Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
03/02/2011
< O desaparecimento dos computadores >

Há alguns anos, durante a usual sessão de perguntas de uma das palestras que apresentei sobre o futuro da tecnologia, fui instado a prever o destino dos computadores.
Respondi que as tendências indicavam que, dentro de algum tempo, eles desapareceriam.
Foi um assombro. Pois se eu acabara de relatar progressos extraordinários na tecnologia da informática e comentar que alguns destes progressos eram tão significativos que iriam afetar todo o comportamento de nossa sociedade, como me atrevia a dizer que justamente as máquinas que mais se aproveitavam destes progressos estavam fadadas a desaparecer?
Pois estão. E é fácil demonstrar. Mas convém esclarecer o que quis dizer com “desaparecer”. Verbo que, segundo o Houaiss, tem diversas acepções. A mais usada é “deixar de existir,... acabar”. Não recorri a ela, mas a uma das outras, a original: “deixar de estar visível, ... sumir”.
Porque daqui a um par de décadas os computadores desaparecerão. Sumirão de nossas vistas. Não obstante, estarão por toda a parte, como de certa forma já estão hoje. Porque seus telefones celulares (mesmo os mais simples, que só “falam”) são computadores, como computadores são os consoles de jogos de seus filhos (ou os seus, sei lá). E quem acha que a vida ficará complicada porque talvez não consiga aprender a operar tantos computadores certamente não se deu conta que já os opera porque há um dentro de sua televisão, de seu reprodutor de DVD, de seu pequeno “tocador” de música no formato MP3 e até mesmo, quem diria, de seu forno de micro-ondas e do motor de seu carro. E breve invadirão suas geladeiras, fogões, brinquedos de todo tipo, praticamente todos os utensílios domésticos e, por improvável que pareça, algumas de nossas roupas – que serão feitas de tecido controlado por microprocessadores, deixando passar o calor no verão e nos isolando no inverno. Portanto, estarão por toda a parte. Mas, ao contrário dos de hoje, não mais os veremos. Desaparecerão.
É fácil concluir isto apenas observando o que ocorre com os computadores de mesa. Pense um pouco: há trinta anos o que evocava o vocábulo “computador”? Para os que não viveram aqueles dias, respondo eu: com certeza lembrava aqueles monstros antediluvianos hoje praticamente extintos que aparecem nos filmes preto e branco ocupando salas inteiras e eram conhecidos como “mainframes” ou computadores de grande porte. Hoje, onde estão eles?
E há vinte anos, em que se pensava ao ouvir a palavra “computador”? Certamente a maioria lembraria do clássico micro de mesa (“desktop”), com monitor separado do gabinete e teclado.
E agora? Bem, alguns ainda lembrarão só dos micros de mesa. Mas a maioria pensará também nos portáteis. E, para um número significativo de vocês, o vocábulo evocará apenas o micro tipo “notebook”, o único com o qual têm familiaridade. Pois garanto que, lendo estas mal traçadas, há muito usuário que jamais tocou no teclado de um micro de mesa.
Um sinal seguro que estão próximos de desaparecer (os micros de mesa, não os usuários). E é fácil demonstrar. Uma pesquisa da ITOPS publicada no sítio indiano de tecnologia Trak.in, em < http://trak.in/tags/business/2010/07/29/notebook-sales-triple-desktop-market-share-flat/ >, mostra que nos últimos quatro anos o número de máquinas de mesa vendidas no país permaneceu praticamente estável enquanto que o de micros portáteis triplicou. E, no mercado mundial, estudos do respeitabilíssimo Gartner Group indicam que as vendas de micros portáteis se igualaram às de micros de mesa em 2008 e, já em 2009, foram 22% maiores. O que indica que os portáteis (que, para efeito das estatísticas citadas, incluem “notebooks” e “netbooks”) estão claramente tomando o lugar dos de mesa.
Então isto quer dizer que brevemente o mundo será invadido por micros portáteis? Que nada! Eles que se cuidem. Pois quem acompanha o avanço tecnológico dos telefones espertos (“smartphones”) já percebeu que, depois dos de mesa, os portáteis serão a “bola da vez”...

B. Piropo


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