Escritos
B. Piropo
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Volte de onde veio
24/04/2006
< A Sidebar de Vista >

Como sabem os que acompanham esta coluna, há alguns meses eu instalei o Vista (mais especificamente um dos “builds” ou versões intermediárias de seu “Beta”), o sucessor de Windows XP cujo lançamento deverá ocorrer, se os deuses da informática ajudarem e se o esforço supremo dos desenvolvedores da Microsoft for bem sucedido, no início do ano que vem.
Instalei e comecei a usá-lo no trabalho diário. Mas eis que neste meio tempo assumi um compromisso com minha Editora: entregar os originais de um livro a ser brevemente lançado cujo título será Dicas do Piropo. E não é preciso grandes dotes divinatórios para descobrir qual o tema abordado por ele.
Ora, um livro de Dicas exige captura de telas. E não dá para ilustrar dicas sobre Windows XP e seus programas com telas capturadas a partir de uma versão diferente do sistema operacional. Resultado: voltei a trabalhar no Windows XP (e bota trabalhar nisso; o livro consumiu cada minuto livre de meus dias nos últimos dois meses). E, como a versão “Beta 2” do Vista estava prometida “para breve”, na reinstalação de programas e de sistemas que fiz na minha máquina de trabalho acabei por remover o Vista aguardando o Beta 2. Que não foi lançado até hoje, meados de maio de 2006. E enquanto esperava, fiquei sem ele – já que não teria mesmo tempo para explorá-lo.
Nesse meio tempo, para ser mais preciso há cerca de um mês, eu estive em um evento patrocinado pela Microsoft onde havia algumas máquinas rodando o Vista. E um Vista diferente daquele que eu havia conhecido: sua interface apresentava uma novidade, uma barra larga á direita da tela com um conjunto de pequenos aplicativos. Que diabo seria aquilo?
Era a “Sidebar”, disse-me a moça que operava o micro. E não forneceu mais detalhes.
Pois bem: agora, que os originais do livro já foram entregues e que posso retomar minhas atividades usuais (inclusive pôr em dia esta coluna e voltar à série “Computadores”, o que espero fazer muito breve), instalei o “build” mais recente de Windows Vista, para ser preciso o de número 5381 lançado há um par de semanas. E, como é natural, fui fuçar imediatamente a Sidebar.

Figura 1

Aqui estão minhas impressões sobre a novidade.
A “Sidebar” é uma barra vertical que se estende por toda a altura da tela ao longo de uma de suas bordas laterais (por padrão a da direita, mas pode ser movida para a lateral esquerda). Ela se parece com uma dessas “barra de ferramentas” usadas pelos programas para agrupar ícones correlatos. Sua função é reunir em um único local um pequeno conjunto de programas que o usuário usa freqüentemente.
Sim, bem sei que esta descrição dá a entender que a “Sidebar” não passa de uma ampliação da barra “Iniciar rapidamente”, aquele trecho da esquerda da barra de tarefas junto ao botão “Iniciar” onde ficam os ícones dos programas mais usados. Mas não é bem assim. É fato que elas compartilham o mesmo conceito: manter aplicativos ao alcance de um clique. Mas há uma diferença fundamental: enquanto a barra “Iniciar rapidamente” contém apenas os ícones dos programas mais usados, a “Sidebar” contém os próprios programas, cada um rodando em sua janela em miniatura. Ou seja: se você incluir o relógio na Sidebar (um dos utilitários que ela exibe por padrão), não verá um ícone de um relógio, mas o próprio relógio, funcionando, com a aparência que você escolher. E se incluir um programa para exibir slides, verá os slides se sucedendo na pequena janela do programa.
Outra diferença importante é que a barra “Iniciar rapidamente” pode receber o ícone de qualquer programa (na verdade um atalho) que você arraste para ela. Já a “Sidebar” apenas pode receber aplicativos especialmente desenvolvidos, os chamados “gadgets” (palavra inglesa difícil de traduzir mas que engloba todo esse conjunto de badulaques que infestam a vida moderna e vão desde telefones celulares, agendas e calculadoras de bolso até tocadores de MP3 e outras tantas trapizongas eletro-eletrônicas que fazem a delícia dos apaixonados por tecnologia). Segundo a definição da MS, gadgets “são uma nova categoria de mini-aplicativos concebidas para fornecerem informações e resultados de pesquisas úteis ou aprimorar um aplicativo ou serviço no seu PC ou na Internet”.
Ainda de acordo com a MS, a função da Sidebar é “manter informações visíveis e ferramentas facilmente disponíveis para o uso”. E usa como exemplo o “Web Feeds”, um dos “gadgets” oferecidos pelo “build 5381” da versão beta de Vista: “Suponha que você está trabalhando em um documento e decida consultar o noticiário. Normalmente você interromperia seu trabalho no documento, abriria uma janela de seu programa navegador, conectar-se-ia a um sítio de notícias e percorreria as manchetes. Com a Sidebar você pode usar o gadget Web Feeds para exibir as manchetes mais recentes das fontes que escolher sem precisar interromper seu trabalho porque elas estarão sempre visíveis. E se uma das manchetes despertar seu interesse, pode clicar sobre ela e seu programa navegador se abrirá já exibindo o artigo”.
Mas onde conseguir “gadgets”? Bem, o próprio CD de instalação de Vista traz alguns deles, que são incluídos na instalação padrão (e já veremos onde obter mais). Para adicionar um deles à Sidebar basta clicar no sinal de adição situado no topo da própria Sidebar para abrir a “Galeria de gadgets”, uma janela com um conjunto de mini-aplicativos que podem ser adicionados à Sidebar simplesmente arrastando-os da galeria e soltando-os na barra ou executando um duplo clique sobre ele.
Gadgets podem permanecer aderidos à Sidebar ou podem ser arrastados para a Área de Trabalho do Vista. Sua funcionalidade permanece inalterada independentemente da localização. E, esteja sobre a barra ou na Área de Trabalho, quando se pousa o cursor do mouse sobre ele aparecem dois botões à sua direita. Um deles remove o gadget (tanto da Sidebar quanto da Área de Trabalho; se você se arrepender, volte á Galeria e arraste-o novamente para o local desejado). O outro abre uma janela de configuração cujos ajustes, naturalmente, dependem do gadget. E é tudo. O gadget não pode ser redimensionado, maximizado, minimizado ou usado em janelas: é para ser usado no próprio local, como é fornecido (se bem que, ao se mover um gadget da Sidebar para a Área de trabalho suas dimensões aumentam e, em alguns casos, como no da calculadora fornecida com o “build 5381”, aparecem novas funções).

Figura 2

A galeria de gadgets fornecida com este “build” de Vista inclui menos de uma dúzia de utilitários, que vão desde uma calculadora simples até um conversor de cotações de moedas e a velha conhecida cesta de lixo (“Recycle Bin”). Mas na própria galeria há um atalho (“link”) para a página “Microsoft Gadgets”, da Microsoft, onde há dezenas de novos gadgets disponíveis (infelizmente, no momento, a maioria deles foi desenvolvida para o “Windows Live”, que também usa este tipo de mini-aplicativos, e não são compatíveis com a Sidebar do Vista; mas sempre é bom lembrar que o Vista ainda não foi lançado e quando for, o número de gadgets disponíveis para sua Sidebar aumentará rapidamente).
A própria Sidebar pode ser personalizada. Ela pode ser fechada clicando-se com o botão direito do mouse sobre ela e acionando a opção “Exit” de seu menu de contexto. Além disso, pode-se escolher em qual das laterais da tela será ancorada e pode ser ajustada para ser carregada durante a inicialização de Windows (e se não for, pode ser carregada a qualquer momento clicando-se na entrada “Windows Sidebar” da opção “Acessories” de “All Programs”) ou desaparecer quando não em uso (para fazê-la reaparecer basta clicar sobre seu ícone na “Área de notificação” que aparece à direita da barra de tarefas). Pode-se permitir que outras janelas se superponham a ela ou forçar que ela permaneça sempre em primeiro plano e, quando se usa mais de um monitor, pode-se escolher em qual deles ela será exibida (o curioso é que a maioria destes ajustes devem ser feitos na janela “Propriedades” da Sidebar, já que ela não aceita simplesmente ser arrastada com o mouse).
Pois é isso. Aí está a descrição e o funcionamento da Sidebar de Windows Vista. Resta uma questão crucial: ela presta para alguma coisa ou é só mais uma, digamos, “refrescância” da interface gráfica da futura versão de Windows?
A resposta, como a da maior parte das perguntas deste tipo, é “depende”. E depende de diversos fatores. Por exemplo: um dos gadgets interessantes é o “Notes”. Ele permite fazer anotações curtas e rápidas e mantê-las sempre à mão, como esses bloquinhos de rascunho que se costuma manter sobre a mesa de trabalho. Para mim o Notes é muito útil e acho conveniente usa-lo. A calculadora também me parece muito prática (e, no sítio da MS, há outros modelos capazes inclusive de efetuar o tipo de cálculo avançado das calculadoras “científicas”). E para quem gosta de se manter informado, o Web Feeds também pode ser útil. Sem falar nas possibilidades quase infinitas dos futuros gadgets que certamente surgirão (na página “Microsoft Gadgets” há de tudo, desde joguinhos como o PacMan e Space Invaders até informações sobre o clima e as condições de trânsito de algumas cidades americanas e uma coleção de centenas de outras pequenas inutilidades). Portanto a Sidebar pode, sim, ser interessante.
Por outro lado, ao contrário de uma pequena barra de ferramentas, a Sidebar ocupa uma fração considerável da superfície útil da Área de Trabalho. É claro que pode-se sempre ajustá-la de tal forma que seja encoberta por outras janelas. Mas, neste caso, ela perde muito de sua utilidade.
Portanto, usar ou não a Sidebar será sempre uma questão de escolha pessoal. Quem achar que sua utilidade compensa a perda de espaço na Área de Trabalho poderá tirar um bom proveito dela. Já quem gosta de ocupar toda a Área de Trabalho com os aplicativos há de preferir mantê-la oculta ou nem ao menos carregá-la.

Figura 3

Há, no entanto, um caso no qual me parece que as facilidades trazidas pela Sidebar compensam de longe a redução do espaço disponível da Área de Trabalho: quando se trabalha com dois monitores colaterais e se estende a área de trabalho para ambos. Neste caso, manter a Sidebar ancorada na lateral direita do monitor secundário põe todas as suas facilidades à disposição do usuário enquanto permite que ele trabalhe com o aplicativo principal em tela cheia no monitor primário.
Veja, na figura (é uma foto, não uma captura de tela, portanto sejam complacentes com este fotógrafo rastaqüera que fotografa ainda pior do que escreve) como fica esta configuração (e aproveite para reparar no monitor da direita o efeito de transparência que a interface “Aero” aplica nas janelas).
Assim dá gosto trabalhar..
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B. Piropo


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