Escritos
B. Piropo
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< Coluna em ForumPCs >
Volte de onde veio
08/10/2012
< A Face Humana do Big Data >

Há algumas semanas, na coluna <http://www.bpiropo.com.br/fpc20120813.htm> "Um universo de dados", mencionei o conceito de "Big Data". Trata-se de uma expressão em inglês cunhada para denominar o dilúvio de dados produzidos pelas atividades humanas no mundo moderno. Uma quantidade tão espantosa que, como mencionei na referida coluna, se exprimirmos em bytes a quantidade de dados produzida apenas no ano passado chegaremos a um número mais de duzentas vezes maior que a existência do universo expressa em segundos. E o universo nasceu há cerca de treze bilhões de anos...

Dados, como se sabe, são a matéria prima da informação. O resultado disto é que no mundo moderno, em um único dia, cada um de nós está exposto a mais informação que um indivíduo estaria durante toda sua vida há cinco séculos.

É claro que também há o reverso da medalha: nós não apenas processamos dados para gerar informações, nós próprios geramos quantidades imensas de dados em nossa vida diária. Dados que são registrados e armazenados e que, por sua vez, também podem ser processados para gerar informações. Pense na quantidade de vezes que sua fisionomia foi gravada pelas câmaras digitais instaladas nos lugares em que você transita, nos números de telefone para os quais você liga e na duração de cada chamada registrados nos arquivos das prestadoras de serviço telefônico, nos registros das operações financeiras que você realizou seja em "caixas eletrônicos", seja na Internet ou seja lá onde for, nas mensagens de correio eletrônico que trocou, nos comentários postados nas redes sociais, nas mensagens de texto que enviou e recebeu, nos roteiros percorridos por você e registrados na memória do GPS de seu telefone esperto ou do seu carro e mais sei lá que massa de dados você, sozinho, gera a cada dia de sua vida. Basta pensar um pouco na sua própria colaboração para o dilúvio do "Big Data" para entender sua existência.

Figura 1: A face humana do "Big Data"

Pois bem, entendidas as razões que provocam a monumental enxurrada de dados que atravessa nossa vida diária, surge a inevitável pergunta: podemos tirar algum proveito dela?

Note que não me refiro a coisas como conferir nossa conta telefônica examinando seu detalhamento ou verificar nosso extrato bancário, estas são operações corriqueiras e por mais que sejam importantes não são compatíveis com a quantidade de dados disponíveis no universo de dados gerado diariamente. Refiro-me a algo maior, muito maior e mais importante. Pois não é possível que, com acesso a tão gigantesca massa de dados, o homem não possa extrair dela algo de importância comparável à sua magnitude, usando-a para alterar o mundo em benefício da sociedade em que vivemos, para melhorar a saúde da humanidade, para aumentar a segurança e conforto de cada um de nós ou, pelo menos, para nos dar uma ideia do que pensa e como age nosso semelhante. Em suma: fazer alguma coisa para tornar o "Big Data" mais humano.

Mas como? Bem, ainda não se sabe ao certo. Mas há quem pense em coisas como o emprego de satélites para monitorar a proliferação de mosquitos transmissores de doenças, o combate à venda de medicamentos falsificados usando serviços de mensagens curtas (SMS), a instalação em seu telefone esperto de um programa que detecte suas reações e descubra sintomas de que você pode cair em depressão, a produção de circuitos miniaturizados encapsulados em comprimidos que, ingeridos, transmitem a seu médico informações em tempo real sobre seu estado de saúde e até, vejam vocês, o desenvolvimento de um sistema de análise das despesas efetuadas por um casal em seus cartões de crédito que ajudam a prever com grande antecedência que um divórcio está para acontecer...

Pois bem, tornar o "Big Data" mais humano é justamente o objetivo do projeto "The human face of Big Data".Um objetivo, diga-se de passagem, um bocado ambicioso: medir o mundo e extrair disto algum benefício para a humanidade.

Figura 1: Rick Smolan

"The human face of Big Data" foi concebido por <http://en.wikipedia.org/wiki/Rick_Smolan> Rick Smolan, um fotógrafo profissional que trabalhou na National Geographic Magazine e Time Life, criou a série de livros ilustrados "Day in the Life" e é hoje o principal executivo da empresa "Against All Odds", considerada como uma das 25 empresas mais "cools" dos EUA (contrariando meus princípios,o termo "cool" vai em inglês mesmo porque sua tradução varia com a região; os cariocas traduziriam para "legal, cara", os paulistas para "da hora, meu", os gaúchos para "trilegal, guri", os baianos para "porreta, meu rei", os mineiros para "ô trem bão, sô" e assim por diante).

Você pode saber um pouco mais sobre Rick e seu projeto no vídeo <http://www.youtube.com/watch?v=oK7VvNC-m9E> "Rick Smolan announces the Human Face of Big Data", uma entrevista (em inglês, infelizmente não legendada) concedida por ele ao programa EMC Talk Track.

E por falar em EMC...

"The human face of Big Data" é um projeto ambicioso e, como tal, exige um considerável aporte de recursos. O principal responsável por este aporte é justamente a EMC, que lidera os patrocinadores. E há uma razão para isto: na qualidade de líder mundial no desenvolvimento e fornecimento de tecnologia de infraestrutura de informações, da qual o armazenamento de dados é parte essencial, a EMC é uma das principais interessadas no tema "Big Data".

Mas voltemos ao projeto.

"The human face of Big Data" é um projeto que teve início em 25 de setembro último, se desenvolverá até 20 de novembro próximo e se subdividirá em seis elementos.

Começando pelo fim, para simplificar: no ano que vem será lançado o documentário "The human face of Big Data" descrevendo e exibindo, passo a passo, todo o desenvolvimento e elaboração do projeto. Este elemento fechará o ciclo e resumirá os resultados.

Antes dele, porém, haverá as demais etapas. Duas delas já foram cumpridas. Em março deste ano, bem ao estilo de sua série de publicações "A Day in the Life", Rick Smolan enviou mais de uma centena de fotógrafos, editores e escritores para os quatro cantos do planeta com o intuito de explorar e documentar o mundo do Big Data. Esta fase já terminou e será a espinha dorsal de mais um elemento do projeto: o lançamento, em 20 de novembro próximo, do livro ilustrado "The human face of Big Data" que será distribuído para as dez mil pessoas mais influentes do planeta, incluindo líderes mundiais e laureados pelo Prêmio Nobel. Mas estará, igualmente, ao alcance do público, já que será posto a venda em livrarias de todo o mundo.

"Mission Control" é a segunda etapa já cumprida do projeto. No último dia 2 de outubro os organizadores do projeto reuniram em Nova Iorque, EUA, o que classificaram como os melhores cérebros do mundo do "Big Data" para discutir, analisar e interpretar informações enviadas por participantes espalhados por todo o planeta.

A etapa denominada "Data Detectives" será levada a termo em oito de novembro próximo. Nela, estudantes de todo o mundo na faixa de idade entre 11 e 16 anos, acompanhados de seus professores, vão realizar uma campanha de coleta de dados para medir, analisar e mapear seus "mundos". Serão milhares de estudantes de todo o planeta conectados ecomparando suas opiniões, pensamentos, preocupações e crenças, envolvendo visualização dos dados coletados em tempo real através de gráficos.

E nesta altura já pressinto que tem gente dando de ombros e perguntando: "E o que tenho eu com isso?"

Tem tudo.

Porque sem sua participação o projeto não será o mesmo.

Sim, porque se você prestou atenção, só foram descritas cinco etapas. A sexta e mais importante depende da sua colaboração. É ela que dará vida ao projeto. É ela que fará com que uma parte considerável do acervo de dados gerados por você (e por mim, e por quem mais se decidir a participar) seja integrado à massa de dados que será analisada, interpretada e, afinal, situará você, suas ideias, opiniões e sentimentos no imenso conjunto de ideias, opiniões e sentimentos que formam a massa do "Big Data". Em suma: é ela, que teve início em 25 de setembro último e se estenderá por quase dois meses até 20 de novembro próximo e, que permitirá determinar os traços da fisionomia humana do "Big Data"utilizando um aplicativo instalado em nossos dispositivos móveis.

Participar é simples, indolor e não consumirá mais que um par de dezenas de minutos de sua vida.

Primeiro, visite o sítio <www.humanfaceofbigdata.com>"The human face of Big Data". Nelevocê poderá baixar um aplicativo para ser instalado em seu telefone esperto ou tablete (devido à natureza do projeto, que inclui entre outras coisas acompanhar seu trajeto caso você o permita, o aplicativo só faz sentido se instalado em um dispositivo móvel).

Há duas versões, uma para Android e outra para iOS e os aplicativos somente estarão disponíveis até 20 de novembro deste ano. Incidentalmente: se vocês repararem nas próximas figuras verão que inadvertidamente eu baixei a versão em inglês. Mas o aplicativo está disponível em diversos idiomas, inclusive o português. Para escolher o idioma, em vez de clicar nos botões "Download for..." da página de abertura, clique na entrada correspondente do menu "Download" na barra de menus do alto desta página, role a página seguinte até a base e, no menu de cortina onde aparece "English (United States)" escolha seu idioma preferido, presumivelmente "Português (Brasil)".

Muito bem: selecione a sua versãoe idioma e baixe-a. É um arquivo de cerca de 3 MB.Baixado o arquivo, basta executá-lo para instalar o aplicativo após aceitar as condições de participação, os termos de uso e tomar conhecimento da política de privacidade.

Como acredito que esta deverá ser a principal preocupação da maioria dos que pensam em participar e ainda não decidiram, os organizadores garantem absoluto respeito à privacidade dos participantes. Afirmam que as informações coletadas serão usadas exclusivamente para fins não comerciais objetivando basicamente traçar uma visão do mundo moderno comparando as respostas de todos os participantes. Não são solicitados nome, endereço de correio eletrônico ou qualquer outra informação de contato e as informações de caráter pessoal podem ser omitidas se assim desejado. Isto posto, vamos adiante.

Instalado, o aplicativo começa a lhe fazer perguntas. Para algumas já são fornecidas respostas e basta confirma-las(por exemplo, ele "adivinhou" minha idade e localização; olha o "Big Data" aí, gente...). É provável que tenham sido obtidas de meu próprio dispositivo móvel.

Figura 3: aplicativo instalado e rodando

As primeiras perguntas procuram qualificar o participante: idade, gênero, local onde vive. Solicita, opcionalmente, uma foto (que não será identificada) e coisas que tais.

Depois passa a fazer perguntas sobre preferências pessoais. Gostaria de viver para sempre? (eu não, mas 62% dos que responderam gostariam). O que acha que acontecerá com você depois da morte? (eu e mais 31% dos 2,4 milhões que responderam até agora – veja figura – achamque não acontecerá nada, fim do jogo, mas 39% acham que irão para o céu ou para o inferno; o aplicativo não desce a detalhes, mas bem que eu gostaria de saber quantos destes acham que vão para o céu e quantos para o inferno, mas deixa pra lá...), quantos idiomas fala fluentemente e coisas do tipo. Depois, interroga suas opiniões sobre família, confiança, amor e, veja você, até sobre seus sonhos (já teve um sonho no qual você estava ciente que estava sonhando? 36% responderam que sim, frequentemente) e por aí vai.

Figura 4: Meu doppelganger

Como eu disse, a coleta de dados começou recentemente, mas você já pode se divertir um bocado comparando suas respostas com as porcentagens das dos demais participantes. E mais: usando os dados e a foto que você forneceu, o aplicativo executa uma busca no universo de respostas até então obtidas e procura seu "Doppelganger", um termo alemão que significa vagamente algo como um dublê fantasmagórico que cada um de nós teria em alguma parte do mundo. O meu, como se vê na Figura 4, é um indiano residente em Bengala e, francamente, embora eu não tenha grandes ilusões estéticas, acho que sou mais bonitinho. Mas não me cabe julgar...

Enfim, é isto. Ao final do projeto, com os dados devidamente processados e garantido o anonimato dos participantes, os resultados serão postos à disposição de educadores, antropólogos, historiadores, cientistas sociais e do público em geral.Com a sua colaboração e a da EMC, que patrocinou o projeto, eles formarão um painel que representará dois meses de vida da humanidade neste atribulado planeta e mostrarão como você se situa neste panorama.

Vamos ver no que vai dar isto...

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B. Piropo

 


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