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B. Piropo
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Volte de onde veio
05/04/2010
< As Frescuras do Office 2010 I – Vai de beta? É grátis... >

A primeira versão do pacote de aplicativos Office foi lançada em 1989. Não era exatamente um “pacote” (ou “suite”, como se diz em inglês) de aplicativos como conhecemos hoje, um grupo de diferentes programas que usam a mesma interface e dispõem de todo um conjunto de acessórios em comum, como editor de equações e gráficos. Na época era pouco mais que um recurso mercadológico que juntava três aplicativos, todos desenvolvidos pela MS para a linha Mac: o editor de textos Word, a planilha eletrônica Excel e o gerador de apresentações PowerPoint, que passaram a ser vendidos juntos, ou “no mesmo pacote”. Pouco mais tarde uma versão “Pro” foi comercializada contendo, além dos três programas pioneiros, o banco de dados Access e o gerenciador de compromissos, ou agenda, Schedule Plus. E isto um ano antes do lançamento de Windows 3.0, a primeira versão “usável” de Windows. A versão inicial do MS Office para Windows foi lançada justamente em outubro de 1990 e tomou o nome de Office 1.0.

No começo o produto não chegou a ser um grande sucesso. Mas, ao longo do tempo, na medida em que aumentava a integração dos aplicativos que o formavam entre si mesmos e com o Windows, o número de usuários cresceu significativamente. Hoje, a Microsoft estima o número de usuários em cerca de quinhentos milhões em todo o mundo. Considerando que o produto requer ativação, neste caso as estatísticas não devem estar muito longe da verdade. E meio bilhão de usuários é um número de respeito.

O pacote Office da Microsoft, portanto, é um produto maduro e com uma sólida base de usuários. Mas sua última atualização já tem três anos. Está, portanto, na hora de lançar uma nova versão. E, sabendo disso, a MS anunciou em junho do ano passado que lançaria a versão 2010 em junho deste ano. Distribuiu uma versão limitada para testes, depois postou uma versão beta que poderia ser baixada pelos membros do MSDN (Microsoft Developer Network) e, finalmente, já este ano, liberou a versão beta do produto para o público em geral.

Figura 1: Logotipo do Office 2010

Além de tudo isso, a MS confirmou a data de lançamento. Ou seja: se não ocorrer algum acidente de percurso, dentro de pouco mais de dois meses o produto pronto e acabado estará no mercado. E, para neste ínterim não atrapalhar as vendas da versão 2007, a MS garante que quem comprar em um revendedor autorizado MS uma das versões: Office Home and Student, Office Small Business, Office Professional ou Office Publisher (todas 2007) entre o dia 5 de março e 30 de setembro de 2010 terá direito a uma atualização gratuita para a correspondente versão 2010. Ela chama isto de “garantia de evolução” (eu chamo de esperteza de mercado para não perder vendas) e mais detalhes podem ser obtidos na página correspondente do sítio da empresa.

Mas o que será que a Microsoft aprontou desta vez?

O último lançamento de uma nova versão do Office veio cheio de novidades. Mas nenhuma maior que a “Faixa de Opções” (“Ribbon”, em inglês), uma radical mudança na interface com o usuário. Como de costume, teve gente que gostou, teve gente que não gostou. Mas aqueles que gostaram acabaram se surpreendendo ao descobrir que alguns dos recursos dos aplicativos que, na nova interface, ficavam evidentes na aba correspondente da Faixa de Opção e aos quais agora recorriam com frequência, não eram novos como pensavam, mas já vinham de versões anteriores e eles simplesmente os desconheciam porque ficavam enterrados debaixo de sucessivos níveis de menus. De fato, para quem se acostumou a usar a nova interface, a melhoria no que toca à usabilidade foi tão grande que hoje, dentre os usuários do Office 2007, já há quem ache que daqui a alguns anos os usuários olharão para uma interface baseada em menus com o mesmo espanto e desdém que os que se habituaram a interfaces gráficas olham para a velha interface tipo “linha de comando” (se estiver interessado no assunto consulte a série de colunas deste que vos escreve sobre usabilidade iniciada com a coluna “Usabilidade I: Interfaces gráficas” publicada aqui mesmo há quase exatos três anos).

Considerando tudo isso, não seria lícito esperar que a versão 2010 trouxesse inovações tão radicais. No máximo ela deveria aperfeiçoar a já não tão nova interface fazendo pequenas melhorias aqui e ali (que, de fato, foram feitas) e incluir alguns novos recursos. Tudo isso coisa de pequena monta. Afinal, como já disse, o Office é um produto maduro e com uma sólida base de meio bilhão de usuários e em um negócio destes não se mexe impunemente.

Pois não é que, ainda assim, a MS conseguiu inovar?

É verdade que desta vez as inovações não foram feitas na interface. O que mudou, e mudou bastante, foi a, digamos, “personalidade” do programa. Que, de individualista, como convinha na época em que foi criado e pouco se falava em computação colaborativa, passou a sociável, como cabe melhor nos tempos em que as redes evoluíram até abarcar todo o planeta – e está aí a “World Wide Web” (ou rede de alcance mundial) para não me deixar mentir.

E bota sociável nisso.

Quer ver um exemplo?

Veja o caso de um documento, um maçudo relatório, daqueles redigido por uma equipe. Até a versão Office 2007, quando um membro da equipe “abria” o documento para edição, o acesso de todos os demais ficava bloqueado. Pois com o Word 2010 a coisa é diferente. Se o arquivo estiver armazenado em um servidor que rode o programa “SharePoint” da MS, não somente o documento pode ser aberto concomitantemente em diversos computadores como também pode ser editado simultaneamente em todos eles. E, enquanto isso é feito, o próprio programa se encarrega de avisar aos interessados e sincronizar tudo para que se tenha uma única versão válida.

Mas a sociabilidade do Office vai além.

Como eu disse, o “botão Office” foi-se para sempre – e não fará a menor falta. Em seu lugar há agora uma nova aba, ou “guia”, como prefere a Microsoft, intitulada “File” na versão em inglês (a única beta disponível no momento). Um clique nele, seguido de um clique em sua opção “Share” (“Compartilhar”) leva à tela da figura 2 (sim, esta coluna está sendo digitada no Word da versão beta do Office 2010 que já estou usando há algumas semanas; senão como eu poderia escrever sobre ele?).

Figura 2: Menu “File”, entrada “Share”

Repare nas opções. Você pode enviar seu documento via correio eletrônico de um monte de maneiras diferentes, desde simplesmente anexá-lo a uma mensagem até enviá-lo sob a forma de fax (esta opção não aparece porque está na parte de baixo do menu da direita). Pode gravá-lo no sítio de sua organização compartilhado via o programa “SharePoint” (com o qual o novo Office se integra como uma luva), publicá-lo em um “blog” (todos os principais editores de blogs, inclusive o “Blogger” e o “WordPress”, são suportados diretamente) além de alterar o tipo do arquivo e até mesmo gravá-lo no formato PDF de dentro do próprio Word, sem a necessidade de instalação de qualquer complemento (“add-in”).

Mas você deve ter notado que eu pulei uma entrada, a “Save to SkyDrive”. É que aí está justamente o “pulo do gato”.

SkyDrive é o sítio da Internet onde os portadores de uma identidade de usuário (userID) Windows Live podem armazenar seus arquivos e acessá-los de qualquer ponto do planeta. É, digamos, a “núvem” da Microsoft”.

Eu não vou me dar ao desplante de descrever o Windows Live pois isso seria “chover no molhado”. Vou apenas salientar aquilo que diz respeito ao assunto de hoje: trata-se de um sítio da Internet onde você pode gerenciar seu próprio espaço de armazenamento – de 25 GB – e criar pastas onde pode gravar seus próprios arquivos e, a seu critério, compartilhá-los ou não com quem você desejar ou com o público em geral.

Pois bem: a guia “File” do Word (e de todos os demais aplicativos do Office 2010) lhe dá acesso direto ao SkyDrive e permite que você grave e maneje seus arquivos lá como se fosse em uma unidade de disco de seu próprio computador.

Até aí, nada de mais. Quer dizer: é o tipo da coisa que pode ajudar – e muito – a quem, como eu, usa diferentes computadores em diferentes lugares para trabalhar com os mesmos arquivos.

Então, onde está o “pulo do gato”?

Bem, até agora o SkyDrive é pouco mais que um mero repositório de arquivos compartilháveis. Para editar qualquer dos arquivos lá armazenados é preciso transferir o arquivo de lá para qualquer computador, onde adrede se instalou o programa necessário para abrir o arquivo e efetuar as alterações desejadas.

Pois bem: após o lançamento do Office 2010 isso não mais será necessário. Se você for o feliz detentor de uma conta Windows Live, pode fechar uma conexão com o sítio do SkyDrive e, após entrar com sua identidade de usuário e senha, abrir e editar o arquivo no próprio sítio, usando um dos aplicativos do “Office Web Apps” que roda diretamente em seu programa navegador.

E que diabos vem a ser isso de “Office Web Apps”? Ora, são os mesmos aplicativos do Office 2010. A única diferença é que você não necessitará instalá-los (nem eles nem qualquer complemento) no seu computador. Eles estarão “na nuvem” e basta ter acesso à Internet para usá-los.

E se você está pensando que isso é “mais um golpe da MS para encher a bola do Internet Explorer” (que, de fato, anda meio murcha), ponha a viola no saco: segundo a própria MS, ela está envidando todos os esforços possíveis para que as Office Web Applications funcionem identicamente em qualquer programa navegador, e estão com os olhos voltados principalmente para os mais populares, o que inclui o próprio Internet Explorer, além do Firefox e Safari.

Você também achou curioso que nenhuma menção foi feita ao Chrome? Eu achei. E se você pensa que esse negócio de Office Web Applications tem alguma coisa a ver com o aumento de popularidade das Google Apps, certamente seu desconfiômetro está muito bem calibrado.

Em tempo: no momento em que esta coluna está sendo digitada, primeira quinzena de abril de 2010, embora a versão beta do Office 2010 já esteja disponível e rodando redondinha, as Office Web Apps ainda não estão. Você pode criar um documento em qualquer um dos aplicativos beta instalados em seu micro e gravá-lo em uma pasta do SkyDrive, é verdade. Mas, se tentar abri-lo diretamente no sítio para edição, receberá a mensagem de erro da Figura 3 que significa “Em breve... A edição ainda não está disponível. Mas nós estamos trabalhando para que esteja”. Porém, na ocasião do lançamento oficial do Office 2010, certamente estará.

Figura 3: Tentando editar diretamente no SkyDrive...

Mas, sendo ou não a resposta da MS ao Chrome da Google e seus aplicativos “online”, o MS Office 2010 é um poderoso conjunto de aplicativos.

Cujas novidades vamos tentar explorar a partir da próxima coluna. Até lá.

Ah, sim, você foi atraído pelo título e agora quer sua cópia do pacote legalmente, porém de graça? Pois vá em frente. Se quiser experimentar, a sua pode ser obtida diretamente da página do Office 2010 da própria Microsoft – no momento, apenas em inglês e para quem dispõe de uma conta Windows Live.

Mas quem não dispuser, pode criar uma na hora, gratuitamente, e baixar a versão beta em seguida.

Bom proveito

Próxima coluna: Em breve

Coluna anterior: Dia Mundial da Água II: Cuidado, senão acaba.

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B. Piropo


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