Escritos
B. Piropo
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< Trilha Zero >
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Volte de onde veio
03/05/2004

< Lorem Ipsum e Pangramas >


Duas palavras: “lorem ipsum”. Elas lhe lembram alguma coisa? Para que servem? Que significam?
Sim, provavelmente elas despertarão na maioria de vocês uma lembrança do tipo “eu já vi isso em algum lugar”. Os mais ligados ao tema dirão que servem para preencher espaços que futuramente conterão texto em uma proposta de projeto gráfico. Mas, embora percebendo que têm algo a ver com latim, pouquíssimos, saberão dizer seu significado. Que, na verdade, não existe. São uma citação truncada do primeiro parágrafo de “Finibus Bonorum et Malorum”, um tratado de Cícero sobre a ética escrito no ano de 45 AC que começa com: “Neque porro quisquam est qui dolorem ipsum quia dolor sit amet, consectetur, adipisci velit” (“Não há quem ame a dor por si mesma, que a procure, que a queira sentir apenas porque é dor”). Segundo Alan Pipes, em seu “Pipes Portal” (<http://homepage.ntlworld.com/alan.pipes/>), esse texto vem sendo usado há alguns séculos pelos profissionais de projeto gráfico para preencher “manchas de texto” com o objetivo de testar a fonte a ser empregada no texto definitivo. E o trecho mais usado, “lorem ipsum quia dolor sit amet”, começa com a palavra “dolorem” truncada por uma quebra de linha de uma das publicações do texto (Loeb, ainda segundo Pipes).
Os pangramas são outra curiosidade ligada à tipografia. Se você usa o Word em português, abra um novo documento, digite no início da primeira linha “=rand (200,99)” (assim mesmo, mas sem aspas) e tecle ENTER. Você verá seu documento invadido por duzentos parágrafos contendo cada um 99 instâncias da frase “A ligeira raposa marrom ataca o cão preguiçoso”. Mas isso não é um pangrama, é apenas a inútil tradução de um. Já na edição do Word em inglês o estratagema resultará e você obterá seu pangrama: a frase original “The quick brown fox jumps over a lazy dog” com apenas 33 caracteres e todas as 26 letras do alfabeto inglês (que não usa acentos e no qual o “c cedilha” caiu em desuso), cujo objetivo é permitir aos tipógrafos testarem fontes (é claro que, traduzida, para nada serve além de causar estranheza aos usuários do Word; leia a coluna que escrevi sobre o assunto, “Diverte, Educa e Instrui”, publicada em 20/03/2000 e disponível na seção “Escritos – Coluna do Piropo/Trilha Zero – 2000” de meu sítio, em <www.bpiropo.com.br>).
O temo “pangrama” vem do grego, composto por “pan – pantós” e “grama – grámma”, que significam, respectivamente, “todo” e “letra”. “Pangrama”, que também se escreve “pantograma”, significa “todas as letras”. Um bom pangrama deve fazer sentido. Ele é tão mais eficaz quanto menos letras contiver. Segundo esse critério, os melhores (em inglês) seriam aqueles com exatas 26 letras. Aqui vão alguns retirados de “The Oxford guide to word games” de Tony Augarde: “Quartz glyph job vex'd cwm finks”, “Vext cwm fly zing jabs Kurd qoph” e “Nth black fjords vex Qum gyp wiz”. Eficazes, porém um tanto apelativos por recorrerem ao uso de palavras exóticas (como “Cwm”, um vale no País de Gales, e “goph”, uma letra do alfabeto hebreu) e nomes próprios, obviamente inventados com as letras que sobraram. Consegui, também no sítio de Pipes, um elegante pangrama em francês com apenas 29 letras: “Whisky vert: jugez cinq fox d'aplomb”.
Em português, uma busca na Internet revela poucos, como o citado por Denis Pedroso em um grupo de discussão: “Foi em Pernambuco que vi Jerry Hall degustar kiwi com xerez”. Mas faltam os acentos e sobram as letras “w”, “y” e “k”, que oficialmente não existem em nosso alfabeto. A melhor fonte que encontrei foi o sítio de Tomás de Paula, “Plano Beta”, em <www.planobeta.com.br/default.asp>, que tem uma seção dedicada a pangramas. Com um bastante razoável, mas com apenas um acento: “Gazeta publica hoje breve anúncio de faxina na quermesse”. E alguns de sua própria autoria, dos quais o mais interessante é “Grave e cabisbaixo, o filho justo zelava pela querida mãe doente” e o mais eficaz “Marta foi à cozinha pois queria ver belo jogo de xícaras”. E até mesmo alguns, também de sua lavra, com todos os acentos, como: “Hoje à noite, sem luz, decidi xeretar a quinta gaveta de vovô: achei lingüiça, pão e fubá”. Criativo, o rapaz.
Em português, o melhor pangrama teria que fazer sentido, ter o menor número de letras, sem nomes próprios (pelo menos sem nomes “inventados” ou em outros idiomas), com “c cedilha” e todos os caracteres acentuados (ou, pelo menos, todos os acentos) e apenas com palavras dicionarizadas (por exemplo, no Houaiss).
Se alguém se arriscar a criar um destes, mande que eu publico e dou crédito.

B. Piropo

 


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