Escritos
B. Piropo
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Volte de onde veio
31/05/2004

< Pangramas de Leitores >


Na coluna do último dia três escrevi sobre pangramas, frases curtas que contêm todas as letras do alfabeto, e desafiei os leitores a criarem alguns em português.
O leitor Domingos Francisco Carneiro mandou um com todos os sinais diacríticos (til, trema, cedilha e acentos grave, agudo e circunflexo) embora um tanto longo com suas 92 letras. Pelo esforço e criatividade da frase, aqui vai: “Conquistador que se preza jamais deixará ficar a braguilha das suas intenções à mercê de um vizinho alcagüete”.
Jorge Luís Moreira da Silva manda um com 71 letras, porém sem a cedilha: “Pois foi brincando hoje, à toa, que vovô quebrou cinqüenta xícaras: mamãe logo se zangou!”
O mais completo foi o enviado por Wilton Ribeiro, que além dos sinais diacríticos contém os ortográficos de exclamação, interrogação, aspas, travessão, vírgula, ponto, dois-pontos e ponto-e-vírgula. Tudo isso com 65 letras (mais os sinais): “João: “Vá às favas, judas, zerê caquético!”; Noé: “Eu? —Vá você, pinguço, lingüinha, xibimba!.”
O mais curto (mas sem trema) foi criado pelo Luiz Guerra, com 58 letras: “pangramas à beça jazem no sótão da memória-dervixe do faquir helênico”. Que postou-o em seu blog, em <http://lyguerr.blog.uol.com.br>.
Tudo isso, é claro, deixando de fora o Professor José Augusto Fernandes Quadra, um médico cuja contribuição foi tão soberba que me obrigou a considerá-lo hors concours. Mandou-me doze pangramas, os maiores com 33 letras. Melhor que eles, porém, é a mensagem que os acompanha. Não dá para transcrevê-la inteira, mas quem quiser se deliciar com a leitura do texto completo o encontrará ao pé desta coluna, na seção Escritos de meu sítio em <www.bpiropo.com.br>. Diz o Dr. José Augusto:
“Embora minha prioridade obviamente seja manter plena atualização na minha área profissional, há quase uma década tenho me dedicado ao estudo dos jogos ludolingüísticos, com especial atenção para os palíndromos (já elaborei mais de 500 inéditos e pretendo brevemente publicá-los em livro), anagramas (outro interessante assunto, cuja compilação pessoal já supera 100 páginas e que também espero divulgar quando meu dia-a-dia permitir), lipogramas e afins, inclusive pangramas.
“De fato, a frase “The quick brown fox jumps over a lazy dog” é o mais conhecido de todos os pangramas. Suas 33 letras são um permanente desafio a ser superado em todas as línguas... Como, ao final da coluna, o senhor avisou que daria atenção a eventuais contribuições e até desejou sorte aos que levassem adiante a idéia de enviar-lhe outros pangramas, senti-me estimulado (quiçá compelido) a refinar os meus próprios e, desculpe a brincadeira, por sua “culpa” quase vi o sol nascendo na terça-feira...
Em seu estilo fluente e agradável, Mestre José Augusto discorda de minha opinião sobre como deveria ser o melhor pangrama em português. Pensa quê, sim, deve fazer sentido, ter o menor número de letras e só incluir termos dicionarizados. Mas acha que nomes próprios dão-lhe um toque especial, desde que sejam de uso comum. E discorda da obrigatoriedade de inclusão da cedilha e acentos, já que “pangrama” significa “todas as letras” e não todos os caracteres. Finalmente, acha válida e recomendável a presença das letras “k”, “w” e “y” também nos pangramas em português já que constam do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da ABL e em todos os dicionários do nosso idioma. E acredita que nada deve haver contra o emprego de siglas e abreviaturas, desde que de fácil reconhecimento e dicionarizadas. Considerações prontamente acatadas por esse pobre escriba, que não é besta de discordar de quem é capaz de conceber pangramas como estes:
De 33 letras: “O torpe vogal, ex-DJ, banca quem faz whisky”; “Feliz na TV, o ex-DJ cego da MPB quer whisky” e “Primo Alex quis CD, giz, TV e fino whisky JB”.
De 32 letras: “Que whisky faz vô Gil, ex-DJ cantor da MPB?”; “Gil Vaz, bonito ex-DJ, quer CPMF do whisky” e “Ex-DJ, com voz frágil na MPB, quota whisky”.
De 31 letras: “Ema quer banjo, LP, fax, CD, giz, TV e whisky” e “Em paz na CBF, o ex-DJ Gil quer whisky VAT”.
De 30 letras: “Norma quer LP, fax, CD, giz, TV e whisky JB” e “Jane quer LP, fax, CD, giz, TV e bom whisky”.
De 29 letras (os menores conhecidos na língua portuguesa): “Mina quer LP, fox, CD, giz, TV e whisky JB” (segundo o Dr. José Augusto, “fox é a forma reduzida
de referência ao cão fox terrier”) e “PM Noel quer giz, CD, fax, TV e whisky JB”.
Obrigado, Mestre João Augusto, por mensagem tão agradável e pangramas tão criativos. E quando publicar seus livros avise. Não há quem me faça perdê-los...

B. Piropo

 

< Assunto Referente >
< Texto completo da mensagem >
< de José Augusto Fernandes Quadra >

Prezado B. Piropo:

Bom dia! Fiel leitor de sua coluna, achei excelente o artigo ‘Lorem ipsum’ e pangramas publicado no último dia 03 de maio. Embora atue em uma área totalmente fora desse assunto (sou médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), sempre tive especial interesse pelas curiosidades de nossa língua portuguesa. Momentos de lazer – digamos assim – que me fortalecem para melhor conviver com as agruras da vida como médico intensivista e que, vez por outra, me permitem tornar ainda mais agradável o convívio diário com meus alunos, ao mesclar o ensino da medicina com alguns breves momentos de estímulo à convivência com a riqueza do nosso vocabulário.
Embora minha prioridade obviamente seja manter plena atualização na minha área profissional, há quase uma década tenho me dedicado ao estudo dos jogos ludolingüísticos, com especial atenção para os palíndromos (já elaborei mais de 500 inéditos e pretendo brevemente publicá-los em livro), anagramas (outro interessante assunto, cuja compilação pessoal já supera 100 páginas e que também espero divulgar quando meu dia-a-dia permitir), lipogramas e afins, inclusive pangramas. Por isso, seu recente artigo me foi especialmente “saboroso”.
De fato, a frase “The quick brown fox jumps over a lazy dog” é o mais conhecido de todos os pangramas. Suas 33 letras são um permanente desafio a ser superado em todas as línguas... Como, ao final da coluna, o senhor avisou que daria atenção a eventuais contribuições e até desejou sorte aos que levassem adiante a idéia de enviar-lhe outros pangramas, senti-me estimulado (quiçá compelido) a refinar os meus próprios e, desculpe a brincadeira, por sua “culpa” quase vi o sol nascendo na terça-feira...
Antes de apresentar minhas “produções”, queria fazer algumas considerações acerca da sua opinião de como deveria ser o melhor pangrama em português. Sem dúvida, concordo que ele deva fazer sentido, ter o menor número de letras e só incluir termos dicionarizados. Em relação à inserção de nomes próprios, acho que estes dão um toque especial ao pangrama (desde que sejam sempre nomes não-inventados de uso comum na língua portuguesa e não para servir como um modo falacioso de superar falha de letras).
Discordo, porém, da obrigatoriedade de inclusão do cedilha e de todos os acentos pois, como o senhor mesmo citou, “pangrama” vem do grego e significa “todas as letras” (e não todos os caracteres). Imagine o que seria ter que incluir não só os acentos, mas também os demais sinais diacríticos (cedilha, apóstrofo, til, trema...) em um pangrama. Além de pouco efetivo, ele acabaria se tornando grande em demasia e nós estaríamos fugindo do próprio significado real do termo “pangrama” (“todas as letras”).
Por outro lado, embora esta seja uma questão discutível, acho válida (e até recomendável) a presença das letras “k”, “w” e “y” também nos pangramas em português já que, queiramos ou não, lá estão essas letras no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras e em todos os dicionários do nosso idioma. Por fim, creio que nada deve haver contra o emprego de siglas e abreviaturas, desde que elas sejam de fácil reconhecimento e também dicionarizadas.
Com base nessas premissas, “meti a cara” e resolvi dar andamento aos meus próprios pangramas. O menor deles seria aquele composto por apenas 26 letras, objetivo decerto impossível de ser conseguido! Sabedor disso, meu parâmetro comparativo inicial foi a famosa frase inglesa de 33 letras. Para mim, já seria promissor tão somente igualar esse número, visto que – ao que sei – os dois menores pangramas até hoje registrados na língua portuguesa têm 34 letras, incluindo siglas e nomes estrangeiros.
Dando seqüência à empreitada, selecionei algumas siglas de uso corrente e contidas nos melhores dicionários de nossa língua (DJ – disc-jóquei; TV – televisão; CD – compact disc; LP – long-play; CBF – Confederação Brasileira de Futebol; MPB – música popular brasileira; PM – polícia militar; CPMF – contribuição permanente de movimentação financeira), bem como nomes próprios comuns e uma palavra-chave importantíssima, justamente por conter as três polêmicas letras: “k”, “w” e “y”. Tal palavra é whisky, já que essa é uma dentre as várias maneiras como os dicionários nobres registram o nome dessa bebida destilada, por exemplo o Houaiss. Para fechar minha “base estrutural pangramática”, anotei o nome de duas conhecidas marcas de whisky: VAT e JB.
A partir daí, “comecei a trabalhar nos finalmente” e cada reduçãode uma letra nas frases era uma comemorada vitória. Com uma série de pangramas nas mãos, terminei selecionando os seguintes:
33 letras:
O torpe vogal, ex-DJ, banca quem faz whisky.
Feliz na TV, o ex-DJ cego da MPB quer whisky.
Primo Alex quis CD, giz, TV e fino whisky JB.
32 letras:
Que whisky faz vô Gil, ex-DJ cantor da MPB?
Gil Vaz, bonito ex-DJ, quer CPMF do whisky.
Ex-DJ, com voz frágil na MPB, quota whisky.
31 letras:
Ema quer banjo, LP, fax, CD, giz, TV e whisky.
Em paz na CBF, o ex-DJ Gil quer whisky VAT.
30 letras:
Norma quer LP, fax, CD, giz, TV e whisky JB.
Jane quer LP, fax, CD, giz, TV e bom whisky.
Por mais que me esforçasse, pareciam inatingíveis as 29 letras do pangrama francês mencionado em seu texto. Ia e voltava nas frases, reordenava letras e nada... Até que, de repente, consegui estes com as desejadas 29 letras:
Mina quer LP, fox, CD, giz, TV e whisky JB. (fox é a forma reduzida de referência ao cão fox terrier)
PM Noel quer giz, CD, fax, TV e whisky JB.
Concordo que citar marcas comerciais de whisky pode ser um pouco apelativo, mas não creio que seja um pecado mortal. Mesmo que o fosse, consegui chegar a uma frase de 30 letras (uma letra a mais apenas) sem esse pequeno óbice. Fui às nuvens... Uau, socorro! Antes que “fundisse a cuca” de vez e fosse levado em camisa-de-força para o Pinel, salvei tudo no computador para depois enviar para o senhor e resolvi ir para a cama!
Bem, fico por aqui. Agradeço caso o senhor possa me avisar quanto ao recebimento deste mail e, mais ainda, se eu recebesse sua valiosa opinião sobre ele. Autorizo-o a utilizar este material, caso queira fazer algum comentário em sua coluna do “O Globo”. Um respeitoso abraço do,
José Augusto Fernandes Quadra

José Augusto Fernandes Quadra

 

 


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