Escritos
B. Piropo
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03/08/1998

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Voltando a falar de Fenasoft, impossível deixar de registrar meu espanto com a qualidade dos produtos que examinei. Ora, dirão vocês, o Piropo já freqüentou trocentas feiras e ainda se espanta com a qualidade dos produtos? É verdade, direi eu. Mas nunca antes havia sido membro de uma comissão julgadora com obrigação de examinar detidamente cada um deles. E é o exame detalhado que ressalta a qualidade. Dos cerca de vinte produtos que examinei, pelo menos quinze eu classificaria como excelentes.

O conceito de excelente varia de caso a caso. Por exemplo: o programa Presente de Gregg. O que ele faz? De prático, mesmo, nada. Ou melhor, faz sim: permite, na base do arraste-e-solte, montar caricaturas e animações às quais podem se agregar um arquivo de som e mandar de presente aos amigos via e-mail. Nada de muito útil, mas uma graça de software. Na hora de votar, pensei cá comigo: vai ser difícil para um produto assim aparentemente tão inútil ganhar o prêmio. Mas há nele tanta criatividade exercida com tamanha graça e brilho que bem merece se classificar. Então vou lhe dedicar alguns pontos só para garantir sua menção entre os finalistas. Pois não é que todos os demais membros da comissão tiveram a mesma idéia e quase que o programeto levou o prêmio na primeira rodada?

A escolha, repito, foi difícil. Alguns produtos eram excepcionais. Além do Ortographos, que ganhou o prêmio, e do Personal Med 98, que disputou com ele até o último momento, havia programas extraordinariamente bons. Um deles, o Alto Qi Eberick, da Eberick, é um software para cálculo de estruturas de concreto que transforma o velho "calculista de concreto" em um engenheiro estrutural, poupando o tempo antigamente gasto em efetuar cálculos insípidos e repetitivos - agora realizados pelo programa - para exercer a criatividade na tarefa mais nobre de conceber a estrutura. Um outro, que também me coube examinar, merece destaque pela forma limpa e elegante com que resolve um problema incômodo: o ForZip, da Task Sistemas, um programa desenvolvido para gerenciar a criação e impressão de crachás. Só faz isto. Pouco, há que se admitir. Mas o faz de forma tão eficiente e elegante que é impossível não citá-lo. E havia outros, muitos outros, igualmente bons, que a falta de espaço me obriga a cometer a injustiça de não citar. Porque, nesta coluna, há ainda que comentar mais uma proeza de meu amigo Salu. Ou, mais respeitosamente, de José Salustiano Fagundes, Mui Digno Presidente do Conselho Consultivo da Sucesu RN e Diretor de Informática da Associação Comercial do Rio Grande do Norte.

Que teve uma idéia inteligente: organizar em um mesmo local, de 10 a 15 deste mês, três eventos simultâneos, que não apenas se correlacionam, como se entrelaçam, todos ligados diretamente com informática: o Infovia 98 - Feira e Congresso de Informática e Telecomunicações, o Simpósio Luso Brasileiro de Computação Gráfica e Realidade Virtual e o Confac 98, Congresso e Feira de Automação Comercial, todos patrocinados pela Sucesu RN. E como se não bastasse, eles transcorrem paralelamente à nona versão do congresso anual das associações comerciais, que este ano é patrocinado pela Associação Comercial do Rio Grande do Norte e é, por si só, um evento de grande importância que deve atrair mais de dois mil empresários dos setores de comércio, indústria, agricultura e serviços de todo o Brasil para acompanhar painéis sobre temas atuais, como a posição dos países do Mercosul diante da globalização e a disseminação do comércio eletrônico. E onde se poderá assistir a palestras de Lula, Ciro Gomes e Fernando Henrique, expondo seu plano para a estabilidade e desenvolvimento do país.

A mim o que interessa diretamente é o Infovia 98 (os que bem me conhecem dirão que isto é mentira: pensam que a mim o que interessa mesmo é Natal, um pedaço do paraíso de onde não consigo ficar longe muito tempo; de fato não estão longe da verdade, mas desta vez realmente o que me está levando a Natal é o Infovia 98). Os que acompanham esta coluna por alguns anos sabem que este é um evento do qual participo regularmente e, não obstante, nunca deixo de me admirar com o interesse que ele desperta na população local. A feira de informática que se realiza paralelamente a ele recebe mais de trinta mil visitantes, quase cinco porcento da população de Natal - uma cidade cuja forte ligação com a informática jamais consegui explicar, já que com aquelas praias e dunas, ficar sentado em frente a um computador batucando no teclado, só se for por castigo.

Mas seja como for: este ano, mais uma vez, lá estarei. E desta vez, bem acompanhado: tia Cora estará comigo. E se alguém lograr resistir a atração das praias, das dunas, da água de coco e da carne de sol e conseguir realizar o feito heróico de comparecer ao evento, poderão assistir B. Piropo e Cora Rónai conversando com outros coleguinhas da imprensa especializada sobre os rumos do setor.

Falando francamente, eu não sei se compensa. Mas, em todo o caso, o recado tá dado...

B. Piropo