Escritos
B. Piropo
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27/07/1998

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Max Award é o prêmio oferecido pela Fenasoft para incentivar a produção nacional de novas tecnologias de informática e telecomunicações. Segundo o responsável por sua organização, o jornalista Stephen Banker (que, com a elegância de um diplomata e a tenacidade de um feitor de escravos, mantém os membros da comissão julgadora trabalhando doze horas por dia), o nome do prêmio foi escolhido porque "max" é sinônimo de maior e melhor e nada tem a ver com o fato do Presidente da Fenasoft chamar-se Max Gonçalves. Stephen jura que tão logo percebeu a coincidência fez o possível para evitar que prêmio e presidente fossem homônimos. Mas, apesar de seus esforços, Max Gonçalves recusou-se terminantemente a mudar o próprio nome e a coisa seguiu assim mesmo.

Para a sexta edição do Max Award, houve centenas de inscrições - prova indiscutível do grande interesse que o prêmio desperta. A seleção do vencedor começa por uma triagem preliminar, efetuada pela equipe da organização, que leva em conta uma série de fatores condicionantes e reduz o número de possíveis candidatos a pouco mais de sessenta. A lista dos pre-selecionados é então entregue ao presidente da comissão julgadora, que repassa a cada membro sua quota de trabalho: selecionar os três ou quatro melhores entre pouco mais de uma dezena de produtos que lhe cabe analisar. Para isto ele dispõe dos três primeiros dias do evento, já que ao final do terceiro a comissão se reúne e ele deve submeter sua seleção aos demais membros, justificando a escolha. A lista se reduz então a cerca de uma dúzia de finalistas (este ano, exatos treze candidatos). Dela sai a lista dos nove melhores, incluindo o vencedor.

Segundo Stephen Banker, a comissão julgadora é escolhida entre "os mais distintos e prestigiados jornalistas no campo da tecnologia de várias partes do mundo". De fato, em anos anteriores, nela havia gente do porte de John Dvorak, Jerry Pournelle, Tim O´Brien e James Fallows. Mas este ano, pela primeira vez, decidiu-se incluir um membro brasileiro e, ao que parece, afrouxaram as exigências do critério de seleção, conspurcando a lista de eminências com o nome deste escrevinhador que vos fala. Mas foi um escorregão perdoável, considerando que o restante da comissão era formado por elementos da qualidade de um Joel Dreyfuss, ex editor da PC Magazine e atual editor senior da Fortune, David Wallace, que já publicou na Wired, The New York Times e atualmente escreve no The Philadelphia Inquirer e Torsten Schlabach, representante da Computerwoche, a mais influente e prestigiada revista de computação da Alemanha. Sem esquecer que foi presidida por Rui Jorge Cruz, editor do suplemento de informática do jornal Público, de Lisboa, meu irmão de idioma e de idéias, que com sua maneira de agir me convenceu que a expressão "gentil-homem" foi inventada para descrevê-lo.

A tarefa foi dura. E não só por ter sido cansativa, mas principalmente pela imensa dificuldade de escolher os melhores entre tantos bons. Havia, é claro, um critério básico: o produto além de apresentar um forte componente nacional, deveria ter um grande potencial de ser bem sucedido no mercado externo. Mas eram tantos os produtos de qualidade que satisfaziam a ambos os critérios...

A escolha foi totalmente democrática e de uma lisura absoluta. Apesar do interesse despertado pelo prêmio e da importância de conquistá-lo, evidenciada pelo nervosismo e ansiedade com que os concorrentes apresentavam seus produtos, a comissão jamais recebeu qualquer tipo de pressão, seja interna, seja externa. Houve, é claro, as tentativas habituais de inscrições fora do prazo e coisas que tais, todas contornadas com imensa elegância pelo presidente. Mas pressão para escolher o ganhador, garanto, jamais.

A decisão final foi particularmente sofrida. Cada membro da comissão tinha vinte pontos para atribuir livremente aos produtos que julgava melhores. Aos poucos ia-se eliminando concorrentes. Ao final de umas tantas rodadas, ficou claro que dois candidatos mereciam igualmente a vitória: o excelente Personal Med98, da Gens informática, um aplicativo para administrar clínicas e consultórios médicos, e o não menos excelente Ortographos Maxxi, da DTS, um produto que agrega em um mesmo programa um corretor ortográfico para documentos em português, inglês e espanhol. Saber que um deles não ganharia foi de cortar o coração. Chegou-se a um ponto em que não mais adiantava votar e a solução teve que ser obtida por consenso. Ganhou, merecidamente, o Ortographos. Mas, juro: foi por um fio de cabelo.

O Personal Med98 ficou apenas entre os nove melhores. Por justiça, há que citar os demais: AltoQi Eberick, da Eberick, Pack8, do Centro Batista do Ceará, Global Manager98, da DMW, Siga Advanced98, da Micro Siga, Business Cockpit, da Paiva Piovesan, Quality Vision, da Brasil Assessoria Empresarial, e Presente de Gregg, da ZMovie Studio (breve voltarei a ele). Todos ótimos, sem favor nenhum.

Mas ganhador, não tem jeito, só podia ter um.

Que nem na Copa, tá lembrado?

B. Piropo