Escritos
B. Piropo
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< Coluna em ForumPCs >
Volte de onde veio
16/05/2005
< 800 GigaBytes em um único disco >

Por acaso minha primeira coluna neste Fórum versava sobre dois novos padrões que disputam o mercado dos DVD (“A Guerra do DVD”, postada em 09 de janeiro deste ano). E, também por acaso, logo depois mergulhei no mundo da nanotecnologia discutindo o que o futuro reserva para a conhecida Lei de Moore, segundo a qual o número de transistores dos circuitos integrados dobra em intervalos regulares.

Os dois padrões que brigam pelo mercado do DVD chamam-se Blu-Ray e HD-DVD. Ambos apelam para o uso de um raio laser azul (violeta, para ser exato) de comprimento de onda da ordem de 0,4 micron (portanto menor que 0,65 micron, o comprimento de onda dos raios laser vermelhos usados nos CD e DVD convencionais) para aumentar a “densidade de dados” gravados, já que com um comprimento de onda menor é possível reduzir tanto a distância entre espiras sucessivas da trilha quanto o tamanho dos ressaltos usados para desviar o raio laser refletido (veja mais detalhes na coluna “A Guerra do DVD” acima citada). O formato Blu-Ray pode armazenar até 50 GB (GigaBytes) em uma única face enquanto o HD-DVD chega a 30 GB. Segundo as últimas notícias (veja artigo “Next-generation DVD formats rally support” de Richard Shim em < http://news.zdnet.com/2100-1040_22-5516161.html?tag=nl >), gravadores no formato Blu-Ray deverão ser lançados no início do próximo ano e recentemente parceiros do quilate da Texas Instruments, Sun Microsystems, Vivendi Universal Games e Electronics Arts aderiram ao padrão Blu-Ray já defendido por Sony, HP e Dell, entre outras. Já a tribo do HD-DVD, capitaneada por Toshiba, NEC e Sanyo, recebeu a adesão de gigantes do entretenimento como a Paramount, Warner, HBO e Universal Studios, que anunciam para breve o lançamento de cem títulos de sucesso, incluindo Harry Potter, Batman, Superman, e algumas séries de TV americanas como “The sopranos”, “ER” e “West Wing”, tudo no padrão HD-DVD, naturalmente. Portanto, longe de acabar com a vitória de um dos grupos, a guerra está cada vez mais acirrada.

Já nanotecnologia, conforme definida na coluna “Lei de Moore: até quando – VI Malhas moleculares” aqui mesmo neste Fórum, é o ramo da tecnologia que lida com dispositivos cujo tamanho é menor que 100 nanômetros (milionésimos de milímetro). E aconselhava: “Para ter uma idéia do que isso significa, leia a coluna ‘O rápido e o pequeno’, a segunda da série” que publiquei aqui no Fórum. Reitero o conselho.

Embora pareça, o objetivo desta coluna não é fazer propaganda das anteriores. É tão somente lembrá-las para evidenciar um fato curioso: o mundo moderno não apenas está presenciando um avanço tecnológico sem precedentes como está vivendo uma interessante fusão de tecnologias aparentemente independentes (quem poderia prever, nos primórdios das eras das telecomunicações e da informática, que depois de algumas décadas elas estariam tão indissoluvelmente ligadas como hoje em dia?)

Pois bem: eu apenas citei as colunas que versavam sobre DVD e nanotecnologia porque, curiosamente, a nossa bem conhecida Iomega, a empresa responsável por dispositivos de armazenamento inovadores como o Zip Drive e o Jaz Drive, acaba de anunciar que patenteou um novo (mais um!) padrão de codificação de dados em DVD usando um método que apela justamente para a nanotecnologia para aumentar de quarenta a cem vezes a capacidade dos discos atuais (ou seja, chegando a quase inconcebíveis 800 GB por face) e cuja taxa de transferência de dados será de cinco a trinta vezes mais elevada (podendo, portanto, chegar a 300 MB/s).

A nova tecnologia foi objeto da patente US Patent No. 6.879.556. Se você quiser examinar seus detalhes, vá até o banco de dados de patentes americanas e leia o texto completo da United States Patent6.879.556 em
< http://patft.uspto.gov/netacgi/nph-Parser?Sect1=PTO1&Sect2=HITOFF&d=PALL&p=1&u=[na mesma linha. N. WM.]
/netahtml/srchnum.htm&r=1&f=G&l=50&s1=6879556.WKU.&OS=PN/6879556&RS=PN/6879556 >.
Mas como desconfio que você vai se sentir um tanto deslocado no meio daquela enxurrada de termos legais em inglês, aqui vai uma tradução do sumário do objeto da referida patente:

“Método e aparelho para armazenamento ótico de dados: Um disco ótico incluindo diversas trilhas, cada uma delas incluindo uma série de elementos de dados óticos. Cada elemento de dado ótico inclui diversas superfícies refletoras com respectivas e diferentes orientações que representam as informações armazenadas. Um sistema de detecção aponta um raio laser para sucessivos elementos de dados óticos. As múltiplas superfícies refletoras de cada elemento ótico de dados produzem múltiplos sub-raios refletidos que são captados pelas regiões respectivas de um detector. Cada sub-raio será refletido em uma posição determinada na região correspondente do detector, que pode ser relacionada com a orientação da superfície refletora correspondente e portanto com a informação armazenada, representada pela dita superfície”

Deu para entender? Bem, patentes são naturalmente obscuras. Elas não costumam descer a detalhes dos dispositivos patenteados porque, sendo públicas, seriam um extraordinário manancial de segredos industriais. Sua função é apenas descrever a coisa da forma mais confusa possível, porém suficientemente clara para impedir os concorrentes de fabricar algo parecido. Portanto, mesmo após uma leitura detalhada da patente, não dá para se ter a exata idéia de como será o dispositivo.

Mas dá para perceber que será algo semelhante a um DVD, porém com diversas trilhas paralelas (se é que o adjetivo “paralela” se aplica a espirais; mas presumo que você tenha entendido o espírito da coisa), cada uma delas contendo complexas (pelo que entendi, multifacetadas) estruturas refletoras em escala nanométrica, que “partem” o raio laser incidente, distribuindo-o em diversas direções simultâneas. Estes “sub-raios” serão captados por sensores que, dependendo da posição em que foram atingidos pelos feixes de laser, reconstituirão os dados digitalizados.

No momento tudo que há é a idéia e a patente. Segundo artigo “Iomega aiming for 800GB DVDs” também de Richard Shim em
< http://news.zdnet.com/2100-1040_22-5720359.html?tag=zdnn.alert >, a Iomega planeja comercializar o produto e está procurando parceiros para fabricar os dispositivos de armazenamento (discos).

E promete divulgar maiores detalhes sobre a tecnologia no Simpósio do consórcio de indústrias de armazenamento de informações que ocorrerá dentro de dois meses em Monterrey, CA, EUA.

É aguardar para ver...

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B. Piropo


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