Sítio do Piropo

B. Piropo

< Trilha Zero >
Volte de onde veio
17/06/2002

< WiFi >


Uma das coisas que chamou minha atenção no IDF de Munique, assunto da última coluna, foi a quantidade de participantes que circulavam com seus micros portáteis pelas salas e corredores sem perder contato com a rede local montada pela organização e com a internet – até mesmo alguns usando micros de mão tipo PDA. Intrigado com aquele aparente mistério, informei-me.

O fenômeno denomina-se WLAN, sigla de “Wireless Local Area Network”, ou rede local sem fio. Trata-se de um sistema flexível de comunicação de dados que tanto pode substituir como expandir uma rede local com cabos. A comunicação se faz através de ondas de rádio (há dois padrões, o mais antigo, IEEE 802.11b, operando na faixa de radiofreqüência de 2,4 GHz, o novo, IEEE 802.11a, na de 5,2 GHz, ambos mais conhecidos por “WiFi”, de Wireless Fidelity; veja mais em <www.wi-fi.org>). Ao contrário da comunicação via infravermelho, que exige que o caminho entre transmissor e receptor esteja desimpedido, a WLAN dispensa a visada direta, já que as ondas de rádio podem transpor obstáculos, inclusive tetos e paredes de estruturas de concreto. Ela oferece todos os benefícios da rede local tradicional, porém sem as limitações impostas pelo uso de cabos. E é rápida: o padrão mais antigo, o 802.11b, consegue transferências na taxa de 11Mb/s, enquanto o novo 802.11a chega a 54 Mb/s.

Para demonstrar a tecnologia os organizadores do IDF espalharam pontos de acesso por toda a área do centro de convenções de Munique e colocaram adaptadores WLAN tipo PC Card (antigo PCMCIA) à disposição dos jornalistas. Bastava solicitar o adaptador, enfiá-lo no slot PC Card do micro, instalar um driver e configurar o acesso que em questão de minutos se estava conectado. E em alta taxa (ou “banda larga”). Experimentei. E gostei.

Em casa, tenho dois micros de mesa ligados em rede que compartilham uma conexão com a internet através de um “modem” ADSL ligado a uma pequena rede local. O “modem” recebe o fluxo de dados e o encaminha a um roteador que distribui o sinal pelos dois micros. Ambas as máquinas estão no escritório doméstico e mal se percebe o cabo da rede se esgueirando junto à parede. O problema é a terceira máquina, um micro portátil. Seu adaptador de rede é do tipo PC Card Ethernet. Por falta de uma terceira escrivaninha no mesmo cômodo, quando pretendo ligar o notebook à rede sou obrigado a usá-lo na mesa da sala e estender um longo cabo desde lá até o roteador. Para fazer a comunicação entre as máquinas, o cabo é uma maravilha. Mas para tropeçar, não há coisa melhor. Meu sonho era me livrar dele. Pois não é que consegui?

Foi fácil e doeu menos no bolso do que eu temia. À caminho de casa comprei dois badulaques: um adaptador tipo PC Card para o notebook e um roteador misto, com um conector para o “modem” ADSL, quatro para rede local por cabo e uma antena que transmite um sinal no padrão IEEE 802.11b. Juntos, custaram menos de duzentos dólares. Chegando em casa, substituí meu velho roteador pelo novo, conectei a ele os cabos do “modem” ADSE e dos dois micros de mesa, configurei o sistema, enfiei o adaptador WiFi no slot PC Card do notebook e em menos de quinze minutos estava refestelado na sala desfrutando uma conexão sem fio do micro portátil com as demais máquinas e com a internet. E caso eu pretenda mover o segundo micro de mesa para a pequena oficina que mantenho em casa para montagens, já sei que não vou precisar de estender um fio pelo corredor: basta comprar por menos de cinqüenta dólares um adaptador WiFi que pode ser conectado a uma porta USB.

A tecnologia WiFi não é nova. Já está em uso há pelo menos um par de anos. Mas em 2002, sem dúvida, ela atingiu a maturidade.

Se não acredita, visite a página <www.wifimetro.com> para conhecer um serviço revolucionário: o WiFi Metro. Que, por enquanto, abrange apenas a Bay Area, em San Francisco, Califórnia, e mais alguns locais do território americano. Por menos de vinte dólares mensais o usuário que dispuser de um micro portátil com um adaptador WiFi tem acesso à internet ilimitado, sem fio e em alta taxa em qualquer ponto do território coberto pelo serviço. São dezenas de pontos de acesso espalhados por toda a região. E seu número está aumentando. A tendência é crescer cada vez mais. E se continuar assim, dentro de pouco tempo, com um micro portátil ou de bolso e um adaptador WiFi, será possível estar permanentemente conectado à internet em qualquer ponto do território americano. E, dentro de alguns anos, talvez em qualquer lugar do mundo.

Mundo esse que está se tornando cada vez menor...

B. Piropo