Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
20/08/2009
< Bateria: vida longa e próspera >

Este ano, afinal, as vendas mundiais de computadores portáteis superaram por pouco as de micros de mesa. O que os põe na berlinda. Falemos deles, então. Começando pelas baterias.

Primeiro: quando há tomadas por perto, como proceder? Manter o micro ligado a uma delas quando em uso ou usar apenas a bateria e somente conectar enquanto estiver carregando?

Primeiro esqueçamos relatos de baterias que explodiram por excesso de carga. São lendas de um passado remoto (mais de cinco anos). A tecnologia de fabricação de baterias já evoluiu o suficiente para que isto não mais ocorra. Portanto, se seu portátil usa baterias de íon de lítio, esqueça o risco de explosão. E quanto à sobrecarga: com os circuitos modernos de controle de carga e consumo de energia, esse risco também desapareceu. Quando a carga atinge seu nível máximo os circuitos de controle mantêm a máquina ligada sem usar bateria. Portanto seu micro pode permanecer ligado a uma tomada pelo tempo que você desejar sem correr riscos.

Resolvidos os problemas de sobrecarga ou explosão, vamos agora tentar destrinchar o chamado “efeito memória”.

Embora haja meios mais técnicos de avaliar o montante da carga elétrica que se pode transferir para uma bateria ao carregá-la completamente, vamos aqui adotar uma unidade prática que todos nós entendemos porque exprime o que efetivamente interessa: o tempo de duração da carga sob aquilo que chamaremos de “uso normal”, ou seja, micro ligado e rodando seus programas usuais, sem conexão à Internet e sem uso intensivo do disco ótico.

Então, digamos que você comprou um micro portátil novinho em folha e descobriu que, sob uso normal, a carga de sua bateria dura, digamos, três horas. Você segue religiosamente os preceitos e recomendações para preservar a vida útil de sua bateria e, não obstante isso, um ou dois anos depois descobre que aquela mesma bateria, com carga plena, só é capaz de suportar o funcionamento de seu micro por duas horas e meia ou menos. Isso é um defeito?

Não. Isso é uma característica. Por mais cuidado que se tome, baterias recarregáveis não são eternas como o primeiro amor. Na medida que são usadas, carregadas e descarregadas, perdem lentamente sua capacidade de receber carga. Até o dia em que precisam ser trocadas.

Isto, naturalmente, nada tem a ver com o “efeito memória”. Que é, na verdade, uma forma de acelerar o envelhecimento das baterias e deve-se à capacidade de certas baterias de “lembrarem” a última carga recebida e tenderem a limitar a próxima carga a esta lembrança.

Explicando: digamos que, por segurança, você se habituou a recarregar sua bateria sempre que ela indica ter apenas 60% da carga. É claro que receberá apenas os 40% remanescentes. Se isto é feito regularmente, a bateria se “lembrará” da carga recebida e, da próxima vez que for carregada, mesmo que toda a carga tenha sido exaurida, a tendência será receber apenas os habituais 40% da carga. E, com isso, baterias quase novas tornam-se imprestáveis.

O “efeito memória”, muito intenso nas velhas baterias de níquel-cádmio (Ni-Cd), reduziu-se drasticamente nos modelos de hidreto metálico (Ni-MH) e praticamente desapareceu nas modernas baterias de íon de lítio. Portanto, nas máquinas modernas, seus efeitos são quase desprezíveis. Mas, por via das dúvidas e levando em conta o “quase”, o comportamento que eu sugiro (e uso) no que toca à carga da bateria de portáteis é o seguinte: com tomada ou sem tomada por perto, se ainda “sobra” carga na bateria, use-a até que o computador avise que ela está prestes a se esgotar. Somente então conecte-o à tomada. Mas, depois disso, mesmo que a carga tenha atingido os 100%, pode deixá-lo ligado até o fim da sessão de trabalho. E, na eventualidade da sessão de trabalho se encerrar antes que a carga tenha se completado, desligue o micro mas o mantenha conectado à tomada até carga plena da bateria.

Tudo isso tem a ver apenas com carga da bateria para prolongar sua vida útil. A duração da carga e os “preceitos e recomendações” para prolongá-la serão assunto da próxima semana.

B. Piropo


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