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B. Piropo

Jornal o Estado de Minas:
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07/04/2011

< Discos de memória “flash”: porque não desfragmentar >


Discos magnéticos tendem a degradar seu desempenho ao longo do tempo em virtude da fragmentação de arquivos. Que não vou explicar aqui porque já a explique alhures (quem se interessar consulte as colunas que perpetrei sobre o tema no TechTudo, começando pela que pode ser encontrada em < http://www.techtudo.com.br/platb/hardware/2011/03/17/por-dentro-dos-discos-magneticos/ >). Mas que vou resumir: devido à forma pela qual arquivos são distribuídos nos discos magnéticos, na medida que alguns são removidos e novos são gravados, eles vão se “espalhando” pelas trilhas em que os discos são organizados. Com isto acabam divididos em trechos (ou “fragmentos”) não contíguos, fazendo a cabeça magnética que os lê saltar de um lado para outro durante a leitura, o que consome tempo. Quanto maior a fragmentação, mais lenta é a leitura. E como ela aumenta à medida que novos arquivos são gravados e removidos, o disco passa a ter um desempenho cada vez mais lento. Por isto se recomenda executar periodicamente a “desfragmentação” do disco, ou seja, ler todos os “pedaços” dos arquivos espalhados pelas trilhas e regravá-los em trechos contíguos.
Há programas de terceiros que fazem isto. Para citar apenas exemplos gratuitos: Auslogics, IOBit, Contig, JkDEfrag, Power Defragmenter e outros. Mas quem usa Windows não precisa se preocupar com eles já que próprio sistema oferece um bastante bom, o “Desfragmentador de Discos” encontrado em “Todos os Programas >> Acessórios >> Ferramentas do Sistema”.
Mas disto todo mundo sabe. Há, porém, um fato que pouca gente sabe: se seu disco é do tipo “estado sólido” (ou “disco de memória”), um dispositivo que se comporta como um disco magnético mas é constituído de memória tipo “flash”, seja ele removível como um “pen-drive” ou fixo como um destes novos (e caros) “discos de estado sólido” (SDD, ou “Solid State Disk”), não o desfragmente. Repito: nunca, jamais, em tempo algum, ainda que o programa de desfragmentação acuse que seus arquivos estão muito fragmentados e não importando qual seja a porcentagem desta fragmentação, não desfragmente um disco de memória.
Há duas razões para isto. A primeira é que, em termos de rapidez de acesso, a fragmentação (e, portanto, a desfragmentação) não fará a menor diferença. Isto porque um disco de memória não usa “cabeça de leitura” que se move. Sendo constituído de circuitos eletrônicos sem partes mecânicas, o acesso é feito diretamente às células de memória, portanto tanto faz onde as informações estejam gravadas. Mas, atenção: esta não é a razão mais importante.
A mais importante é que desfragmentar discos de memória, além de não ajudar, prejudica.
Isto porque o atual estágio da tecnologia de discos de memória faz com que eles tenham uma vida útil que depende do número de vezes que as informações são gravadas. Explicando melhor: cada célula de memória “flash” tem um limite do número de vezes que pode receber informações. Pode ser lida um número indefinido de vezes, mas há um limite para gravar. E cada vez que se desfragmenta um disco todas as informações dos arquivos fragmentados são lidas e regravadas. Logo, cada vez que você executa uma desfragmentação em um disco de memória, além de em nada melhorar seu desempenho, encurta sua vida.
Portanto, se você não usa o desfragmentador de arquivos do Windows 7, tome cuidado. Se em seu micro há um ou mais discos fixos de memória (ou SDD), sempre que executar uma desfragmentação lembre-se de fazê-lo apenas nos demais discos, excluindo o de memória.

Por que Windows 7 é exceção? Porque seu desfragmentador (o fornecido com o sistema, não os de terceiros) reconhece discos de memória. E, mesmo que se tenha agendado uma desfragmentação automática (que não somente é possível como aconselhável nesta versão de Windows), ele tomará o cuidado de excluir dela qualquer disco deste tipo. Mas, tanto quanto eu saiba, é o único que faz isto. Portanto, se você usa estes discos fora de Windows 7, atenção!

B. Piropo