Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
21/05/2009
< Embrulhando peixe >

Há um par de semanas publiquei aqui um comentário sobre o Twitter (ainda disponível na seção “Escritos/Coluna Técnicas e Truques” do Sítio do Piropo, em < www.bpiropo.com.br >) onde expunha minha perplexidade diante de um meio de comunicação tão restrito. Perplexidade que me levou a voltar ao assunto na minha coluna semanal do sítio FórumPCs, que pode ser lida em < http://www.forumpcs.com.br/viewtopic.php?t=254181 >.

Levando em conta que nem todo leitor de jornal é usuário da Internet, eu esperava reação mais favorável ao Twitter entre os membros do Fórum, onde ele deveria ter maior número de usuários. Mas, para minha surpresa, a reação mais enfaticamente favorável partiu justamente de uma leitora do jornal, que assina Lilian Sette. Aqui vai ela, na íntegra: “Trabalho na área de web e redes sociais e frequentemente leio e acesso artigos de relevância sobre novos usos e fenômenos da internet. Realmente seu texto é singular. Primeiro, o twitter já deixou de ser novidade há algum tempo. Portanto, acredito que a capa do caderno de informática já saiu como papel pra embrulhar o peixe de hoje. Segundo, o desconhecimento do que é o twitter e dos seus usos é impressionante. Ou você considera que os twitteiros são extremamente irrelevantes e fúteis que não posso desenvolver conteúdo através de tweets e se resumam a divulgar o que estão bebendo o 18º cafezinho do dia?? Temos figuras respeitadas e conhecidas da web que estão no twitter. Neste momento, por exemplo, se você tivesse um twitter saberia da pane geral que está rolando no google. Isso é tempo real. Isso é comunicação, e, isso será o jornalismo no futuro!!!! Quando o jornal Estado de Minas vai acordar pros novos tempos???? Viveremos eternamente na era de Gutemberg? Ou isso é medo do desconhecido, medo de não se adaptar e perder o paletó na cadeira para jovens recém saídos da faculdade?”

A mensagem (de 1097 caracteres com espaços) reflete a opinião da leitora e merece todo o meu respeito (que, vale mencionar, é maior do que o que ela demonstra pela minha). Eu a acho relevante por expor a perspectiva de quem “trabalha na área de web e redes sociais”.

Mas respeito não implica concordância. Afinal, opiniões divergem e esta divergência é salutar. Diante dela, o bom senso recomenda sondar a opinião de terceiros também envolvidos com o tema. Como, por exemplo, usuários da Internet. Por isso, aproveitando a oportunidade de também escrever em um Fórum, solicitei a seus membros que expusessem sua opinião sobre o Twitter. As opiniões expostas, majoritariamente desfavoráveis, estão disponíveis na própria coluna, no atalho citado no primeiro parágrafo (valem uma visita). Além disso, usei a função “Votação” para obter uma estatística que, embora limitada, representasse o que pensam os membros do Fórum sobre o assunto. Até o momento em que escrevo obtive 120 “votos” (ver figura). Entre os quais a soma das porcentagens dos que exprimem opiniões desfavoráveis ao Twitter monta a 77% enquanto a das opiniões favoráveis mal ultrapassa os 20%. Fiquei particularmente impressionado com o fato de que os que pensam que o Twitter “presta um serviço muito útil e é importante para a Internet”, como a leitora, não passam de 3%. 

No mais, convém não confundir a opinião do jornal com a deste pobre colunista e lembrar que a função – de ambos – não se restringe a relatar “novidades”. Nem tão mofino será, espero, o “jornalismo do futuro”. Pelo contrário: em artigos com mais de 140 caracteres cabem discutir ideias, comentarr fatos e, sobretudo, exprimir opiniões – ou seja: analisar as novidades.

Por fim, mas não menos importante, melhor não confinar a evolução do conhecimento a “eras” estanques. A invenção de Gutemberg, mencionada com desprezo pela leitora, foi – e ainda é – tão essencial (ou mais) para a disseminação do conhecimento quanto a Internet – que, aliás, dificilmente existiria sem ela. E daqui a um século, quando ninguém mais lembrar do Twitter, ainda se encontrará leitores de livros. E de jornais, talvez em formato diferente. Pois, afinal, não dá para embrulhar peixe (nem matar baratas) com páginas da Internet...

Nota do Autor: a nota abaixo foi acrescentada à coluna pela redação do suplemento [email protected] do Jornal Estado de Minas

Nota da redação

Em resposta à leitora Lilian Sette, cuja opinião é publicada na íntegra nesta Coluna do Piropo, a editoria de Informá[email protected] reitera o contra-argumento apresentado pelo colunista de que as opiniões do jornal e do articulista são independentes. Neste sentido, acreditamos que a capa do caderno Informática, de 7 de maio, analisa o assunto a partir da diversificação de finalidades encontradas por usuários do Twitter, justamente o mesmo fator citado pela leitora como fundamental para a relevância da ferramenta. Se o Twitter não é novidade para especialistas em web, a popularização da ferramenta e as novas abordagens de uso justificam a pauta. A reportagem também repercute a polêmica, dando voz àqueles que, como Piropo, criticam a ferramenta e não apostam em sua longevidade. Sob essa perspectiva, acreditamos que o jornal já “acordou” para os novos tempos (para citar expressão da leitora), em que a mídia impressa assume um papel de análise aprofundada e complexa das informações, para além da mera divulgação de novidades – esta, por sua vez, função cumprida com precisão e agilidade em novas mídias, como o próprio Twitter. Outro exemplo disso é que o próprio conteúdo do portal Uai, que publica também as informações do jornal Estado de Minas, conforme anunciado na referida matéria de capa, também está no Twitter, acessível em twitter.com/portaluai.

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B. Piropo


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