Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
29/05/2008
< Habilidades obsoletas >

Dia desses explorava eu os desvãos da Internet quando me deparei com um sítio no mínimo surpreendente. Chama-se “Obsolete Skills” (habilidades obsoletas) e traz uma inusitada relação de coisas que sabemos (ou sabíamos) fazer e que hoje não servem para mais nada.

Para que vocês façam uma idéia mais precisa do que se trata citarei duas habilidades hoje totalmente obsoletas: trocar a agulha de um toca-discos e operar uma régua de cálculos (isso, naturalmente, para quem sabe o que são “toca-discos” e “réguas de cálculos”; eu não somente sei como usei ambos em minha vida diária e adquiri as devidas habilidades no tempo certo).

Pena que o sítio seja todo em inglês. Se você tem algum conhecimento do idioma, não deixe de visitá-lo em < http://obsoleteskills.com/ >. Irá encontrar por lá algumas pérolas que, se não lhe farão rir, talvez lhe façam chorar (de saudades). Se não domina o inglês, veja abaixo alguns exemplos de habilidades obsoletas por lá colhidas (claro que o interesse há de ser maior entre os, digamos, menos jovens, mas garanto que até mesmo adolescentes encontrarão no sítio algumas habilidades que adquiriram a duras penas e que já não servem para nada).

Não vou apelar para o uso do mata-borrão que a maioria de vocês nem sabe do que se trata. Mas lembra da caneta tinteiro, aquelas que quando a tinta acabava era preciso “encher” novamente? Dava trabalho aprender a recarregá-las sem sujar as mãos e o ambiente. Eu sabia. Será que ainda sei? Tá bom, caneta tinteiro também é apelação, as esferográficas estão por aí há décadas. Mas vamos dar um passo adiante: máquinas de escrever. Das “modernas”, de esfera, que tinham uma fita especial, branca, para apagar erros de digitação. Dava trabalho aprender a usar aquele treco. Quem ainda sabe? E centralizar um cabeçalho na máquina?

Ah, mas isso é coisa do passado. Então vamos à era da informática, vinte e poucos anos. O que fazer com todo aquele conhecimento adquirido para programar em BASIC? E com a sutil arte de criar um bom disquete de inicialização? Quanta gente treinou até conseguir limpar com perfeição os roletes de um mause de esfera? E os peritos na criação de arquivos de Config.Sys e Autoexec.Bat da era do DOS? Os magos no ajuste de “recursos do sistema”, como atribuição de números de interrupção e endereços de E/S? E quem sabia programar em Clipper? Ou em COBOL? O que fazer hoje em dia com tanto conhecimento acumulado?

Acha que estes são conhecimentos demasiadamente técnicos? Então que tal a habilidade de certas secretárias que discavam um telefone (de disco, naturalmente) sem olhar? E a de “emendar” fitas cassete? Focalizar, ajustar o tempo de exposição e abertura de diafragma de máquinas fotográficas? Isso sem falar em encaixar o filme em câmaras não digitais...

Fazer um automóvel “pegar” usando uma manivela seria apelação, bem sei (embora eu tenha visto gente fazendo isso). Mas que tal completar a água da bateria? Regular carburador? Sintonizar o rádio girando um botão? Ou acionar o motor de arranque premindo outro?

Mas deixemos de lado a tecnologia e falemos de coisas mais simples. Como jogar bola de gude. Enviar cartas pelo correio. Abrir uma lata de conserva com aquela “chavinha” (quem usou, sabe do que estou falando). Ler números em algarismos romanos. Consultar uma taboa de logaritmos. “Dar corda” em relógios. Regular um pêndulo para “acertar” um relógio de parede com precisão. “Caprichar” na caligrafia. Tantas habilidades, tão pouco uso para elas...

Talvez você ache que tudo isso é “coisa de velho”. Ou, quem sabe, talvez ainda use algumas das habilidades listadas (se for o caso, não se ofenda comigo: quem as declarou obsoletas foi Brad Kellet, responsável pelo sítio). Mas vale a pena pensar sobre o assunto. Sem esquecer que o mesmo autor criou o sítio New Skills (< http://obsoleteskills.com/NewSkills/NewSkills >) onde, para compensar, são listadas algumas habilidades surgidas recentemente. Como “encorajar as crianças a brincar em um mundo não-virtual”. Sinal dos tempos...

Figura 1

 

B. Piropo


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