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B. Piropo
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18/10/2010
< A Série Radeon 6800 I: as placas >

 

As duas colunas anteriores versaram sobre controladoras de vídeo. Mais especificamente sobre as chamadas “placas aceleradoras de vídeo”. O objetivo era mostrar que há muito mais coisas entre uma tela de caracteres e a exibição de uma animação tridimensional do que pode imaginar nossa vã filosofia. E, a julgar pelos (poucos, mas bons) comentários, parece que fui bem sucedido.
Mas por que haveria eu, que nunca fui ligado a jogos e similares, subitamente me preocupar com computação gráfica?
Bem, é que estava me preparando para desvendar os detalhes de um extraordinário produto cujo lançamento iria testemunhar mas que não podia revelar publicamente em virtude de um compromisso de não divulgação previamente assinado. Ou seja: eu sabia que iria assistir ao lançamento, sabia do que se tratava e, por mais que me coçasse a língua (quer dizer, os dedos), estava impedido de contar para os leitores. A solução foi fornecer elementos que lhes permitissem julgar a importância do lançamento discutindo antes os aspectos teóricos do assunto.
Hoje, já posso revelar que se tratava da primeira apresentação pública – mais especificamente para a imprensa especializada mundial – da Série HD 6800 das aceleradoras gráficas tridimensionais Radeon da AMD (vocês verão, adiante, na base de alguns slides apresentados nas figuras, a menção de que se trata de material confidencial da AMD e que, para vê-los, é necessário um acordo de não divulgação – ou NDA, de “Non Disclosure Agreement”; pois bem, isto valia para a data de apresentação dos slides, mas o compromisso cessou há dois dias e não estou aqui cometendo qualquer indiscrição nem violando a confidencialidade do assunto que já se tornou oficialmente público, apenas noticiando o evento em primeira mão).
O lançamento ocorreu no dia 14 deste mês (outubro/2010) com a devida pompa e circunstância na cidade de Los Angeles, Califórnia, EUA, e teve direito não apenas a palestras e apresentações dos principais executivos da AMD e alguns de seus parceiros como também a demonstrações do que se pode conseguir utilizando estas placas em um sistema suficientemente poderoso para suportá-las. E, meninos, tenho que admitir: é impressionante...
A série Radeon HD 6800 é composta de duas placas bastante similares, a HD 6850 e a HD 6870. Esta última, mais poderosa, consome sozinha até 151 Watts, portanto se você pretende usá-la, verifique a potência efetiva da fonte de alimentação de sua máquina (a 6850 não fica muito atrás com seu consumo máximo de 127 Watts, logo é bom tomar os mesmos cuidados; estou batucando estas mal traçadas diante de um monitor cuja imagem é gerada por uma novíssima HD 6870, mas para isto tive que trocar a fonte). As demais diferenças correm por conta da frequência de operação da UGP (775 MHz e 900 MHz, respectivamente), da taxa de transferência da memória de vídeo (4,0 Gb/s e 4,2 Gb/s, respectivamente, ambas através de um barramento de 256 linhas) e, naturalmente, da capacidade de processamento: 2 TFLOPS da HD 6870 contra “apenas” 1,5 da HD 6850 (o acrônimo “TFLOPS” significa “Tera FLOPS”, e FLOPS, por sua vez, quer dizer “FLoating point Operations Per Second” ou, em tradução livre, “operações em valores decimais por segundo”; simplificando: a HD 6870 é capaz de executar dois trilhões destas operações a cada segundo).
Evidentemente, apesar das diferenças, tanto uma quanto a outra são soberbos exemplos de aplicação da tecnologia moderna de computação gráfica.


Figura 1: LA Exchange

Uma curiosidade: a cerimônia de lançamento foi feita em uma casa de espetáculos, o que nada tem de extraordinário. Extraordinário – ou, pelo menos, curioso – é que a casa de espetáculos, chamada < http://www.exchangela.com/ > LA Exchange (“exchange”, de “stock exchange”, é o temo em inglês utilizado pelos americanos para designar suas bolsas de valores), está instalada em um prédio, localizado na região central da cidade, onde por décadas funcionou a Bolsa de Valores de Los Angeles e que, com a mudança da instituição para outro local, foi abandonado. Pois bem, o prédio foi reformado e transmutou-se em casa de espetáculos de primeira linha. Eis-me aí na Figura 1, entre um “hermano” argentino, que também cobria o evento, e um dos seguranças da casa, na porta do vetusto prédio cuja construção data de 1930.
Mas vamos ao que interessa...

A evolução da AMD


Figura 2: O lançamento

O evento foi aberto por Rick Bergman, Vice Presidente e Gerente Geral da AMD, que apresentou um resumo das atividades da empresa. Segundo ele, a AMD segue executando seu planejamento mas entende que ainda há muito trabalho a ser feito. Não obstante, está empenhada em cumprir suas metas, o que inclui a liberação em futuro próximo de um processador misto adotando a tecnologia “Fusion” (mais sobre isto adiante) que, segundo Bergman, já é uma realidade.


Figura 3: Rick Bergman em sua apresentação

Bergman seguiu afirmando que a estratégia de lançamento de novos produtos da AMD se baseia em lançar plataformas de topo de linha (como os processadores Opteron 6000 e 4000), diferenciar-se da concorrência desenvolvendo controladoras gráficas de altíssimo desempenho (é líder do mercado de fabricantes de UGPs e prossegue na fabricação de processadores com camada de silício de 40 nm) e insistir no desenvolvimento da tecnologia Fusion (da qual já foram feitas demonstrações em junho na Computex e outros eventos de grande porte e cujo desenvolvimento encontra-se em fase avançada com os primeiros testes de “Llano”, nome de código da versão mais recente, que será utilizada tanto em micros de mesa quanto portáteis).



Figura 4: Matt Skynner no lançamento da HD 6800

Depois foi a vez de Matt Skynner, Gerente Geral da Divisão de UGPs da AMD discorrer sobre a posição da empresa no mercado mundial das controladoras gráficas. Segundo ele a AMD detém 20% do mercado das Américas, 37% do mercado da Europa, Oriente Médio e África, 13% da Ásia (exceto China) e 30% do mercado chinês. Em termos do mercado mundial destas mesmas controladoras gráficas, a linha de tendência mostra que ela brevemente deverá chegar próxima dos 50%. E, como no momento a AMD é a única empresa capaz de fabricar tanto controladoras gráficas integradas à unidade central de processamento (com a tecnologia Fusion que discutiremos adiante) quanto unidades gráficas independentes, espera conquistar em 2011 um total de vendas entre quinhentos milhões e seiscentos milhões de unidades.
Skynner prosseguiu informando que ao adotar a tecnologia DirectX 11 na linha Radeon (a maioria dos jogos DirectX 11 foram desenvolvidos para a série Radeon 5000) e as tecnologias EyeFinity (que permite estender a área de trabalho – e o campo de jogo – para até seis monitores e sobre a qual falaremos adiante) e EyeSpeed (que permite a geração de mais de um bilhão de pixels por segundo por uma única controladora) a AMD “mudou as regras do jogo”. E os aficionados aderiram. Como resultado desta adesão a AMD já vendeu mais de 25 milhões de placas controladoras de vídeo independentes, detém 90% do mercado DirectX 11, lançou onze novas controladoras em cinco meses e, com elas, ganhou mais de 150 premiações em todo o mundo.

Figura 5: A Radeon HD 68700

E como, nesta altura dos acontecimentos, a plateia formada exclusivamente por membros da imprensa especializada internacional já se mostrava inquieta por não se haver mencionado ainda a série HD 6800, Skynner comentou que “hoje o melhor tornou-se ainda melhor” (veja Figura 5) e fechou sua apresentação, passando a palavra a quem iria abordar justamente o tema mais aguardado.

As Radeon HD 6800.
E foi então que entrou David Cummings, Gerente de Produto da Divisão de UGP da AMD, falando sobre o que de fato interessava: a nova série de placas controladoras HD 6800.


Figura 6: David Cummings apresentando a série HD 6800

Cummings começou por explicar que os aperfeiçoamentos apresentados pelas novas placas não são apenas fruto da criatividade e engenhosidade dos técnicos da empresa. A série HD 6800 é do jeito que é porque “os aficionados por jogos nos disseram o que desejam”, enfatizou ele. E desejam gráficos que entusiasmem a visão, que apresentem desempenho de ponta, que se estendam por diversos monitores e que possam ser vistos em sistemas estereográficos tridimensionais.
E a AMD procurou atendê-los. Por isto os objetivos de projeto da série AMD HD 6800 são: aperfeiçoar o desempenho da série anterior (a HD 5800), melhorar as relações desempenho/potência e desempenho/área (do “chip”) e produzir a mais rápida placa aceleradora gráfica abaixo do limite de dissipação de 150 Watts de potência.
Lograram seu objetivo sobretudo aperfeiçoando as placas HD 5800 e acrescentando funcionalidades. E, o que é melhor: incluindo tudo isto em um produto que será comercializado com um preço bastante módico: os preços sugeridos das placas da nova série para o mercado americano são US$ 272 e US$ 221 para a HD 6870 e HD 6850, respectivamente – e já se pode encontrar na Internet sítios respeitáveis (como o Amazon) que as estão oferecendo por preços ainda menores.

Clique apra ampliar...

Figura 7: Evolução da relação desempenho/custo

Os aprimoramentos vão deste uma geração de “texels” mais eficiente (veja < http://blogs.forumpcs.com.br/bpiropo/2010/10/09/aceleradoras-de-video-3d/ > coluna anterior), melhorias na qualidade da imagem, otimização da arquitetura interna e grande melhoria na relação desempenho/custo (veja Figura 7). E um formidável aperfeiçoamento tecnológico que a AMD batizou de “EyeFinity”, um negócio realmente extraordinário. Mas antes de nos determos nele, vejamos algumas das características das placas propriamente ditas.
Começando pelo “jeitão” das brutas. Aí estão elas na Figura 8.


Figura 8: As novas placas Radeon HD 6800

Ambas as placas usam processadores gráficos fabricados em camada de silício de 45 nm. A da esquerda, HD 6870, é a mais poderosa e a de maior consumo de potência, que pode chegar a 151 W e, por isto mesmo, ostenta dois conectores de seis pinos cada, para serem ligados à fonte de alimentação elétrica (que deve oferecê-los, naturalmente; daí a necessidade de uma fonte de grande capacidade efetiva e fabricante confiável – recomendação que vale igualmente para a outra placa). Sua capacidade de computação bate na casa dos 2 TFLOPs, usa um processador de 900 MHz, é capaz de processar 1120 “streams” de dados (stream processing), dispõe de 32 linhas de montagem para “rasterização” de imagens (ROPs, ou “Raster Operation pipelines”) e uma capacidade de memória de vídeo interna (“frame buffer”) que armazena 1 GB com barramento de 256 linhas e capacidade de transferência de 4,2 Gb/s.
A da direita, a HD 6850, não apresenta a mesma capacidade de processamento mas nem por isto deixa de ser uma placa soberba. Sua capacidade de computação alcança nada desprezíveis 1,5 TFLOPs, seu processador opera a 775 MHz, é capaz de processar 960 “streams” de dados e dispõe das mesmas 32 ROPs e capacidade de memória interna de 1 GB com barramento de 256 linhas e capacidade de transferência de 4 Gb/s. Esta redução na capacidade se reflete no menor consumo: apenas 127 W de consumo máximo. E, por isto, é alimentada através de um único conector de seis pinos.
Ambas, como se vê na figura, ostentam cinco conectores de saída de vídeo. Dois no padrão clássico DVI, um no novo padrão HDMI e dois no padrão mini Display Port. Neles, dependendo da configuração, pode-se conectar até seis monitores e estender a área de trabalho de Windows (ou o campo do jogo) para todos eles.
Esta é justamente a tecnologia EyeFinity, sobre a qual falaremos na próxima coluna. Que irá ao ar muito breve, assim que eu conseguir resolver um pequeno problema com cabos e conectores que está me impedindo temporariamente (espero) de estender a área de trabalho para os três monitores que já tenho ligados a esta máquina que vos fala esperando ansiosamente pelo pleno funcionamento da HD 6870.
Até lá.

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B. Piropo

 


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