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B. Piropo
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07/12/2009
< Modo XP III: Abrindo >

Nesta altura dos acontecimentos e pelo andar desta série de colunas todos estamos com o Modo XP devidamente instalado em nossas máquinas e ávidos para usá-lo (isto, naturalmente, não passa de figura de retórica; conhecendo como conheço os usuários deste Fórum sei que na verdade todos já estão cansados de usá-lo e somente continuam acompanhando a série para verificarem se não deixaram escapar alguma coisa). Então vamos adiante. Mas antes de prosseguir detalhando instruções de uso, vamos citar algumas fontes de informação sobre o Modo XP (infelizmente, pelo menos por enquanto, apenas em inglês) que podem ajudar um bocado a quem está começando.

A primeira é um documento bastante resumido que pode ser obtido no sítio da MS em formato PDF e traz as informações básicas para quem deseja instalar e usar o programa. Chama-se “Running Windows XP Mode with Windows Virtual PC” e pode ser obtido na página < http://www.microsoft.com/windows/virtual-pc/support/default.aspx > “Windows Virtual PC: Documentation and videos”. E, quando você passar por lá, aproveite a viagem para assistir alguns vídeos (cujos atalhos estão na parte inferior da página). Recomendo particularmente o primeiro, “An Introduction to Windows XP Mode”, que fornece a melhor explicação que já vi sobre as razões que levaram a MS a incluir o Modo XP em algumas edições do Win7 e uma singela demonstração de “como a coisa funciona”. Já para quem gosta de emoções fortes e detalhes técnicos dirigidos àqueles que em vez de comer o mel mastigam a abelha, recomendo enfaticamente o último, “Windows XP Mode IT Pro Series”, dirigido a profissionais da área de Tecnologia da Informação com descrições completas (e, aviso logo, chatíssimas) de procedimentos, inclusive a automatização do processo de criação e inclusão em domínios de máquinas virtuais completas (enfatizando: tanto os vídeos quanto a documentação existem somente em inglês).

A segunda fonte de informações é a FAQ (Frequently Asked Questions), ou relação das perguntas mais freqüentes, sobre o Modo XP. Pode ser encontrada da página da MS < http://www.microsoft.com/windows/virtual-pc/support/faq.aspx > “Support: FAQ” e, de fato, contém respostas para a maioria das perguntas que incomodam os novos usuários. Lá você descobrirá porque, por exemplo, a MS decidiu não incluir o Windows Virtual PC na edição Home Premium do Windows 7 e saberá que não será possível instalar um sistema operacional “de 64 bits” em uma máquina virtual criada no Windows Virtual PC (se tentar, receberá a informação que “aquele tipo de aplicativo não é suportado” logo no início da execução do programa de instalação; a justificativa da MS para isto é que “Windows Virtual PC e Modo Windows XP foram concebidos para auxiliar pequenas empresas com problemas de compatibilidade de seus aplicativos com Windows 7. A maioria das aplicações comerciais de uso corrente rodam em versões de 32 bits de Windows XP”).

Isto posto, vamos ao que interessa.

Se sua máquina virtual do Modo XP foi instalada nos conformes, o menu Todos os Programas agora mostra uma nova entrada: a pasta “Windows Virtual PC”. E, dentro dela, os dois objetos “Windows Virtual PC” e “Windows XP Mode” (veja Figura 1). A pasta serve apenas para conter os objetos. Quanto a estes, o primeiro corresponde ao gerenciador de máquinas virtuais do Windows 7 (que, como sabemos, permite criar outras máquinas virtuais rodando diferentes sistemas operacionais desde que se disponha da licença de uso correspondente) e, o segundo, à nossa máquina virtual Modo XP, fornecida juntamente com o Win7, na qual roda uma cópia de Windows XP Professional com SP3 e cuja licença de uso integra a licença das edições Ultimate, Professional e Enterprise de Win7. Se você instalou o Modo XP conforme o procedimento passo-a-passo descrito na coluna anterior, abra seu menu Todos os Programas e verifique. As entradas deverão estar lá.

Figura 1: Entrada Windows XP Mode do menu Todos os Programas

Tudo nos conformes? Então vamos adiante.

Acesse sua nova máquina clicando na entrada “Windows XP Mode” e veja a janela a ela correspondente abrir-se em sua tela.

O Modo XP não é uma simples implementação de máquina virtual. É muito mais que isso. Ele permite à máquina virtual usufruir praticamente todos os recursos de hardware do computador real. A MS chama isto de “Recursos de Integração” e você pode descobrir mais sobre o assunto na página (desta vez em português) < http://technet.microsoft.com/pt-br/library/ee449432(WS.10).aspx > “Sobre recursos de integração”. Eles também estão disponíveis para quaisquer máquinas virtuais adicionais criadas com o Windows Virtual PC. A diferença é que, no Modo XP, eles são instalados por padrão enquanto nas demais máquinas eles devem ser adicionados clicando na entrada correspondente do menu “Ferramentas” da Máquina Virtual.

Os recursos de integração são um elemento essencial para se desfrutar do Modo XP em toda sua plenitude. Como eu disse, eles são instalados por padrão com o Modo XP. Mas não custa nada verificar: acione o menu “Ferramentas” e veja se há nele alguma menção à instalação dos recursos de integração (não confunda “Instalar” com “Habilitar”; a entrada “Desabilitar recursos de integração” ou “Habilitar recursos de integração”, conforme estes recursos estejam ou não habilitados de acordo com sua configuração, aparece normalmente caso os recursos tenham sido instalados; não é a ela que me refiro, mas à entrada adicional “Instalar Componentes de Integração”). Caso esta entrada apareça, clique nela e aguarde a instalação dos componentes. Se não aparecer (ou seja, se ao abrir o menu Ferramentas de sua máquina virtual aparecer algo semelhante ao que é mostrado na Figura 2), alegre-se: a instalação já foi feita como deveria e tudo está nos conformes. Sua máquina está (quase) pronta para uso.

Figura 2: Entrada “Desabilitar Recursos de Integração”
do Menu “Ferramentas”

Agora que sua nova máquina está disponível, vejamos o que diz a MS sobre ela. Segundo a empresa, ela agrega ao Win7 os seguintes recursos e facilidades:

  • Um novo meio de incorporar uma interface com o usuário intuitiva do Windows Virtual PC diretamente à Área de Trabalho do Windows 7.
  • A possibilidade de ter acesso e usar muitos dos dispositivos USB ligados à máquina “real” a partir do interior do ambiente virtual do Modo XP (não pense que isso é pouca coisa; muito pelo contrário, é quase uma façanha tecnológica);
  • A possibilidade de rodar aplicativos Windows XP diretamente na Área de Trabalho do Windows 7, embora suportados pelo Windows XP da máquina virtual (isso se chama “seamless mode”, voltaremos a falar dele e os mais observadores hão de lembrar que eu já o havia mencionado com profundo respeito e admiração);
  • Compartilhamento da Área de Transferência (“Clipboard”) entre as máquinas virtual e real, permitindo copiar e recortar objetos de uma e colá-los na outra;
  • Compartilhamento de impressoras entre os ambientes real e virtual;
  • Compartilhamento de unidades de armazenamento (inclusive discos rígidos e acionadores de discos óticos) entre ambos os ambientes, o que permite acesso a qualquer arquivo armazenado na máquina real que roda Windows 7 diretamente da máquina virtual em Modo XP;
  • Integração de pastas entre ambos os ambientes.

Ainda segundo a MS (em tradução livre de trecho do documento “Running Windows XP Mode with Windows Virtual PC”): “uma importante consideração a ter em mente sobre a tecnologia de virtualização é o fato de que o usuário tem duas máquinas para gerenciar, a real e a virtual. Todo PC exige certo grau de manutenção que inclui – mas não se limita a – manter atualizados tanto o sistema operacional quanto os aplicativos, com as eventuais correções periódicas (“patches”) aplicadas e protegidos contra programas mal intencionados (“malware”) e vírus. O Modo XP vem pré-configurado para aplicar atualizações automaticamente e com o “Firewall” do Windows XP habilitado. Mas não vem pré-configurado com proteção contra vírus e  programas mal intencionados. E ambos os tipos de programas são recomendados”.

Resumindo: a MS deixa claro que lhe fornece uma máquina adicional e meios de manter seu sistema operacional atualizado automaticamente e um “Firewall” instalado e ativo. E nada mais. O resto é por sua conta. E “o resto” inclui desde a instalação de programas antivírus e outros programas mal intencionados, como cavalos de Tróia e espiões, até tarefas de rotina como a execução de cópias de segurança e o gerenciamento do micro (sem falar, naturalmente, dos aplicativos a serem instalados). Tudo isso fica por sua conta como se fosse o caso (e, sob diversos aspectos, é o caso) de um micro independente.

Uma crença comum, porém equivocada, é que a máquina virtual, por estar “dentro” de uma máquina real devidamente protegida contra vírus e programas mal intencionados em geral, está imune a contaminações. Infelizmente esta noção é equivocada.

Embora estando “uma dentro da outra”, do ponto de vista prático as duas máquinas são absolutamente independentes. Isto traz duas conseqüências. A primeira é que o fato de uma delas estar protegida contra vírus e programas mal intencionados não significa que a outra também estará. A segunda é que o fato de uma delas ter sido contaminada com um vírus não implica necessariamente que a outra também o será (embora não garanta que isso não venha a ocorrer).

Explicando melhor: como a máquina virtual funciona independentemente da real e como ambas compartilham a conexão com a Internet, ambas estão expostas aos riscos que esta conexão implica. Portanto, tanto uma quanto a outra podem ser contaminadas se os devidos cuidados não forem tomados. E nada impede que a máquina representada pelo Modo XP receba um arquivo potencialmente perigoso que, se for nela executado, instalará nela (e apenas nela) um vírus ou programa mal intencionado caso a máquina não esteja devidamente protegida (é claro que o oposto – uma contaminação apenas da máquina real caso esta não esteja protegida – também é perfeitamente possível).

Portanto nada impede que uma das máquina seja contaminada e a outra não.

Por outro lado, no que toca a compartilhamento de recursos e interconexão em rede, a integração entre ambas as máquinas é muito intensa. Isso significa que, como quaisquer sistemas em que máquinas estejam conectadas em rede com alto grau de compartilhamento de recursos, vírus que se aproveitem deste grau de integração para se propagaram entre máquinas em rede podem perfeitamente fazer o mesmo na rede (que funciona como qualquer outra rede) da qual faz parte a máquina virtual do Modo XP. Portanto, embora o fato de a máquina virtual ter sido contaminada não signifique necessariamente que esta contaminação se propagará para a máquina “real” que roda Windows 7, é sempre bom ter em mente que, dependendo do comportamento do vírus ou programa mal intencionado, esta propagação é perfeitamente possível. Na verdade, considerando-se a capacidade de autoreplicação dos modernos programas mal intencionados, a contaminação da segunda máquina chega a ser provável.

Conclusão: instalada a máquina virtual do Modo XP, convém tomar assim que possível as providências devidas para sua proteção. Ou seja: tratá-la como qualquer outra máquina da rede e instalar nela todos os programas de segurança que são rotineiramente instalados nas demais máquinas da rede.

Pois muito bem, agora que nossa máquina está instalada, rodando e protegida, resta configurá-la.

Clique e amplie...

Figura 3: Janela da entrada “Configurações” da máquina virtual

E se você pensa que isso pode ser feito através da entrada “Configurações” do menu “Ferramentas”, aquela mesma mostrada na Figura 2, enganou-se. Pelo menos parcialmente. Repare na Figura 3. Ela mostra a janela que se abre quando se clica naquela entrada. Seu painel esquerdo exibe todos os itens passíveis de configuração e o direito os parâmetros que podem ser configurados em cada um deles. Note que o item selecionado no painel esquerdo é “Memória”. Agora examine detidamente o painel direito. Repare que a caixa de entrada de dados onde, em tese, se poderia entrar com uma nova capacidade de memória primária (RAM) para a máquina virtual está esmaecida (para evitar mal entendidos: desbotada, descolorida). Isto indica que a alteração daquele parâmetro está desabilitada. E, se você reparar, há diversos outros parâmetros que não podem ser alterados nesta mesma janela.

Então para que serve uma entrada “Configurações” em um menu se eu não posso usá-la para alterar as referidas configurações? Ora, para saber como a máquina está configurada. Para alterá-las, é preciso fechar a máquina virtual (descarregá-la da memória da máquina real). O que, afinal, até que faz sentido: alterar algumas configurações (como capacidade de memória) de uma máquina virtual com ela funcionando há de ser equivalente a trocar a roda de uma motocicleta com ela em movimento.

Figura 4: Janela “Desligar” do menu “Ações”

Vamos então estacionar nossa moto. Clique no menu “Ação” e acione a entrada “Fechar”. Vai aparecer uma janela semelhante à da Figura 4. Escolha “Desligar” (e, se preferir, marque a caixa que transforma esta na ação padrão) e clique em OK.

Sua máquina virtual se fechará e agora sim, podemos configurá-la.

Mas configurá-la como, se com a máquina virtual foi-se o menu “Ferramentas” com sua entrada que permitia a configuração?

Mistério besta, como logo veremos, mas que oferece um bom ensejo para fecharmos esta coluna com aquilo que os jornalistas chamam de “gancho”: aguarde a solução na próxima coluna.

Até lá

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Próxima coluna: Em breve.

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