Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
07/08/2008
< Conexão “à quente” >

Vocês, jovens felizardos que entram agora no mundo da informática, sequer imaginam as vicissitudes que nós, dinossauros da computação, experimentamos um dia. Tanto, que, além de achar natural conectar um novo dispositivo ao computador sem desligá-lo, reclamam quando o micro demora um pouco a reconhecer o dispositivo e, se for o caso, instalar os “drivers” eventualmente necessários para se entender com ele.

Pois saibam que isso não somente é coisa relativamente nova como também é fruto da conjugação de algumas tecnologias cabeludíssimas. Porque nos tempos d’antanho, para começar, era preciso desligar o computador antes de a ele conectar qualquer coisa, fosse lá o que fosse. Depois, havia que efetuar manualmente a configuração, tanto do hardware (geralmente através do ajuste de “jumpers”) quanto do software. O que incluía não apenas a instalação de todos os “drivers” necessários como também o ajuste dos malfadados “recursos do sistema”. Uma tarefa similar a um quebra-cabeças de solução difícil, quando não impossível: havia casos em que era preciso remover um periférico para instalar outro, já que os tais recursos eram lamentavelmente escassos.

Agora, tudo é fácil. Assim que o dispositivo é “reconhecido” os recursos são ajustados pelo próprio sistema, sem qualquer intervenção do usuário. E tal reconhecimento deve-se a uma tecnologia denominada “plug-and-play” (que, mal traduzindo, significa algo como “encaixe e use”) incorporada tanto ao sistema operacional quanto a cada dispositivo concebido para se comunicar com um PC. E tudo isso sem desligar o micro.

É esta última parte a mais interessante. Ela recebeu o nome de “conexão à quente” (em inglês “hot swapping”, mais apropriadamente traduzida por “troca à quente”). Antes que ela se disseminasse, para efetuar a conexão ou desconexão de um componente o computador tinha que ser desligado. Isto porque as conexões entre componentes transportam pulsos elétricos, alguns de tensão relativamente alta, que são processados por circuitos eletrônicos extremamente delicados. Alimentar certos pontos destes circuitos antes dos demais e, sobretudo, sem um “aterramento” adequado, era desastre certo, circuito “queimado” e prejuízo garantido. Por isso é essencial que, antes que qualquer pino ou encaixe do circuito receba qualquer tensão, os pinos correspondentes à “terra” já estejam conectados.

A questão foi resolvida projetando conectores tais que os pontos a serem conectados antes dos demais, como os do aterramento, tenham os pinos ou listras metálicas mais protuberantes, garantindo que se encontrarão primeiro (há, naturalmente, outros fatores envolvidos, mas este é o que efetivamente resolve o problema).

É por isso que se pode conectar um “pen drive” ao computador e, depois de alguns segundos, começar a ler e gravar dados nele. O que vale igualmente para todos os periféricos modernos, aderentes aos padrões USB e “Firewire”, que aceitam a conexão à quente, Assim como o padrão eSATA (de “external SATA”) para discos rígidos externos tipo SATA, que breve se disseminará. E aderem igualmente ao padrão “plug-and-play”, que permite que, tão logo conectados, sejam examinados pelo sistema operacional que tomará as devidas providências para configurá-los.

Mas, se hoje em dia quase todo periférico é assim, porque perder tempo com este assunto agora? Bem, o problema está no “quase”. Porque, embora raros, ainda se encontram por aí dispositivos que se conectam às portas paralelas ou seriais. E estes, mesmo os que são “plug-and-play”, não admitem conexão à quente. Portanto, se um dia você topar com um deles, não se esqueça de desligar o micro antes de conectá-lo.

B. Piropo


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