Escritos
B. Piropo
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Volte de onde veio
06/08/2012
< Tempos Interessantes >

Há alguns dias, pesquisando material para uma coluna publicada alhures, me ocorreu que, ao menos no que toca ao tema "sistemas operacionais", estamos atravessando uma época bastante peculiar. Uma coisa e outra, porém, acabaram por me afastar do tema (e me impediram de manter a regularidade na publicação desta coluna, o que me leva a pedir desculpas aos leitores pela indesculpável ausência de duas semanas) e deixei o assunto para lá. Mas alguns fatos o fizeram aflorar novamente e decidi dedicar um pouco de atenção a ele.

Um destes fatos foi o < http://www.worldstart.com/windows-xp-the-end-of-an-era/ > comentário no sítio WordStart sobre a extraordinária longevidade do Windows XP. O que me levou à página sempre atualizada da Wikipedia sobre a divisão do mercado entre os diversos sistemas operacionais, no qual encontrei a figura abaixo, referente ao mês de junho de 2012, a atualização mais recente na data de publicação desta coluna. Examinemo-la.

Figura 1: distribuição do mercado de sistemas operacionais em 06/2012

A primeira coisa que não pode deixar de chamar a atenção é o fato de que quase um em cada quatro usuários de praticamente qualquer coisa que funcione controlada por um sistema operacional ainda recorre aos serviços, vejam vocês, do bom e velho (e bota velho nisso) Windows XP.

Agora, vamos por partes, como diria o esquartejador. Começando com a razão que me levou a mencionar "praticamente qualquer coisa que funcione controlada por um sistema operacional". É que nos anos recentes, com a fluidez do parque das máquinas que recebem o nome genérico de "computador", a Wikipedia passou a incluir na compilação de suas estatísticas quase tudo que, mesmo de longe, possa merecer este nome. Um imenso arsenal que vai desde nossos vetustos computadores de mesa até as maquinetas portáteis designadas por "dispositivos móveis", que incluem telefones espertos e outros tipos de quinquilharias. Passando, naturalmente, por micros portáteis tipo "notebooks" e "netbooks" e pelos tabletes. Ou seja: aumentou consideravelmente o espectro daquilo que se pode classificar como "sistema operacional" e o tamanho do universo pesquisado. Mas mantém a enorme diversidade das fontes de pesquisa (a seção de Referências do verbete cita 63 artigos de diferentes origens), o que confere uma credibilidade mais que razoável a seus resultados.

Então vamos lá: mesmo considerando este conjunto de usuários tão ampliado, quase um quarto deles – 23,4%, para ser exato – ainda usa o Windows XP.

E o que mais?

Bem, o mais – ou pelo menos a maior parte deles – usa Windows.

Windows 7 lidera o mercado com pouco menos de 40% e a soma de todas as versões de Windows – incluindo o XP – ultrapassa os 70%.

É um bocado de coisa. À primeira vista, um respeitável domínio de mercado. Afinal, um sistema que concorre com diversos outros e ainda assim está nas máquinas de mais de dois terços dos usuários com suas diferentes versões, há de ser o famoso "rei da cocada preta". Mas basta uma simples olhada para trás para perceber que não somente Windows já perdeu sua antiga majestade como também, se não tomar alguma providência, logo vai ter que começar uma luta renhida para não perder a liderança. Afinal, dois anos atrás as diferentes versões de Windows ocupavam 90% das máquinas. E mesmo considerando a ampliação do universo sobre o qual as estatísticas são aplicadas, uma queda de 20% em dois anos não é coisa pouca.

Mas não é só isto o que chama a atenção na figura 1. Repare nela novamente e veja que a soma das porcentagens relativas a "Mac", "iPhone" e "iPad", ou seja, a parte deste latifúndio que cabe à Apple, já alcança 17,44%, ou seja, pouco mais da metade da fatia não ocupada por Windows e mais de um sexto dos usuários. E, logo depois, vem o Android com quase 5% do total, uma porcentagem que vem crescendo a cada ano.

Na verdade, além da correspondente a Windows, a única porcentagem de mercado que mantém uma queda lenta, gradual, porém inexoravelmente contínua, é a que cabe ao Linux, queda que o levou a ocupar hoje apenas 1,53% das máquinas. Mas nem por isto deve a destemida tribo do Linux se afligir: basta lembrar que, afinal, com alguma boa vontade, o Android não deixa de ser um Linux – o que mais uma vez comprova o fato de que ninguém roda sistemas operacionais, os usuários rodam programas. Portanto, por melhor que seja um sistema operacional, ele jamais se disseminará caso não ofereça uma boa variedade de programas ao usuário.

Mas vamos adiante que o objetivo não é começar novamente aquela velha pendenga com os aguerridos usuários do Linux, é discutir o futuro.

Uma discussão que deve despertar particularmente o interesse dos usuários do Windows XP, uma nada desprezível massa de 23,4% do total, que dentro de menos de dois anos será praticamente obrigada a mudar de sistema.

Você usa XP e não sabia disto?

O suporte ao XP

Então é bom se informar, pois a MS já anunciou em alto e bom som – e incluiu um chamativo aviso < http://support.microsoft.com/ph/1173 > na página de suporte referente ao Windows XP – que "o suporte para seu produto terminou em 8 de abril de 2014" (assim mesmo; a MS parece tão ansiosa para encerrar a prestação do serviço que, em um erro de tradução ou ato falho, deixou o verbo no pretérito). E, para mostrar que desta vez é sério (já houve anúncios anteriores de suspensão do suporte, adiados em virtude das solicitações da massa de usuários), oferece em seu sítio o < http://www.microsoft.com/en-us/download/details.aspx?id=11662 > "Windows XP End Of Support Countdown Gadget", um programeto que nada mais faz do que exibir a contagem decrescente do tempo que falta para o dia fatídico em que o suporte será suspenso.

Figura 2: Aviso sobre suspensão do suporte a Win XP

E se você ainda faz parte da fidelíssima tribo do Windows XP, acabou de ler os parágrafos acima e deu de ombros jurando manter sua fidelidade e garantindo que continuará usando seu sistema operacional "de fé" com suporte ou sem suporte da MS, pense duas vezes. O suporte da MS não se restringe às "atualizações de segurança" e coisas que tais. Inclui ainda suporte a novos padrões de software e hardware com a adição dos respectivos gerenciadores de dispositivos, ou "drivers". Ao longo de seus onze anos de existência o velho XP já recebeu centenas, talvez milhares de atualizações e, em três diferentes oportunidades, os famosos "Pacotes de Serviços" (ou "Service Packs"), pesados conjuntos de código que consolidam as atualizações mais importantes.

São estas atualizações que dão sobrevida ao sistema. Esclarecendo: o Windows XP foi lançado em outubro de 2001. De lá para cá muita coisa mudou, dispositivos novos foram criados, padrões de comunicações desenvolvidos. A versão 3,0 do padrão USB, por exemplo, foi lançada em 2008, assim como a Serial ATA 3 (SATA Gb/s). Não fossem as atualizações do XP regularmente lançadas pela MS (o Pacote de Serviços 3, ou SP3, foi lançado em abril de 2008), o sistema não suportaria estes novos protocolos. Considerando que a evolução da tecnologia não esmorece, quantos novos protocolos e dispositivos serão lançados no futuro próximo? E como continuar usando um sistema operacional que não os aceitará por falta de suporte? Imagine, por exemplo, que um determinado sistema operacional para micros de mesa não tenha sido atualizado para receber discos SATA. Onde encontrar, hoje em dia, um disco do velho padrão ATA (ou PATA) para substituir um antigo, defeituoso?

Pois é isto. Por mais disposto que você esteja a continuar usando seu velho Windows XP a despeito da suspensão do suporte pela MS, cedo o tarde – e, suspeito eu, mais cedo do que tarde – você será forçado a migrar de sistema.

E, então, vem a pergunta que não quer calar: migrar para qual sistema?

Criança em loja de doces

Bem, para qual sistema eu não sei. Mas sei que, desde os idos da segunda metade dos anos oitenta do século passado, tempo em que venho acompanhando atentamente os acontecimentos no campo da informática pessoal, nunca houve uma época mais interessante para quem se prepara – voluntária ou involuntariamente – para migrar de sistema.

Quem gosta de tecnologia deve estar se sentindo como criança em loja de doces.

Senão, vejamos.

Nunca houve no mercado tamanha abundância de tipos daquilo que costumamos chamar de "computador". Os micros de mesa tornaram-se absurdamente poderosos. Alguns incorporaram a geração de imagens à própria unidade central de processamento, os monitores de tela plana invadiram o mercado com seus novos formatos e resoluções de imagens impensáveis há poucos anos. As máquinas se transformaram em centros de entretenimento completos, permitindo enviar o sinal sonoro de alta qualidade a amplificadores de primeira linha e usar os televisores de grande formato como dispositivo de saída e neles exibir filmes, imagens e o diabo a quatro. E os preços caíram.

Do outro lado do espectro, micros de mão (alguns até falam, e por isto são chamados de "telefones") diminuíram de tamanho até caberem no bolso da camisa (e só não diminuem mais porque se o fizerem as telas ficarão ilegíveis), reduziram sua espessura, adotaram a interface baseada em telas sensíveis ao toque, incorporaram funções como sistemas de posicionamento globais (GPS) e nem por isto reduziram seu poder de processamento. Eu mesmo costumo levar no bolso uma maquineta muito mais poderosa que meu micro de mesa de dez anos atrás.

E há ainda o espectro intermediário, os chamados "micros portáteis" em seus diversos fatores de forma, tamanhos e capacidades de processamento.

No topo, computadores no formato "notebook" com telas razoavelmente grandes, bastante confortáveis para nelas se manter uma prolongada sessão de trabalho, capacidade de processamento suficiente para fazer face aos grandes micros de mesa, porém pesando menos de dois quilos e podendo ser transportados de um lado para outro com algum conforto. Muitos deles já substituíram os computadores de mesa, primeiro nas residências, agora – e cada vez mais – nos escritórios.

Há também os que perdem algumas das funções para favorecer a portabilidade. Dois bons exemplos são o MacBook Air e os Ultrabooks, finíssimos (cerca de um centímetro), levíssimos, com consumo de potência suficientemente pequeno para manter a carga da bateria por muitas horas e poder de processamento (e tamanho de tela) bastante razoáveis – embora alguns deles tenham suprimido o acionador de discos óticos em nome da leveza e esbelteza.

Se a portabilidade é absolutamente prioritária, pode-se descer um degrau e mergulhar no universo dos "netbooks" e tabletes. Embora os primeiros estejam desaparecendo, provavelmente engolidos pelos últimos, a meu ver são coisas diferentes e, pelo menos por enquanto, não são intercambiáveis. Mas, tanto uns quanto outros, tornam-se cada vez mais poderosos e oferecem mais recursos.

Mas não é só o hardware. Há também, pela primeira vez em quase três décadas, uma razoável variedade de sistemas operacionais para escolher.

Figura 3: A liça dos sistemas operacionais

A linha Apple (ou, melhor dizendo, a grife Apple) oferece cada vez maior variedade de dispositivos e, com eles, de sistemas operacionais que, como vimos, em conjunto abarca mais de um sexto do mercado.

O Android toma cada vez mais impulso e se dissemina rapidamente não apenas entre os dispositivos de bolso como também entre os tabletes. As novas versões se sucedem rapidamente e são cada vez melhores (eu tenho um dispositivo que roda a versão Android 4.1.1, conhecida por "Kelly Jean", e posso atestar: está um primor).

Há ainda, é claro, o Windows 7. Seu nível de excelência não é menor que o do XP e eu suspeito que ele repita a bem sucedida carreira do irmão mais velho, sobrevivendo ainda por muitos anos abrigado nas entranhas dos poderosos micros de mesa.

E, por último porém não menos importante, convém não esquecer que o Windows 8 vem aí. Está logo ali na esquina, com lançamento previsto para daqui a dois meses, no próximo outubro. Nele a MS aposta sua liderança e com ele espera integrar as interfaces de usuário de praticamente todos os sistemas operacionais, do micro de bolso ao gigante sobre a mesa.

É esperar para ver (e, se eu fosse um dos usuários do Windows XP, esperaria para dar uma boa olhada no futuro Windows 8 antes de trocar).

Eu nunca vi nestes quase trinta anos tanta variedade de hardware e sistemas operacionais à disposição dos usuários. E tudo indica que a tendência é que esta variedade aumente.

Não resta dúvida: tempos interessantes se avizinham...


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B. Piropo

 


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