Escritos
B. Piropo
Internet:
< Coluna em ForumPCs >
Volte de onde veio
30/04/2012
< Aventuras e desventuras de um viageiro >

Como ave que volta ao ninho antigo depois de um longo e tenebroso inverno, eis-me aqui de volta ao FórumPCs. Na verdade, nas bandas por onde andei não era inverno, era primavera – embora fizesse um frio de cão. E, de tenebroso, nada havia. Muito pelo contrário: dias frios porém ensolarados de um maravilhoso início de primavera europeia. Mas não resisti à citação do < http://www.sardenbergpoesias.com.br/homenagens/visita_a_casa_paterna/visita_a_casa_paterna.htm > soneto de Guimarães Júnior. Fica ele aqui para vosso deleite.

Figura 1: o colunista de férias

Foi uma viagem de férias. Mas não foram as férias a razão de meu sumiço. Foi a Internet. Ou melhor: a falta dela. Ou não...

Explico. Os que ainda lembram deste velho colunista hão de recordar que o assunto das colunas anteriores foi o (des)serviço prestado pela Ai Lerdax e sua Internet de banda estreita (que, para os que acompanharam as referidas colunas e querem notícias, fica a menção: afinal, tenho Internet no escritório, embora lenta). E talvez lembrem que fechei a < http://blogs.forumpcs.com.br/bpiropo/2012/04/11/ai-lerdax-o-final/ > coluna anterior, publicada há quase um mês, dando conta que naquela mesma noite em que a postei eu iniciaria uma viagem por alguns países da Europa de onde continuaria a postar as seguintes cujo assunto seria, justamente, o acesso à Internet por onde andasse.

Andei, mas não postei. E não postei porque, para minha surpresa, na Europa o acesso à Internet para viajantes se mostrou raro e caro. E, pior: pouco eficiente – pelo menos nas cidades que visitei e hotéis em que me hospedei. E sem um acesso eficaz e confiável à rede fica difícil manter o compromisso de postar colunas regularmente.

Pois este será justamente o assunto desta coluna.

Inglaterra

Assim que desembarquei no terminal ferroviário que liga o aeroporto internacional de Heathrow ao centro de Londres, procurei por uma loja de telefones celulares. No próprio terminal encontrei duas. Uma delas, da Vodafone, oferecia justamente o que eu estava precisando: um cartão SIM que me daria acesso à Internet via 3G.

Não era propriamente uma maravilha: o cartão, válido por 30 dias, dava direito a 300 mensagens de texto e acesso livre à Internet até 500 MB de dados transferidos. E era lento (não consegui descobrir qual era exatamente a taxa de transferência mas sei que não era bastante rápida para sustentar chamadas via voz pelo Skype para telefones no Brasil, que podem ser feitas corriqueiramente em qualquer ponto de acesso WiFi gratuito dos cafés da rede Starbucks nos EUA).

Figura 2: Cartão SIM da Vodafone britânica

Mas para meu objetivo principal, servia. Inserido em meu telefone (um Samsung Nexus que usa Android) com o serviço GPS ativado, o bichinho mostrava exatamente minha localização usando o Google Mapas, algo infinitamente útil quando se está em uma cidade que não se conhece bem. E o mais importante: permitia que eu tivesse acesso ao correio eletrônico através de minha conta no GMail.

Em suma: com aquele cartão SIM não somente eu passaria a saber onde estava como poderia me comunicar com o mundo. Para começar, servia. Pena que, ao contrário do cartão SIM que uso no Brasil (da operadora Vivo), o da Vodafone inglesa não funcionava no meu tablete, um Samsung Galaxy 10.1 em cuja tela maior os mapas são bem mais fáceis de serem consultados. Mas o cartão "quebrou o galho" direitinho. E não foi caro: embora eu somente o usasse por quatro de seus trinta dias de validade, o custo de dez libras esterlinas, correspondente aproximadamente a R$ 30, era mais que acessível (se eu usasse o mês inteiro, desde que não baixasse mais de 500 MB de dados, o custo seria de cerca de um real ao dia, uma pechincha).

Além do mais, pensava eu quando adquiri o cartão, sempre restaria o recurso de acessar a Internet gratuitamente de meu quarto de hotel. Afinal, hoje em dia, todo hotel que se preza oferece Internet gratuita.

Ledo engano. Pelo menos no hotel em que me hospedei, o Thistle Marble Arch, onde havia Internet, mas a um preço exorbitante. O hotel é grande demais para meu gosto, mas muito bem localizado, limpo, confortável, com diária na faixa dos US$ 300, mas para ter acesso à Internet de meu notebook eu deveria pagar o equivalente a quase R$ 50 por dia. Dispensei. Afinal, os serviços da Vodafone me supriam as necessidades essenciais de Internet. E me bastaram enquanto eu estive em Londres.

Só não davam para postar colunas.

Paciência, elas ficariam para a França.

França

Assim que cheguei à Paris, ainda no terminal ferroviário do Eurotrain que me levou de Londres, comecei a procurar por algo semelhante ao meu cartão SIM da Vodafone (que só era válido no território britânico). Em vão. Não encontrei lá nem em lugar algum, e olhe que procurei um bocado. Pelo que pude perceber e tanto quanto fui informado pelos muitos vendedores das lojas das diversas prestadoras onde estive em busca de um cartão SIM que permitisse o acesso limitado à Internet para uso de viajantes, isto não existe na França.

Figura 3: No Louvre, com a Vênus mas sem Internet

Já no hotel, o Opera Cadet, pequeno, acolhedor, agradável, bem localizado e muitíssimo confortável, havia acesso à Internet via WiFi, rápido, estável e, o que era melhor, gratuito. Com isto meus telefone e tablete tornaram-se praticamente inúteis na rua. Já no hotel, tanto eles quanto o micro portátil ("notebook") resolviam o problema de comunicações me dando não apenas acesso ao correio eletrônico como à comunicação por voz via Skype.

Isto porque, além da ligação direta micro a micro, o Skype oferece um serviço de comunicações tipo VoIP que permite ligar para qualquer telefone, fixo ou móvel, de praticamente qualquer país, a custos muito menores que os de qualquer operadora, desde que você disponha de uma conexão à Internet com taxa de transmissão suficientemente rápida. Em princípio, qualquer conexão que possa ser classificada como "banda larga" suporta o serviço. Se você não sabia disto, anote e use em sua próxima viagem ao exterior. Eu mesmo há muitos anos uso quase exclusivamente este método de ligação internacional que funciona até mesmo, como mencionei acima, nos pontos de acesso WiFi gratuitos oferecidos por algumas empresas como a rede americana de cafés Starbucks. E o melhor: funciona em qualquer dispositivo onde se tenha instalado o programa Skype, inclusive em telefones e tabletes com acesso à Internet via WiFi, mesmo sem um cartão SIM inserido.

E assim foi em Paris: nos poucos dias que lá passei, fiquei sem Internet na rua, mas com Internet no hotel.

Até que dava para postar colunas. Mas eu estava em Paris apenas por poucos dias, havia muito que ver, muito que andar, muito que fazer, muito vinho a ser tomado e pouco tempo para tudo isto. Quando, afinal, eu chegava ao hotel, mal conseguia me conservar de pé.

As colunas teriam que ficar para a Itália...

Itália

Na Itália eu realizei um sonho que cultivo desde a adolescência (e olhe que já faz é tempo que adolesci...): dirigir na Autostrada del Sole. Por isto – e por outras razões, inclusive de família – desembarquei em Veneza onde, ao partir alguns dias depois, aluguei um carro que me levou a Roma.

Na Itália tem TIM em toda a parte (o que não é de admirar, já que a empresa chama-se "Telecom Italia"). O que não tem são vendedores competentes e de boa vontade nas lojas da empresa. Em Veneza procurei o cartãozinho em algumas delas. Na primeira, desisti quando a gentil senhorinha que me atendeu, para saber se eu teria ou não que apresentar meu passaporte para adquirir o cartão, perguntou à colega de balcão se o Brasil fazia parte da Comunidade Europeia. Achei que, mesmo que em sua loja houvesse o cartão, ela dificilmente conseguiria fechar o contato entre seus quatro ou cinco neurônios para fazer a configuração. Agradeci e me despedi.

Hospedei-me no Hotel Giorgione. Também em excelente localização (é muito difícil não ser bem localizado em Veneza; quem conhece a cidade sabe por que e quem não conhece sugiro enfaticamente que conheça: é uma das três ou quatro cidades mais belas do planeta, qualquer ponto dela em que se esteja é deslumbrante), pequeno, acolhedor, confortável e com um serviço excelente. Recomendo a quem não precisar de Internet durante sua estadia por lá. A quem precisar fica difícil. É verdade que ele oferece conexão WiFi gratuita, mas não no quarto: no saguão do hotel. Aliás, não no saguão, mas no bar do térreo. Quer dizer, não exatamente no bar, mas na sala de jogos que fica ao lado. Mas nem sempre na sala de jogos, às vezes no bar. Ou no saguão. Pois acontece que por misteriosas razões o sinal viajava fantasmagoricamente por todo o pavimento térreo do hotel, o que fazia com que eu me deslocasse de salão em salão em sua perseguição. Mal dava para manter o correio eletrônico parcamente atualizado. Skype e colunas, nem pensar.

Figura 4: o SIM da TIM italiana

Voltei então à minha busca pelo cartão SIM. Em uma loja da TIM nas proximidades do hotel encontrei um vendedor mal humorado que me informou que, sim, ele tinha um cartão SIM como o que eu desejava, mas com duas limitações. A primeira é que, diferentemente do britânico, dava direito a transferir apenas 250 MB de dados. A segunda é que, segundo ele, "às vezes funcionava, às vezes não", dependendo do telefone onde fosse instalado. E o único jeito de saber era comprar um e instalar para testar. Mas, avisou ele, depois de comprado e instalado, não havia como devolver se não funcionasse. Como ele tinha no mostruário da loja um Samsung de modelo muito parecido com o meu, perguntei se funcionava naquele, pois o meu era quase idêntico. Ele retrucou que isso não queria dizer nada, já que o que estava no mostruário "era italiano" e o meu não. Resolvi não perder tempo discutindo a nacionalidade dos telefones feitos na Ásia e fui direto ao ponto: quanto custa?

O cartão custava um pouco mais caro que o londrino: 22 Euros, cerca de R$ 50. Mas como eu iria permanecer muito mais tempo na Itália que em Londres e, sobretudo, como eu iria viajar dirigindo eu mesmo e nestas condições saber minha localização exata em uma região rural era essencial, resolvi arriscar. Comprei e instalei.

Não funcionou. E por mais que eu insistisse com o cavalheiro solicitando ajuda na configuração, desisti depois de dois ou três rosnados e, antes que ele passasse para a fase seguinte e me mordesse, saí da loja com um cartão aparentemente inútil no telefone.

Resultado: durante minha estadia em Veneza, fiquei praticamente sem Internet. Mas querem saber de uma coisa? Em Veneza Internet não faz a menor falta...

De carro (com GPS) alugado, saí de Veneza e fui diretamente a Pádua, não muito distante. Logo na entrada da cidade havia um grande centro comercial onde parei para fazer um lanche e procurar orientação, já que eu jamais havia estado por lá. E, por acaso, me deparei com uma loja da TIM. Será que alguém ali não poderia me ajudar com o cartão SIM? Resolvi arriscar. Afinal, não custava nada.

Encontrei uma fada. Se não era, parecia: uma atendente bonita, educada, delicada, com boa vontade, inteligente e, sobretudo, conhecedora de seu ofício. Depois que expliquei o problema, em menos de três minutos ela fez as configurações necessárias e meu até então inútil cartão SIM passou a funcionar e me dar acesso à Internet não apenas no telefone como no tablete. Como, a partir daquele momento passei cinco dias viajando quase a esmo pelo interior da Toscana, a possibilidade de saber a cada momento minha localização no Google Mapas do tablete foi de um valor inestimável. E depois, em todo o período que passei em Roma, continuou sendo útil.

Como se vê, não é só no Brasil: também no velho mundo a qualidade do atendimento deixa muito a desejar e os profissionais que atendem o público com competência são a exceção, não a regra.

Hotéis, dali em diante, só em Florença, Siena e Roma. Todos com Internet gratuita e rápida no próprio apartamento (se bem que no hotel Mediterrâneo, em Florença, para que a minha funcionasse foi preciso me desavir com o gerente; mas nada que uma boa bronca – que meus amigos chamam carinhosamente de "piropice" – não tenha resolvido).

É claro que de qualquer deles eu poderia ter editado e postado pelo menos uma coluna.

Mas, digam-me lá: na Toscana, rodeado de vinhedos e pequenas cidades milenares, e em Roma, uma festa diuturna, quem iria conseguir?

Resultado: pela primeira vez em mais de duas décadas que escrevo sobre tecnologia, tirei férias também como colunista.

Eu sei que vocês hão de compreender e desculpar este velho amigo que daqui para frente vai procurar se manter em dia com vocês.

Afinal, por melhores que tenham sido as férias, é muito bom estar de volta escrevendo para vocês...

 


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B. Piropo

 


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