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B. Piropo
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<!-- function MM_swapImgRestore() { //v2.0 if (document.MM_swapImgData != null) for (var i=0; i<(document.MM_swapImgData.length-1); i+=2) document.MM_swapImgData[i].src = document.MM_swapImgData[i+1]; } function MM_preloadImages() { //v2.0 if (document.images) { var imgFiles = MM_preloadImages.arguments; if (document.preloadArray==null) document.preloadArray = new Array(); var i = document.preloadArray.length; with (document) for (var j=0; j<imgFiles.length; j++) if (imgFiles[j].charAt(0)!="#"){ preloadArray[i] = new Image; preloadArray[i++].src = imgFiles[j]; } } } //-->
Volte de onde veio
25/09/2000

< Higiene Computacional >


Meu apelo da semana passada surtiu efeito e diversos leitores, a quem agradeço, informaram que a causa provável do problema da máquina do Fernando Gyrão seria uma infecção por uma das variantes dos vírus CAP ou Concept. O CAP, desenvolvido em 1997 (hoje há diversas variantes) é um conjunto de macros do Word que infecta documentos e se aloja no arquivo Normal.Dot das versões do Word 6.x e superiores, eliminando todas as macros que não pertencem a ele. Além de gravar arquivos sempre no formato .Dot  (o problema relatado pelo Fernando), algumas variantes removem certas entradas de menu do Word, notadamente as entradas “Macro” e “Personalizar” do menu “Ferramentas”. Já “Concept” é uma família de vírus também conhecidos como “Prank”. Como o CAP, afeta a versão 6.x e superiores do Word rodando em todos os Windows 9x e NT e se aloja no arquivo Normal.Dot. Um de seus efeitos mais evidentes é justamente gravar todos os documentos no formato .Dot, desabilitando a entrada “Salvar como” do menu “Arquivos”. As características de ambos são bem conhecidas e qualquer versão atualizada de anti-vírus é capaz de identificá-los e eliminá-los, portanto basta submeter a máquina a uma varredura completa com um bom anti-vírus que o problema se resolve.

Resolve-se, é bom que se diga, o problema do Fernando. Mas e o problema dos vírus e programas invasores tipo “cavalos de Tróia”, quando se resolverá? Talvez nunca. E a opinião não é só minha. Com efeito, durante a etapa de Nova Iorque do evento “The Next Twenty Years” que mencionei aqui recentemente (um vídeo completo da etapa está disponível em <http://www.zdnet.com/special/stories/tnty/0,11274,2584902,00.html>), referindo-se a vírus e cavalos de Tróia Tom Freeburg, o homem da Motorola que se dedica a pensar o futuro, dizia mais ou menos o seguinte:

“Este tipo de ‘entidade mal intencionada’ vai continuar a existir, portanto certamente teremos que desenvolver meios para nos proteger e ensinar às demais pessoas a se protegerem contra elas. De fato, acho que deveríamos ensinar a nossos filhos as regras básicas de ‘higiene computacional’ tão logo aprendam a usar computadores. Da mesma forma que os ensinamos a lavar as mãos, deveríamos ensiná-los a tomar cuidado com o que encontram na rede, com o que baixam para seus computadores. Afinal, as regras básicas são as mesmas: cuidados para não ingerir coisas de origem desconhecida e para manter limpos os utensílios de uso diário”.

Na verdade, há algumas semanas, ao entrevistar o Grande Guru Jean-Paul Jacob, ouvi-o dizer que se algum dia voltasse a lecionar, escolheria justamente “higiene computacional” (entendendo-se aí “higiene” em seu sentido de “cuidados para proteger a saúde e evitar doenças”). E creio mesmo que algum dia essa disciplina – ou algo equivalente – será incluída no currículo das escolas secundárias. Porque, pensando bem, da mesma forma que bastam cuidados elementares de higiene pessoal e pública para evitar a disseminação de enfermidades, basta seguir certas regras de conduta igualmente elementares para preservar a “saúde” de nossos computadores. Regras simples, como jamais abrir arquivos anexados de origem desconhecida e submeter a um anti-vírus atualizado os de origem conhecida antes de abri-los. Medidas primárias, indolores. Pena que tão poucos as obedeçam...

Um exemplo: semana passada recebi uma mensagem indignada de um leitor irritadíssimo. Dizia ele que, anexado a uma mensagem recebida da lista de notícias de um conceituado órgão da imprensa especializada, havia um arquivo que continha um vírus (não cito o nome do leitor por razões óbvias e me abstenho igualmente de citar o órgão por conceder-lhe o benefício da dúvida já que, como o leitor, participo da mesma lista de notícias e nenhuma das mensagens a mim enviada continha o vírus – o que levanta a possibilidade da fonte ter sido outra). E, esbravejava o irado leitor, como podia uma empresa daquele porte descuidar-se dos mais elementares princípios de segurança e não verificar se as mensagens que enviava a seus leitores continham vírus? Afinal, para proteger os destinatários da lista de notícias bastavam providências elementares, ao alcance de qualquer um...

Tinha razão o aborrecido leitor. Embora as providências realmente sejam simples, nem todos as tomam. Tanto assim que, obviamente sem o seu conhecimento, anexado à sua indignadíssima mensagem, aquela mesma em que reclamava da empresa que lhe enviou o vírus, vinha o mesmo arquivo que alegava haver sido enviado a ele.

Com o vírus, naturalmente...

B. Piropo

 


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