Escritos
B. Piropo
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< Coluna em ForumPCs >
Volte de onde veio
04/02/2008
< Hábitos de trabalho II >

Na coluna anterior tentei compartilhar com os leitores alguns dos hábitos de trabalho que adquiri ao longo de duas décadas de uso diário do computador e que, a meu juízo, têm facilitado bastante minha vida de usuário. A julgar pelo número de visitantes e de comentários, o assunto agradou. Então, vamos adiante.

Mas antes, uma ressalva. Além do uso de dois monitores, à cuja discussão eu já dedicara toda uma série de colunas, a anterior abordou praticamente apenas teclado e mause. Portanto os custos envolvidos eram relativamente pequenos. Um mause de cinco botões de boa qualidade não é muito mais caro que um convencional também de boa qualidade. Assim como um bom teclado ergonômico não custa muito mais que um bom teclado convencional. Mas hoje vamos falar de hábitos cujo objetivo é manter dados em segurança sem ter muito trabalho com isto. E estes hábitos envolvem a instalação de um (ou mais) discos rígidos adicionais. E, mesmo com a espantosa queda que os custos unitários (R$/MB armazenado) dos discos rígidos experimentaram ultimamente, o custo de uma unidade de porte razoável ainda chega a algumas centenas de reais. Logo, quem desejar seguir os hábitos discutidos adiante, deverá se preparar para desembolsar “algum”.

Antes de fazê-lo, no entanto, convém comparar os custos com os benefícios – que são diferentes para cada usuário. Os objetivos dos hábitos discutidos a seguir serão voltados para a preservação da segurança dos dados. Portanto somente terão real vantagem em adotá-los aqueles cujos dados valem o investimento. 

O primeiro destes hábitos, que venho adotando já há alguns anos, consiste em usar (pelo menos) dois discos rígidos em cada uma de minhas máquinas (na verdade, como se verá adiante, uso quatro; mas vamos passo a passo que chegaremos lá).

A função do primeiro é abrigar a famosa unidade “C:”, aquela que armazena o sistema operacional. Nela, além do sistema, também instalo os programas. Se possível, todos eles. Com seus arquivos executáveis, bibliotecas de ligação dinâmica (Dlls, ou “Dynamic Link Libraries”), arquivos de configurações, de exemplos, o diabo. Tudo aquilo que, por padrão, é gravado no disco ao se instalar um programa fica no primeiro disco rígido, na unidade “C:”. Mas somente isto. Arquivos de dados, nem unzinho para amostra.

Estes vão todos para o segundo disco rígido, que contém a unidade “D:”. Todos os arquivos de dados de todos os programas, inclusive as pastas “Meus Documentos” e equivalentes (“minhas imagens”, “meus vídeos” e todos os meus demais pertences). Assim como aquelas que contêm as mensagens do programa de correio eletrônico, dados dos programas de agenda de endereços, imagens, músicas, fotos, tudo aquilo que minha criatividade permitiu criar e minha avidez permitiu copiar e acumular. Pilhas e pilhas de dados. E só dados.

Pronto. A idéia é essa. E é simples.

Vantagens? Muitas. Para começar, agindo assim, trocar de máquina (ou de sistema operacional na mesma máquina) torna-se uma operação muito mais simples, menos dolorosa e, sobretudo mais segura. Pois o primeiro passo é de uma simplicidade franciscana: remova o disco que contém a unidade “D:”. E quando digo “remova”, quero dizer “remova mesmo”. Fisicamente. De preferência, retire-o do gabinete e até que a instalação seja concluída, guarde-o em um local seguro, fora da máquina, para evitar confusões. E, depois de removido, reinicialize a máquina para verificar se ela de fato dá a partida, garantindo que o disco rígido que nela permaneceu é mesmo o que contém o sistema (sim, porque eu já vi um pobre usuário tentar usar este método simples para proteger seus dados e acabar por deitá-los todos a perder porque removeu os cabos do disco errado tentando isolar a unidade “D:” e reformatou-a pensando que se tratasse da “C:”). E só volte a conectá-lo ao sistema após dar por finda a tarefa (ou seja: depois de instalado o sistema operacional no disco que contém a unidade “C:” da nova máquina – ou da mesma, se o objetivo foi apenas trocar sistema operacional – e instalados os programas).

Fazendo isto você garante que seus dados, aqueles dados preciosos que você vem acumulando anos a fio, estarão absolutamente preservados não importa que tipo de cangancha você, seus prepostos ou animais domésticos façam durante a montagem da nova máquina, formatação do disco de sistema e instalação do sistema e dos programas. E confie nas minhas duas décadas de experiência: canganchas acontecem (em inglês, para quem gosta de anglicismos: “shit happens”).

Duvida? Pois imagine um tipo de desgraça que possa ocorrer em uma ocasião destas, por mais improvável que lhe pareça. Algo aparentemente impossível, que exija a conjunção de todas as forças do mal. Como por exemplo: o gato da dona do computador aproveitar uma curta ausência dela da sala em que você está inicializando a máquina pela primeira vez após reinstalar o sistema operacional para arrancar o cabo de alimentação em um pulo mal calculado, não apenas deitando a perder o conteúdo do disco como também o danificando irremediavelmente devido à interrupção do fornecimento da energia no meio de uma operação crítica. Pense no que você dirá quando ela regressar dentro de alguns minutos. Imagine o olhar desconfiadíssimo que irá receber, o tipo do olhar incrédulo que se dirige a alguém que parece, além de incompetente, mentiroso e ainda por cima calhorda por tentar empurrar a culpa do malfeito para o pobre animal, que nessa altura do campeonato estará inocentemente lambendo as patas e lançando para a dona aquele olhar meigo que só os gatos maquiavélicos sabem lançar quando aprontam canganchas. Impossível? Pois < http://www.bpiropo.com.br/tz940829.htm > já aconteceu, acredite (a narração é alegórica mas os nobres personagens envolvidos, embora com nome fictícios, são reais e o fato é rigorosamente verdadeiro).

Mas há mais vantagens. Precisa fazer (ou mandar o micro para alguém fazer) manutenção? Remova ou desligue (desconecte os cabos do) disco rígido que contém os dados. E, finalmente, a mais prática de todas: faça cópias de segurança separadas. Assim, você pode se dar ao luxo de fazer as do disco que contém o sistema e programas com menor freqüência que as do disco que contém dados. Afinal, programas sempre podem ser reinstalados do zero. Dados, depois de perdidos, só resta chorar.

Seja lá por que prisma a questão for encarada, separar dados de sistema operacional e programas é sempre uma boa idéia. Evidentemente algo parecido poderia ser feito apenas subdividindo o único disco rígido em duas partições que abrigassem independentemente as unidades “C:” e “D:”, o que seria de alguma ajuda. Mas não preservaria os dados em caso de dano físico no disco rígido. 

E já que falamos em discos rígidos e preservação da segurança de dados, não há como deixar de falar em uma daquelas coisas que todo o mundo sabe que existe mas ninguém jamais viu.

Consta que são quatro: cabeça de bacalhau, enterro de anão, filhote de pombo e filho de prostituta chamado “Júnior”. Mas eu, sem medo, agrego uma quinta: cópia de segurança feita com regularidade em micro doméstico.

A dificuldade em ver as quatro primeiras me absterei de comentar. Porque é justamente a da quinta que mais me espanta.

Por mais que se fale da importância de fazer cópias de segurança regularmente dos discos rígidos (e, para quem usa dois, dedicando um deles apenas aos dados, pelo menos deste último), não canso de me impressionar com o imenso número de usuários que acha que perda de dados é como certas doenças de caráter maligno: só acontece com os outros. E depois reclamam da “falta de sorte” quando o disco rígido passa desta para melhor levando com ele todos os dados que continha, por vezes representando anos de trabalho. Isto inclui teses de mestrados (sei de diversas que tiveram que ser refeitas quase inteiramente), documentos, fotos de imenso valor estimativo, o diabo.

A única razão que encontrei para justificar comportamento tão bizarro, além da inacreditável e injustificada confiança depositada em um dispositivo que consiste de placas que giram milhares de vezes por minuto a uma distância menor que a espessura de um fio de cabelo de uma cabeça magnética metálica que, caso encoste em sua superfície, causará danos irrecuperáveis, é o trabalho que dá fazer as tais cópias de segurança. Porque, mesmo usando gravadores de DVD e programas especializados e desenvolvidos para facilitar a tarefa, fazer cópia de segurança dá um trabalho desgraçado. E dá mesmo.

Pois bem: gastando alguma grana eu reduzi este trabalho a praticamente zero.

A “alguma grana” a que me refiro não é desprezível. Correspondeu ao investimento necessário à compra de um disco rígido adicional com capacidade igual à soma das capacidades das duas unidades instaladas na máquina.

Instalei-o no gabinete do micro. Para evitar que qualquer coisa seja gravada nele que não os arquivos correspondentes às cópias de segurança, usei para sua unidade o designador “X:” e batizei-o de “COPIA_SEG”. Fiquei, então, com três discos rígidos físicos no interior do gabinete, cada um contendo uma unidade lógica: “C:” (SIST_PROGS), “D:” (DADOS) e “X:” (COPIA_SEG).

Em seguida, ajustei o programa que uso para cópias de segurança (no meu caso, o que vem fornecido juntamente com Windows Vista, mas qualquer programa de terceiros permite isso) para criar, diariamente, cópias de segurança incrementais (ou seja, apenas do que foi criado ou modificado naquele dia) dos arquivos das unidades “C:” e “D:” e armazená-las na unidade “X:”. O ajuste foi feito de modo que as cópias sejam feitas automaticamente durante a madrugada, quando não costumo usar o micro mas o deixo ligado.

Além disso, uma vez por semana, em cada segunda-feira, sempre de madrugada, o programa cria uma cópia de segurança completa das duas unidades “C:” e “D:” e também a armazena na unidade “X:”.

Desta forma, com um investimento de menos de R$ 500 (um disco rígido SATA de 500 GB, que pode ser de baixo desempenho porque será usado apenas para as cópias de segurança), mantenho rigorosamente à salvo meus dados, programas, configurações e tudo o mais que meus discos rígidos possam conter sem precisar mexer um dedo. O sistema faz tudo isto para mim sozinho e automaticamente. Se a pior das desgraças acontecer, ou seja, se o disco rígido que uso para armazenar meus dados falecer de morte natural, perco apenas os dados gravados no dia do infausto acontecimento (os demais estão na cópia incremental feita diariamente durante a madrugada na unidade “X:”).

Muita grana? Depende. Porque meus dados, que incluem quase vinte anos de colunas e artigos publicados regularmente em diversos veículos de comunicação, os originais de três livros também publicados nesse período além de centenas de projetos de engenharia desenvolvidos ao longo de mais de quarenta anos de profissão, garanto, valem bem mais que quinhentas pratas. Pelo menos para mim, é claro...

Mas se os dados estão seguros na unidade “X:”, então para que ainda mais um disco rígido?

Bem, é que a unidade “X:” não resolve, por exemplo, o problema de uma infecção por vírus ou qualquer outro programa mal intencionado que, apesar das precauções de praxe, como usar antivírus eficaz e atualizado e coisas que tais, venha a se instalar sorrateiramente em minha máquina e corromper irremediavelmente todos os meus discos rígidos. Afinal, mantendo a cópia de segurança conectada, no interior da máquina e ao alcance do sistema operacional, uma desgraça destas, por improvável que seja, sempre pode acontecer.

E, se pode acontecer, há que se prevenir contra ela.

É aí que entra o outro disco rígido.

A idéia é simples: inseri-lo em um destes invólucros para discos rígidos externos que são conectados a uma porta USB do micro (veja Figura 1) e usá-lo apenas para criação de cópias de segurança com regularidade (embora não tão freqüentes quanto as demais), deixando-o desligado o restante do tempo. E, se os dados forem realmente valiosos, seguir à risca o que recomendam as regras de segurança mais rígidas: enquanto não estão sendo usados para efetuar as cópias, mantê-los desconectados e guardados ou em prédio diferente daquele onde está instalado o micro ou em cofre à prova de fogo.

Figura 1: Invólucro para disco rígido externo.

Embora o parágrafo anterior possa levá-lo a suspeitar do contrário (quem sabe com razão...), eu (presumo que) não sou paranóico nem estou brincando. As normas de segurança recomendam fazer isto porque é a única forma efetivamente segura de preservar os dados no caso de uma catástrofe tipo incêndio, desabamento ou inundação que possa vir a destruir fisicamente ou inutilizar o computador e os discos rígidos usados para armazenar as cópias de segurança. Para ser franco, só conheço uma oportunidade em que esta estratégia falhou. Foi no caso de uma grande empresa corretora de valores instalada em uma das torres gêmeas de Nova Iorque que perdeu todos os seus dados quando a torre que abrigava seus escritórios veio abaixo seguida do desabamento da segunda torre, onde estavam guardadas as cópias de segurança (eu não disse que “shit happens”?).

Como falo aqui de meus hábitos pessoais, é meu dever informar que não vou tão longe. Uso, sim, discos rígidos externos para armazenar cópias de segurança adicionais (dois, porque tenho duas máquinas). Mas não gastei muito para isto. Os invólucros, com sua fonte de alimentação e dispositivos eletrônicos que o adaptam a uma porta USB, custaram menos de quarenta dólares americanos por unidade (foram comprados no exterior). E os discos rígidos nada custaram: são velhos discos PATA (ou, como eram conhecidos antigamente, discos IDE) que permaneceram em meu poder depois que foram substituídos por outros, SATA, de maior capacidade e melhor desempenho. Toda a parafernália me fez desembolsar cerca de cento e cinqüenta reais, custo dos dois invólucros de discos externos. O que, convenhamos, não é muito se comparado à tranqüilidade que me traz.

Incidentalmente: como são usados como unidades externas, poderiam ser um só no qual eu armazenaria a cópia de segurança de ambas as máquinas, movendo-o de uma para outra. Mas eu não dispunha de um único disco reserva com capacidade suficiente, por isso apelei para os dois que tinha.

Uso-os para, mensalmente, criar neles cópias de segurança tipo “imagem” apenas das unidades “D:”, que armazenam os dados de cada uma das máquinas. Faço isso durante um final de semana, na hora do almoço, enquanto não estou usando as máquinas. Mas os discos externos permanecem ao lado dos respectivos computadores, conectados (porém com sua fonte de alimentação desligada para não correr o risco de contaminação; somente os ligo durante a criação da cópia de segurança). Quanto ao cofre à prova de fogo ou a guardá-los em outro prédio, não vou tão longe. Mas, se contivessem dados como a contabilidade ou a folha de pagamento de uma empresa, sem dúvida eu o faria.

No que toca a discos rígidos, é isso aí. O resto é uma questão de conforto e alguma segurança adicional.

Refiro-me às unidades de fornecimento ininterrupto de energia (“no breaks”).

Há de diversos preços – que variam com a potência da unidade e com a qualidade. Mas, como estas unidades, além de suprir energia no caso da queda da rede elétrica onde o computador está ligado, funcionam também como dispositivo de segurança, já que substituem os populares “estabilizadores”, convém não facilitar. Procure uma unidade de marca conhecida ou, caso contrário, se informe sobre o fabricante. Minha experiência pessoal se resume aos modelos da SMS, AOC e Microsol, que uso há bastante tempo e jamais me deixaram “na mão”.

Já ocorreram falhas de fornecimento de energia neste período (para ser justo com a fornecedora, a maioria delas causadas por sobrecargas em fusíveis ou falhas na instalação elétrica). Nenhum deles causou perda de dados. Por hábito, espero dois ou três minutos pela volta da energia e, quando isto não ocorre, gravo os arquivos abertos, fecho os programas e desligo a máquina. Nunca tive qualquer problema agindo assim.

Uso estas unidades tanto na máquina reserva quando na principal. E, nesta última, para “agüentar o tranco”, apelei para um formidável Solis 1.0 da Microsol, que vem brilhantemente alimentando com energia estável e ininterrupta esta máquina que vos fala.

Pois é isso.

Hábitos, tenho outros, naturalmente. Mas aqueles que julguei importante compartilhar com vocês são os que abordei nestas duas colunas.

Como bem ressaltei na primeira, ninguém é obrigado a seguir o meu exemplo. Mesmo porque as necessidades e aspirações de cada um são diferentes, como diferentes são os tipos de utilização que se dá ao computador. Mas quem sabe o conhecimento de uma forma alternativa de fazer as coisas venha ajudar a alguns de vocês.

Se assim for, valeu a pena. E bom proveito.

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Próxima coluna: Em breve.

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B. Piropo


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