Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
15/09/2011
< Uma história edificante >

O cavalheiro decidiu, afinal, executar a tarefa adiada por meses: remover a pequena unidade de disco de estado sólido (SSD) comprada para verificar se era mesmo tão rápida e, tendo sido aprovada, trocá-la por outra de capacidade maior para satisfazer suas necessidades. A relutância devia-se ao fato de ser o serviço trabalhoso por se tratar da unidade de sistema.
Primeiro, tomou as providências de praxe, como “desativar” os programas que exigem que isto seja feito e coisas que tais. Depois, usou o EaseUS Partition Master para copiar o conteúdo do velho disco “C:”, de sistema, para o novo disco SSD virgem. Foi fácil, pois o EaseUS Partition Master oferece em < www.partition-tool.com/ > uma edição gratuita para uso doméstico com recursos que permitem copiar discos setor por setor, incluindo o MBR (Master Boot Record), os de inicialização e tabelas de partição, usando o “Copy Disk Wizard” de seu menu “Wizard”.
Isto feito, bastou ao cavalheiro remover o disco antigo, colocar o novo em seu lugar (no mesmo conector SATA), alterar os ajustes do “setup” da máquina para trocar o disco de inicialização (“boot disk”), reinicializar o sistema e usar a função “Resize/Move” do menu “Partitions” do próprio EaseUS Partition Master para fazer com que a partição recém-copiada se estendesse por todo o disco. Note que até este ponto o cavalheiro não corria riscos, já que se algo desse errado ele sempre poderia reinstalar o disco antigo, que não foi alterado.
Mas tudo correu nos conformes. Foi então que o cavalheiro se entusiasmou e resolveu trocar por outro de menor capacidade o segundo disco rígido, a unidade “D:”, um disco magnético onde instalava programas menos usados e mantinha configurações e arquivos menos importantes. Isto porque armazena seus dados realmente cruciais em uma unidade tipo NAS (“Network Attached Storage”), um iX-2 da Iomega conectado diretamente à rede, e achou que manter um disco “D:” de 1 TB com menos de 20% de sua capacidade em uso era desperdício. Munido de um novo disco magnético de menor capacidade, o cavalheiro o conectou a uma porta SATA vazia na placa-mãe, usou o EaseUS Partition Master para copiar o conteúdo do velho disco no novo e, finda a tarefa, simplesmente removeu o disco velho (e foi onde errou...)
O cavalheiro reinicializou a máquina e, em princípio, tudo parecia correr bem. A coisa começou a ficar esquisita justamente quando ele resolveu atualizar seu correio eletrônico com o Outlook configurado para armazenar mensagens no disco “D:” e não as achou. E ficou pior quando decidiu rodar programas auxiliares instalados no disco magnético, o velho disco “D:” e ao clicar em seus atalhos o sistema informava que no local apontado nada havia. Será que durante a cópia o cavalheiro havia inadvertidamente alterado o Registro de Windows?
O cavalheiro decidiu verificar apelando para o excelente MVRegClean do Marcos Velasco. Para sua surpresa descobriu que havia centenas de referências inexistentes ao drive “D:”. Removeu todas elas e aí mesmo é que a coisa danou-se. Daí em diante nada mais deu certo.
O que teria acontecido no computador do cavalheiro para que tal desgraça se manifestasse?
Bem, o cavalheiro é um usuário experiente, com quase um quarto de século de estrada e por isto mesmo sabe que o diabo mora nos detalhes. Então, em vez de afobar, começou a olhar calmamente para sua máquina como se a estivesse vendo pela primeira vez, fuçando aqui e ali. O que dizia o Gerenciador de Dispositivos sobre o hardware? Que alterações havia na Área de Trabalho? Na Barra de Tarefas? Na Área de notificações? E no próprio Windows Explorer?
Ah! Examinando atentamente o painel esquerdo do Windows Explorer sentiu falta da unidade “D:”. Lá estava o disco “C:”, juntamente com os acionadores de discos óticos “E:” e “F:”, uma tal unidade “G:” que nunca vira antes, além das unidades mapeadas do servidor NAS. Mas “D:” não havia. E, pior: o que continha o velho drive “D:” agora aparecia no “G:”. O que era aquilo?
Aquilo era mais uma manifestação da estupidez humana. Pois até finalizar a cópia dos arquivos da unidade “D:” para o novo disco magnético, o cavalheiro fizera tudo certinho. O problema é que ele não se deu conta de que, quando conectou ao sistema a nova unidade para fazer a cópia, foi automaticamente atribuído a ela um novo designador, o primeiro disponível, por acaso a letra “G” (já que as letras “E” e “F” eram usadas para designar as unidades de disco ótico). Quando removeu fisicamente do sistema a velha unidade “D:”, liberou seu designador. Mas a nova unidade continuou sendo a “G:” (isto não ocorreu na primeira troca de discos devido às alterações no “setup”, que sempre atribui o designador “C:” ao disco do sistema). Resultado: suas unidades de disco agora eram “C:” (a de sistema), “E:”, “F:” (óticos) e “G:”.
O problema é que o Registro não fora informado disto. E continuou com seus indicadores apontados para uma já inexistente unidade “D:”. E ao tentar corrigir o problema com o MVRegClean o cavalheiro tornou o dano, se não irreparável, muito mais difícil de consertar.
Solução? Fazer o que já deveria ter sido feito quando disco velho foi removido fisicamente do sistema: mudar o designador da nova unidade “G:” para “D:” (com o EaseUS Partition Master, mas também poderia ser feito com o gerenciador de discos de Windows). Depois, refazer as configurações dos programas instalados na (agora recuperada) unidade “D:” ou reinstalá-los quando isto não fosse possível. E reconfigurar o Outlook para exibir as mensagens.
Agora, na máquina do cavalheiro, tudo funciona novamente nos conformes. E ele aprendeu algumas lições. A primeira é que o fato de serem similares não significa que duas operações sejam executadas em passos iguais. A segunda é que detalhes são fundamentais: é preciso conferi-los passo a passo, como se cada vez que se executa uma operação fosse a primeira. E, finalmente: jamais se deixar levar pela ilusão que usuários experientes são imunes a erros.
O cavalheiro prefere não divulgar sua identidade. Imagina, coitado, que deve zelar por seu nome só porque é colunista de informática, escreve em importantes sítios da Internet, publica artigos em jornais respeitáveis e mantém seu próprio sítio. Não quer que o deslize venha a público. Por isto não posso dizer quem cometi tamanha asneira. Escrevi “cometi”? Ato falho...

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B. Piropo


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