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B. Piropo
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Volte de onde veio
21/11/2011
< Seasonic 1000-PX: um primor de fonte >

De vez em quando eu recebo produtos para analisar. São sempre bons, naturalmente. Afinal, não há fabricante que deseje submeter a testes de terceiros produtos que possam receber uma análise desfavorável. Portanto, nestes mais de vinte anos durante os quais tenho escrito sobre computadores e seus dispositivos e acessórios, já me acostumei a analisar bons produtos.

Pois bem, em todo este tempo jamais recebi uma peça de hardware tão soberba quando a fonte Seasonic Platinum P-1000XP 80 Plus que será adiante analisada. É uma verdadeira joia. E vem embalada como tal: veja, na Figura 1, a fonte em sua elegante bolsa de veludo.

Figura 1: Embalagem da P-1000XP 80 Plus

A Seasonic é uma tradicional fabricante de fontes de alimentação e sua série Platinum inclui as fontes mais avançadas de sua linha de produtos. A P-1000PX, com seus mil Watts de potência efetiva real e comprovada por testes realizados por instituição independente (na verdade os testes indicaram um fornecimento aferido de 1.010,78 W, como se verá adiante), representa o ápice desta linha e não apenas exibe algumas características avançadíssimas como se mostrou um produto extremamente bem cuidado em todos os detalhes, do acabamento e embalagem até a robustez e qualidade. Porém, para quem pretende instalá-la em uma máquina de alto desempenho, seguramente o ponto de maior interesse é sua certificação 80 Plus Platinum.
Vamos ver do que se trata.

A iniciativa 80 Plus

Em princípio uma fonte de alimentação de um computador de mesa deveria ser uma coisa simples: ela recebe energia elétrica da rede pública sob a forma de corrente alternada em tensões de 117 V ou 230 V, “retifica” esta corrente (ou seja, a converte em corrente contínua), reduz sua tensão para 12 V, 5 V e 3,3 V (usadas para alimentar os diversos componentes da placa-mãe e alguns periféricos como discos rígidos, conectores USB e coisas que tais) e distribui a energia através de um conjunto de cabos. Em tese, é só isto.

Mas nada na vida é tão simples. As tensões de corrente contínua distribuídas para os componentes não podem variar em função de eventuais oscilações da tensão de alimentação externa, ou seja, a fonte deve ser estabilizada, o que não é tão simples como parece. O processo de retificação e estabilização da corrente consome certa potência e dissipa calor, o que exige a instalação de uma ventoinha para impedir a elevação da temperatura interna. Em suma: há um mundo de complicações e problemas que precisam ser contornados, dos quais um dos mais importantes é o parâmetro denominado “eficiência” da fonte.

A eficiência da fonte é o quociente entre a potência elétrica por ela fornecida e a potência por ela consumida.

Em um mundo perfeito o valor deste parâmetro seria igual à unidade, ou seja, a eficiência seria de 100% pois a fonte forneceria toda a energia que consome, já que sua função é apenas converter corrente alternada em corrente contínua estabilizada de menor tensão. Mas, como dito acima, estes processos de conversão e estabilização consomem potência. Portanto, boa parte da energia recebida da rede pública pela fonte é consumida na própria fonte.

Fontes comuns apresentam uma eficiência na faixa de 0,6 a 0,75 (ou 60% a 75%). Como a potência nominal de uma fonte é a que ela fornece e não a que ela recebe, uma fonte destinada a suprir uma demanda de potência de 500 W com eficiência de 60% drena da rede pública uma potência total de 830 W (pois 830/500 = 0,6). E há uma agravante: a eficiência varia com a carga. Fontes de alimentação costumam ser mais eficientes quando fornecem potência situada entre a metade e os três quartos da nominal. Ou seja: a eficiência cai significativamente quando a fonte fornece uma carga muito baixa ou muito alta.

Baixas eficiências energéticas não são desejáveis. Primeiro, porque desperdiçam energia e as fontes mundiais de energia estão cada vez mais escassas. Depois, porque se paga pelo desperdício, já que na conta de luz será cobrado o consumo correspondente à potência consumida pela fonte, não a por ela fornecida (no exemplo, 830 W em vez de 500 W).

Acontece que aumentar a eficiência de uma fonte não é simples. E se algo não fosse feito para incentivar os fabricantes, eles continuariam a fabricar fontes menos eficientes, mais simples e mais baratas. Afinal, quem paga pela baixa eficiência não é quem fabrica a fonte, é quem a usa. Era, portanto, necessário despertar o interesse dos fabricantes para fornecerem fontes mais eficientes.

Então, em 2004, foi apresentada no congresso do ACEEE (American Council for an Energy-Efficient Economy ou Conselho Americano para uma economia energeticamente eficiente) a proposta de levar este conceito para as fontes de alimentação de computadores. A iniciativa denominou-se “80 Plus” e tinha como objetivo incentivar a fabricação de fontes energeticamente mais eficientes.

A primeira fonte posta no mercado satisfazendo os padrões 80 Plus foi fabricada justamente pela Seasonic em 2005, que com isto tornou-se pioneira. Mas hoje diversos fabricantes oferecem fontes 80 Plus em suas diferentes categorias.

Isto porque a iniciativa não somente estabeleceu um padrão mínimo para a eficiência como também considerou que, acima deste padrão mínimo, existe uma gradação. Além disto, para as fontes de grau superior, considerou ainda que a eficiência varia em função da potência drenada. A figura 2, obtida do < http://en.wikipedia.org/wiki/80_PLUS > verbete “80 Plus” da Wikipédia, mostra as eficiências mínimas exigidas pelo padrão 80 Plus para as fontes de alimentação internas “não redundantes” alimentadas com 115V (as “redundantes” são sempre alimentadas com 230 V e destinadas a servidores usados em “data centers”, não a computadores de mesa).

Figura 2: Limites do padrão 80 Plus

Como se vê, para merecer a classificação 80 Plus a fonte deve oferecer um rendimento de no mínimo 80% tanto quando oferece 20% da potência nominal quanto quando fornece 50% e 100% desta potência. Mas as exigências sobem à medida que sobe a classificação. Pois, como mostra a figura, para merecer a classificação 80 Plus Platinum, a fonte precisa garantir no mínimo 90% de eficiência ao oferecer 20% de sua potência nominal, 92% ou mais de eficiência ao oferecer 50% desta potência nominal e 89% ou mais de eficiência ao oferecer 100% da potência nominal. Estes valores, por solicitação do fabricante da fonte, devem ser medidos e publicados por uma instituição credenciada independente.

Figura 3: gráfico do resultado dos testes da Seasonic P-1000XP

A Plug Load Solutions é uma destas instituições certificadoras, que publicou o relatório do teste da Seasonic P-1000XP na página < http://www.plugloadsolutions.com/psu_reports/SEA%20SONIC%20ELECTRONICS%20CO.,%20LTD._SS-1000XP_ECOS%202401_1000W_Report.pdf > “80 PLUS Verification and Testing Report”. Segundo os testes a Seasonic Platinum 80 Plus, drenando 20% de sua carga nominal, mostrou eficiência de 91,51%, enquanto drenando 50% da carga nominal apresentou eficiência de 92,54% e, ao fornecer impressionantes 1.010,78 W, ligeiramente acima de seus mil Watts nominais, exibiu eficiência de 89,69%. A Figura 3 mostra estes resultados, que excedem o mínimo estabelecido para a categoria Platinum, o mais elevado da certificação 80 Plus.
Em resumo: quem usa uma Seasonic Platinum 1000-XP 81 Plus não apenas tem garantida uma potência superior a mil Watts como também jamais desperdiça mais de 10% da energia que consome.

Painel Modular e Controle Híbrido

Além da certificação 80 Plus Platinum, a fonte apresenta funções avançadas dignas de nota. A primeira delas é o “Hybrid Silent Fan Control” (Controle de ventoinha híbrido silencioso).

Figura 4: Comutador do “Hybrid Silent Fan Control”

Expliquemos do que se trata. Veja a Figura 4. Ao remover a fonte de sua embalagem, um dos pontos que chamam a atenção é o rótulo azul aderido à sua face posterior, junto ao painel de conectores. Como mostra a Figura, ele circunda um comutador com duas posições: “Hybrid” e “Normal”. Sua função é, na posição “Hybrid”, habilitar o controle de ventoinha híbrido silencioso.

Com este controle habilitado a fonte passa a subordinar o funcionamento da ventoinha à carga utilizada, conforme mostra o gráfico da Figura 5. Sempre que for drenada uma carga situada abaixo dos 30% da potência nominal, a ventoinha é mantida desligada. Quando este limiar for atingido, a ventoinha é acionada em velocidade reduzida para inibir a produção de ruído e assim se mantém até que a fonte seja solicitada a fornecer 50% ou mais de sua potência nominal, ou seja, no caso da P-1000PX, mais de 500 W. A partir deste ponto, como mostra o gráfico, a ventoinha vai paulatinamente acelerando, sempre mantendo uma velocidade rotacional proporcional à potência fornecida.

Figura 6: Gráfico da função “Hybrid Silent Fan Control”

Se você é absolutamente fanático por silêncio e se o menor ruído o incomoda, habilite a função. Eu, confesso, não a habilitei. Isto porque a ventoinha da fonte é uma Sanyo Denki San Ace de 120mm montada sobre rolamentos de esfera. Mesmo em sua mais alta velocidade de rotação é difícil ouvi-la. E, para ser franco, este tipo de ruído não costuma me incomodar. Mas a função está disponível para quem desejar usá-la.

Figura 6: Painel traseiro (conectores)

Outro ponto que, além de chamar atenção, é de extrema utilidade é o painel modular de conectores para cabos. Ele ocupa praticamente toda a face traseira da fonte e é mostrado na Figura 6, ainda parcialmente recoberto com o adesivo do controle da ventoinha. Esta concepção faz com que a fonte seja fornecida sem um único cabo dela pendente, o que permite encaixar única e exclusivamente aqueles que são necessários ao funcionamento da máquina.

Um acabamento primoroso

A fonte Seasonic Platinum P-1000XP 80 Plus é fornecida juntamente com seu conjunto de cabos em uma bolsa plástica avulsa, mostrada na Figura 7, onde se pode guardar para eventual uso futuro os cabos que não foram usados na montagem inicial.

Figura 7: Fonte e bolsa com cabos

Como se vê na figura 6 do item anterior, nenhum cabo vem pré-fixado na fonte, nem mesmo os que alimentam a placa-mãe. Todo o conjunto é modular, permitindo conectar apenas os cabos necessários para alimentar os dispositivos e periféricos efetivamente existentes no interior do gabinete. Uma ideia simples, porém positiva. Pois ela acaba com aquele festival de cabos enrolados no interior do gabinete que não somente atrapalham a manutenção e instalação de novos dispositivos como também, e sobretudo, funcionam como empecilho ao livre fluxo de ar no interior do gabinete, dificultando a dissipação do calor.

Mas antes de descrever o conjunto de cabos fornecidos com a fonte, vale um comentário sobre seu acabamento e algumas funções somente encontradas em fontes de qualidade superior.

O acabamento, como já mencionado, é primoroso. Todas as partes são sólidas e bem acabadas, feitas com material termicamente resistente (os capacitores, japoneses, obedecem aos padrões da categoria A, que estabelece uma resistência a temperaturas de até 105º C).

Os terminais dos contatos elétricos são folheados a ouro para resistir à corrosão e as placas de circuito impresso são todas de dupla-face.

O sistema de conexão e abaixamento de tensão de corrente contínua de 12V para 5V e 3,3V (DC to DC Converter) traz integrado um módulo VRM (Voltage Regulator Module) que garante uma conversão quase perfeita, otimizando a eficiência e reduzindo as perdas de corrente e impedância. Estes módulos garantem uma oscilação na tensão fornecida menor que 2% do valor nominal.

Além disto, a P-1000PX é capaz de suprir tensão de 12 V através de uma única a linha (“rail”) dimensionada para transportar uma corrente de 83 Amperes, o que garante um fornecimento de até 996W de potência apenas nesta linha. Isto concede à fonte a capacidade de suportar mais de um processador gráfico de alto desempenho na mesma máquina.

Com tudo isto, não é de estranhar que a fabricante demonstre confiança suficiente na qualidade de seu produto para oferecer sete anos de garantia. Um exagero, naturalmente, pois seja lá qual for a máquina em que for instalada, certamente estará obsoleta antes disto. O que parece significar que a Seasonic Platinum 80 Plus foi concebida para equipar mais de uma máquina no decurso dos anos...

Cabos e conectores

Aí está, na Figura 8, o conjunto de cabos fornecidos com a Seasonic Platinum P-1000XP 80 Plus.

Figura 8: Conjunto de cabos.

Já a Figura 9 mostra o esquema de conectores a serem ligados aos dispositivos alimentados com a fonte, assim como a quantidade de cabos fornecidas com cada modelo (a Seasonic Platinum 80 Plus é fornecida em dois modelos, o de 1.000 W aqui analisado e o de 860 W; os conectores fornecidos com a fonte de 1.000W estão listados na linha inferior).

Figura 9: Conectores disponíveis nas fontes Seasonic Platinum 80 Plus

Como se vê, à esquerda, se destaca o cabo de 20+4 conectores que fornece a alimentação principal da placa-mãe. Na fonte, ele se encaixa nos dois terminais marcados com “M/B” e “CPU” que aparecem em baixo e à esquerda na Figura 6.

Além dele, são fornecidos dois cabos aderentes ao padrão EPS12V, também para alimentação de placas-mãe, no caso as que suportam os novos processadores multinucleares. Um dos conectores (na figura, o da esquerda) é subdividido em dois submódulos de quatro pinos cada, este último para assegurar compatibilidade com as fontes de alimentação que aderem ao fator de forma ATX original. 

Além destes, são fornecidos cabos para alimentar todo tipo de periférico.

Por exemplo: apenas para alimentar dispositivos PCI-E são fornecidos seis cabos com conectores de oito pinos (dos quais, se necessário, pode-se usar apenas seis), usados para alimentar múltiplas controladoras de vídeo de alto consumo.

Além deles, são fornecidos ainda três cabos com conectores padrão IDE, dois deles com três conectores e um terceiro com apenas dois, o que permite ligar até onze dispositivos IDE à fonte. Note que na Figura 9 consta apenas a possibilidade de ligar 8 dispositivos IDE (lá indicados apenas como “Pheripheral”), mas o pacote vem com cabos que suportam até 11.

O mesmo ocorre com os conectores de alimentação de dispositivos padrão SATA: a fonte é fornecida com quatro cabos de alimentação, três deles suportando três dispositivos cada e um, adicional, suportando apenas dois, o que permite conectar simultaneamente um total de onze periféricos SATA à fonte.

Finalmente, embora seu uso ultimamente não seja comum, a fonte vem ainda com um cabo em Y que permite alimentar até dois acionadores de disquetes.

Se você reparar na Figura 6 verá que todos estes cabos podem ser conectados simultaneamente à Seasonic Platinum 80 Plus. Afinal, com seus mil watts de potência aferida, ela suporta tudo isto e ainda uma UCP de altíssimo desempenho.

Como eu disse lá no início, há muito que eu não via uma peça de hardware tão soberba.


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B. Piropo

 


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