Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
09/03/2006
< Ajuste de sensibilidade >
<
de câmaras digitais
>

Antigamente, no passado remoto em que vivi minha juventude, “tirava-se” fotografias com câmaras que usavam filmes. No princípio, preto e branco. Depois, coloridos. O filme era uma película flexível recoberta com uma camada de material sensível à luz que, depois de exposto no interior da câmara, era enviado a um laboratório e “revelado”, gerando um “negativo” que por sua vez era utilizado para imprimir a imagem em papel.

Hoje as fotos são “tiradas” com câmaras digitais (isso quando não se usam computador de mão ou telefone) e impressas na impressora doméstica. Os tempos são claramente outros.

Mas tem uma coisa que não mudou: seja com filme, seja com meio digital, a fotografia será sempre “tirada” projetando-se uma imagem sobre uma superfície onde há um dispositivo sensível à luz. Na época dos filmes este dispositivo era a “emulsão fotográfica” que revestia o filme plástico. Sua sensibilidade era expressa por um número padronizado, também conhecido por “velocidade” do filme. O padrão mais usado era o ASA (American Standards Association), também chamado de ISO  (International Standards Organization).

O padrão ASA usava uma escala natural, ou seja, um filme de 200 ASA era duas vezes mais sensível à luz que um filme de 100 ASA e um de 400 ASA era duas vezes mais sensível que um de 200 ASA. Os filmes comuns ficavam na faixa dos 100 a 200 ASA. Os profissionais, para fotos em ambientes onde a luz era escassa, chegavam aos 800 ASA.

Nas câmaras digitais o dispositivo sensível à luz é um conjunto de microscópicas células fotoelétricas, cada uma correspondendo a um ponto da fotografia, sobre o qual a imagem é projetada pela objetiva. Cada ponto recebe certa quantidade de luz, decomposta em seus componentes primários, que geram uma intensidade de corrente que é captada, digitalizada e registrada em um módulo de memória. Uma foto digital de uma boa câmara moderna é composta pelo registro das intensidades das cores fundamentais capturadas por milhões de pontos como estes, cada um deles constituindo uma “célula de imagem”, ou “picture cell”, mais conhecido por “pixel”. Uma câmara de seis megapixel tem uma superfície sensível composta por seis milhões destes pontos. Mas como se mede sua sensibilidade?

Ainda em ASA. Todo fabricante de câmara digital fornece um número correspondente à sensibilidade da superfície que captura a imagem. Na maioria das câmaras esse número ainda é expresso em unidades ASA e se situa na faixa de 100 ASA a 200 ASA.

A diferença é que, nos tempos dos filmes fotográficos, quando se sabia que as fotos seriam
“tiradas” em ambientes de pouca luz, podia-se trocar o filme por um de maior sensibilidade. Mas não é possível trocar toda a superfície sensível à luz de uma câmara digital.

Ocorre que, nas câmaras de melhor qualidade, o fabricante fornece a possibilidade de regular a sensibilidade escolhendo entre um pequeno número de ajustes expressos em ASA/ISO.

Sugiro manter esse ajuste sempre que possível no valor padrão, fornecido pelo fabricante. Isso porque aumentar o valor da sensibilidade de uma câmara digital alterando esse ajuste não é o mesmo que trocar um filme fotográfico em uma câmara antiga. No caso da câmara digital, o resultado é uma simples amplificação da intensidade do sinal para fazer face à escassez de luz. A foto fica mais “clara”, é verdade, mas sacrifica-se a qualidade da imagem em virtude do “ruído” acrescentado pelos circuitos amplificadores. Portanto, se você deseja uma imagem de boa qualidade, evite alterar o ajuste ASA de sua câmara digital.

Figura 1

B. Piropo


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