Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
18/12/2008
< Por que o disco rígido é “C”? >

A mim, velho usuário de PCs, esta dúvida jamais atormentaria. Por isso me espantei com a pergunta: se um drive ou outra unidade de memória de massa (como um “pen drive” ou acionador de discos óticos) pode receber como designador qualquer letra do alfabeto, por que o disco rígido principal, aquele que contém o sistema operacional, recebe por padrão sempre a letra “C”? E mais: o que ocorreu com os designadores “A” e “B”? Por que, quando se conecta uma unidade de memória USB, como um disco rígido externo ou um “pen drive”, o sistema atribui a ela como designador qualquer letra disponível, exceto “A” ou “B”?

As razões têm raízes técnicas e históricas. Vamos a elas. Há pouco mais de um quarto de século, pelos idos de 1981 quando a IBM lançou o primeiro microcomputador pessoal que veio a se tornar o pioneiro da “linha PC”, não havia discos magnéticos ou óticos e muito menos “pen-drives” e quejandas. Em matéria de discos, tudo o que havia eram acionadores de discos flexíveis, os velhos discos de cinco polegadas e um quarto. Que, ainda assim, eram opcionais. Pois a unidade de armazenamento de massa (se é que merecia este nome) do velho PC era um mero toca-fitas cassete. Que sequer recebia designador (os comandos referiam-se a ele simplesmente como “tape”, posto que só se podia conectar uma única unidade de fita ao PC).

Quanto aos acionadores de discos flexíveis, ou “disquetes”, como eu disse, eram opcionais. O PC vinha sem eles e, se você assim o desejasse, poderia comprar um avulso e instalá-lo no micro. Cuja unidade, se a instalação fosse feita corretamente, receberia automaticamente o primeiro designador disponível: a letra “A”. E as rotinas de inicialização, gravadas em um circuito integrado de memória apenas para leitura (que, como continha também as rotinas do sistema básico de entrada e saída, ou BIOS, era conhecido por “ROM BIOS”), eram ajustadas para procurar nesta unidade, o “drive A”, os arquivos do sistema operacional.

Quem tinha “bala na agulha” (os acionadores de discos flexíveis eram caros na época) poderia se dar ao luxo de instalar uma segunda unidade de disco flexível. Assim, o sistema operacional e os arquivos executáveis dos programas ficavam sempre no disquete inserido no “drive A” (que os usuários mais experientes mantinham sempre protegido contra gravação) e os arquivos de dados criados e editados eram gravados no disquete inserido na segunda unidade. À qual, naturalmente, o sistema atribuía o próximo designador disponível: a letra “B”.

Quando, em 1982, surgiram os primeiros discos rígidos, então conhecidos por “Winchester”, nada mais natural que a eles fosse atribuído por padrão o primeiro designador livre seguinte, portanto a letra “C”. E mais: para suportar a nova unidade, a IBM lançou o modelo XT (de eXtended Technology), cujas rotinas de inicialização eram ajustadas para procurar primeiro o sistema operacional na unidade A e, caso ali não as encontrassem, “pular” a B e partir diretamente para a busca na unidade C (que obrigatoriamente seria um disco rígido, já que nem o PC nem o XT poderiam conter mais de dois acionadores de disquetes). E assim foi feito.

Depois, surgiram os acionadores de disquetes de três polegadas e meia, e os micros da linha PC passaram a ser fornecidos com um “drive” de 5,25” e outro de 3,5”. Em seguida os disquetes de 5,25” caíram em desuso e ambos os acionadores de discos flexíveis passaram a ser de 3,5”. Até que, finalmente, com o aumento de capacidade dos discos rígidos e o aparecimento de novas unidades, como os discos Zip (lembra?) e finalmente os “pen-drives”, as unidades de discos flexíveis praticamente desapareceram. Mas os designadores “A” e “B” continuam reservados para elas. E, (embora hoje isto já possa ser alterado no “setup”), durante a partida, o micro segue procurando o sistema operacional na unidade “C”. Que, por isso, continua a ser, por padrão, o designador atribuído ao primeiro disco magnético.

Nada como um pouco de história para esclarecer questões aparentemente inexplicáveis...

B. Piropo


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