Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
25/02/2010
< No breaks >

Saquarema é uma cidade litorânea do Rio de Janeiro onde mantenho um pequeno apartamento que me serve de refúgio. É tranquila, segura e tem um bom provedor Internet com uma taxa de transferência razoável mas, em contrapartida, recebe energia elétrica da AMPLA. Resultado: neste Carnaval meu “no break” apitou mais que mestre de bateria de escola de samba. Sem ele eu não poderia trabalhar. Porque o melhor que se pode dizer sobe a regularidade do fornecimento de energia elétrica da AMPLA – ao menos em Saquarema – é que se um gato cheirar, enterra.
Um “no-break” ou UPS (de “uninterruptible power supply” ou “fonte de alimentação ininterrupta”, nome pelo qual deveria ser chamado em português mas ninguém sabe), em sua forma mais simples, é um dispositivo interposto entre o computador e a rede elétrica com uma ou mais baterias e um inversor de corrente. Quando o fornecimento de energia da rede é interrompido, o “no break” imediatamente aciona seu inversor de corrente que usa a energia acumulada na bateria para fornecer corrente alternada ao computador, que por sua vez nem se dá conta da falha da rede. Mais tarde, com o fornecimento restabelecido, a bateria é recarregada e fica à espera de ser novamente acionada. Para informar o usuário sobre a falha na rede pública, enquanto não recebe energia da rede o “no break” emite um sinal sonoro (“bip”). Se você considerar que uma interrupção de alguns segundos, que pode nem ser notada pelas outras pessoas, é desastrosa para quem usa um micro, perceberá a importância do “no break”.
Os “no breaks” disponíveis no comércio para uso em computadores diferem pelo tipo, pela capacidade e pela autonomia. O tipo “off-line” alimenta o computador com a corrente da rede e somente entra em ação quando o fornecimento da rede é interrompido. Já o tipo “online” usa a rede apenas para manter as baterias carregadas e alimenta o micro com a carga da bateria através do inversor de corrente. Este último tipo é mais caro, porém fornece uma alimentação mais estável e imune não apenas a interrupções do fornecimento mas também a quaisquer variações da corrente elétrica da rede, seja de tensão (surtos e afundamentos) seja de frequência. O primeiro é mais barato e, embora não tão bom, é perfeitamente adequado para uso doméstico.
Já a capacidade do “no break” determina a carga que ele pode fornecer (trocando em miúdos: a potência de tudo o que está ligado a ele, incluindo computador, monitores e mais seja lá o que for) quando não recebe energia da rede. É medida em VA (Volt Amperes). Os modelos disponíveis começam em 500 VA, mas se sua máquina é muito potente ou se você deseja alimentar com o “no break” outros dispositivos, como impressoras e monitores adicionais, recomendo pelo menos de 650 VA a 800 VA.
Finalmente, a autonomia depende do número e da capacidade das baterias e é responsável pelo tempo em que o “no break” pode fornecer energia sem recebê-la da rede. Há sistemas profissionais com autonomia de horas, mas para uso doméstico o comum – e o bastante – são autonomias na faixa de dez a quinze minutos. O suficiente para continuar trabalhando por uns cinco minutos enquanto se “torce” para que a interrupção seja de curta duração e, depois disso, gravar os arquivos, fechar os programas, desligar o micro de forma correta e esperar que a energia volte.
Hoje, no mercado, pode-se encontrar “no-breaks” a partir de R$ 200. Modelos de 600 VA a 1000 VA de boa marca custam menos de R$ 500. É o tipo do investimento que vale a pena. Especialmente se você tem a má sorte de ser servido pela AMPLA.

B. Piropo


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