso do computador. Evitar que incomodem é um mérito. Mas fingir que não existem pode levar a uma perigosa alienação e limitar drasticamente a funcionalidade do micro como ferramenta de trabalho. O remédio, então, é destrinchá-las para poder tirar proveito delas.

Um bom exemplo é o uso das fontes. Quantos de vocês sabem lidar com elas, instalá-las, removê-las e onde encontrá-las? É o tipo do assunto que parece complicado mas não é. E deslindar seus mistérios pode ser de grande valia para embelezar nossos documentos. Então mãos à obra.

“Fonte” é o nome que, em tipografia, se dá ao “desenho” das letras, números e sinais gráficos. Cada fonte tem sua “personalidade”. Estas mal traçadas, por exemplo, usam uma fonte denominada “Nimrod” (aqui no sítio, usamos a Verdana, no "tamanho" 2 para Internet, correspondendo ao 10 do seu Word. N. do W.M). Compare seu formato com o dos caracteres que aparecem em outras publicações e note como é impossível dissociá-lo do “jeitão” de cada uma delas. Há diversos tipos de fontes, de formas incrivelmente diferentes (acredite, há até mesmo uma família de fontes pornô – se é que tais fontes merecem o nome de “família”). Mesclar diferentes fontes em um mesmo documento tanto pode enriquecê-lo, destacando seus pontos principais e ordenando tópicos e idéias, como transformá-lo em um ininteligível conglomerado de letras disformes. Basta saber (ou não) escolher as fontes adequadas. Embora as características das fontes e os critérios que orientam sua escolha sejam um tema fascinante, sua discussão não cabe aqui. Por isso limitar-nos-emos a examinar seu gerenciamento sob Windows.

Em Windows, todas as fontes instaladas podem ser usadas por qualquer aplicativo, já que são gerenciadas pelo sistema operacional (no caso, o próprio Windows) e não pelos programas. Mas nem sempre foi assim: nos tempos do DOS, trabalhar com mais de uma fonte era um pesadelo. Na era Windows, não apenas pode-se recorrer facilmente a uma imensa variedade de fontes como também adicioná-las e removê-las com a mesma facilidade. Quanto ao número de fontes instaladas, no entanto, cabem duas observações.

Primeira: há um limite máximo para esse número, que depende de diversos fatores e varia de versão para versão (na versão 3.1 de Windows situava-se entre 300 e 800 fontes e nas  mais recentes foi ampliado para mais de mil). Segunda: mesmo podendo instalar tantas fontes, convém manter-se longe do limite. Uma recomendação razoável é não ultrapassar as cento e cinqüenta fontes, um arsenal mais que suficiente para a imensa maioria dos usuários comuns (se não é o bastante para você, tenha um pouco de paciência que breve ensinarei como contornar essa limitação). E há muitas razões para isso. A principal é o desempenho: quando se trabalha com um número demasiadamente grande de fontes, os programas que recorrem a elas ficam mais lentos, sobretudo para serem abertos. Mas há outras. Por exemplo: quando há mais de 600 fontes instaladas (mas cuidado: o problema pode se manifestar com qualquer número acima de 200) em certas circunstâncias alguns programas emitem estranhas mensagens de erro, em geral informando que arquivos estão corrompidos, outros não podem ser abertos ou ainda que não há memória suficiente. Como, aparentemente, as mensagens nada têm a ver com fontes, fica difícil identificar a causa. Mas se você tentar inserir um organograma em um documento criado com qualquer um dos aplicativos do Office e receber uma dessas mensagens, a causa mais provável é o excesso de fontes instaladas. Remova algumas e provavelmente o problema desaparecerá (veja mais detalhes nos artigos Q157305, Q201188 e Q238307 da MS Knowledge Base em <http://support.microsoft.com/>).

Sim, eu sei: tudo isso é interessante, mas o que você quer mesmo é aprender a gerenciar fontes. Pois faremos isso na próxima coluna.

B. Piropo