Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
02/09/2010
< A web morreu, viva o Google Voice >

O último número de Wired (setembro / 2010) traz um artigo de capa de título assustador (“The web is dead” – a web morreu) e conteúdo polêmico assinado por seu editor, Chris Anderson.
Chris faz distinção entre o que chama de “web” e de “Internet” – que, segundo ele, está longe de morrer. Segundo ele, “Internet” é a plataforma, um meio de transporte de dados que pode ser usado por diferentes serviços (como o Skype) e aplicativos (como aqueles que dão acesso direto às redes sociais como Twitter, Facebook e outras sem suporte do programa navegador e que podem ser usados de telefones “espertos” e congêneres). Já “web” é apenas a abreviação da “World Wide Web”, a boa e velha www, nascida há um par de décadas com a criação do primeiro programa navegador por Tim Berners-Lee, um imenso sistema de documentos interligados por hipertexto e acessados via Internet com o uso de um programa navegador (uma consulta ao verbete “World Wide Web” da Wikipedia em inglês deixa clara a diferença).
Pois bem: para Chris, os aplicativos que usam a Internet sem se apoiar em programas navegadores como o Internet Explorer, Firefox,  Chrome, Opera  e outros (e que, portanto, não fazem parte da web) estão crescendo tão rapidamente que “mataram” a web. E para comprovar sua tese, acena com um gráfico (que pode ser consultado por você em < http://www.wired.com/magazine/wp-content/images/18-09/ff_webrip_chart2.jpg >, ironicamente na própria web) mostrando a evolução nos últimos vinte anos do tráfego de dados sobre a Internet nos EUA. Nele, se pode verificar que desde 2010 o uso da web vem caindo continuamente, substituído pelo o tráfego de vídeo e aquele chamado “peer-to-peer”, ou seja, de computador a computador, usado pelos aplicativos acima citados.
É claro que isto não significa que a web “morreu” (na verdade o título me fez lembrar o telegrama enviado por Mark Twain a um jornal que publicara, por engano, seu obituário, informando que “os boatos sobre minha morte são exagerados”). Significa apenas que os usuários estão migrando e alterando a forma como usam Internet. Talvez uma das causas seja a explosão de artefatos tipo “telefones espertos” e assemelhados, nos quais fica muito mais fácil consultar as novidades do Twitter ou Facebook em aplicativos desenvolvidos para suas telas pequenas que lê-los em uma minúscula janela de navegador. Mas isto apenas assinala uma tendência e acho que é cedo demais para afirmar que “a web morreu” (mas, como diria D. Eulina, “pelo sim, pelo não”, depois de muito espernear e claramente à contragosto, resolvi aderir ao Twitter e, quem quiser me “seguir”, favor adicionar @bpiropo).
Mas o fato é que os aplicativos que usam a Internet para transportar seus dados sem apelar para programas navegadores se tornam cada vez mais comuns. Quer um bom exemplo?
Agora mesmo o Google lançou – infelizmente apenas nos EUA e por enquanto só para usuários selecionados – um serviço que vai dar o que falar (no sentido lato e no estrito): o Google Voice. Que, trocado em miúdos, é o seguinte: usuários do serviço de correio eletrônico (gratuito) GMail agora podem efetuar ligações telefônicas usando o próprio GMail. E para que fique bem claro: não se trata apenas de se comunicar computador a computador. Trata-se de efetuar ligações do computador para qualquer telefone, algo parecido com o que o Skype já oferece, porém integrado ao GMail. A diferença é que, de posse de seu número Google Voice, você poderá também receber ligações telefônicas no seu computador. Chamadas locais (ou seja, nos EUA e Canadá) serão gratuitas e, quando for implementado o serviço internacional, as tarifas serão da ordem de dois centavos de dólar americano por minuto. Se você quiser saber detalhes de como a coisa funciona (por enquanto só nos EUA) veja o vídeo (em inglês) < http://cnettv.cnet.com/make-phone-calls-from-gmail/9742-1_53-50092219.html?tag=nl.e496 >.
Quer dizer: se a web morreu, não sei. Mas as prestadoras de serviço telefônico que se cuidem.

B. Piropo


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