Sítio do Piropo

B. Piropo

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Volte de onde veio
29/07/2002

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Canários (os pássaros) são originários das Canárias (as ilhas). Portanto é fácil deduzir que um deu nome ao outro. Mas quem deu nome a quem? As aves tornaram-se tão conhecidas que cederam seu nome às ilhas ou estas, já batizadas, deram o nome aos pássaros?

Curiosidades como essa, relativas ao fascinante tema da origem das palavras, podem ser saciadas n’A Casa da Mãe Joana. Não na própria, mas no livro editado pela Campus e escrito de forma muitíssimo bem humorada pelo Reinaldo Pimenta. Onde se pode aprender que a expressão “lavar a égua” teve origem nos hipódromos, quando os proprietários comemoravam a vitória dando um banho de champanhe nas éguas vencedoras. Ou saber que “Baderna” era o sobrenome de uma bailarina italiana que andou por essas bandas há século e meio balançando corações. Seus admiradores, os “badernistas”, eram tão entusiasmados que acabaram dando novo sentido ao nome. A obra não é um compêndio de etimologia, é apenas um livro bem humorado sobre a origem, real ou fictícia, de certas palavras e expressões e cujo autor foi suficientemente gentil para se dar ao trabalho de incluir na bibliografia o nome desse pobre escrevinhador, culpado de haver escrito um par de colunas sobre a origem de certas palavras.

E já que falamos em livros e a coluna é sobre informática, convém mencionar “Internet Móvel – Tecnologias, Aplicações e Modelos”, de Cezar Taurion, também da Campus. O tema é novo e absorvente. No livro, sem abusar do jargão técnico, o experiente Taurion, depois de abordar os principais conceitos envolvidos, descreve sucintamente as tecnologias empregadas para o acesso móvel e sem fio à internet, discute os tipos de aplicação que podem ser desenvolvidos para esse fim e encerra com uma análise muito bem embasada dos modelos de negócios ligados à área. Considerando o estágio atual da internet móvel, o livro é mais um salto no futuro que uma análise do presente. Mas um salto tão solidamente embasado que uma leitura atenta cristaliza idéias e derruba mitos. Eu, que esperava ansioso pelo lançamento dos dispositivos 3G, a famosa terceira geração da era da comunicação sem fio, diante da argumentação de Taurion dificilmente deixarei de aderir aos dispositivos 2,5G que, segundo ele, me oferecerão tudo o que preciso a custos realistas e em prazo mais curto. Embora centrado nos telefones celulares o livro é recomendado para qualquer pessoa que se interesse por acesso móvel à internet. E obrigatório para quem está envolvido ou pretende se envolver em qualquer ramo de negócios ligado ao assunto.

Finalmente: em 10 de junho passado escrevi um artigo (ainda disponível na seção “Escritos” de meu sítio, em <www.bpiropo.com.br>) sobre as pesquisas da Intel para desenvolver um transistor cuja freqüência de operação se situe na casa do Terahertz (THz). Sobre o assunto, o leitor Hugo Magliano me mandou uma mensagem que dá o que pensar. Diz ele: “Siga o meu raciocínio: a 1 THz cada ciclo dura 0,000.000.000.001 s (1 Picosegundo);  a luz viaja a 300.000 km/s, ou seja, 300.000.000.000 mm/s; então 300.000.000.000 mm/s multiplicados por 0,000.000.000.001 s resulta em 0,3 mm. Portanto, em cada ciclo desse chip a luz viaja somente 0,3 mm! Pelo que entendi teremos um chip muito pequeno ou estados de espera enquanto o pulso elétrico não atravessa chip”

Hugo acrescenta que leu algo sobre a possível ocorrência de problemas com o desempenho das memórias devido ao aumento da freqüência do barramento frontal (que anda na casa dos 133 MHz e brevemente chegará a 166 MHz) e à distância (física) entre os bancos de memória e o processador. Segundo ele: “Se essa freqüência subir muito, quando o processador requisitar uma informação da memória, teria que esperar alguns ciclos até que ela chegasse. Acho que o mesmo problema se aplica agora dentro do próprio processador”. É verdade, meu amigo. E isso não me havia ocorrido. Eu sei que a geometria das placas-mãe e o desenho das linhas do barramento são cruciais para minimizar interferências. Mas enfrentar problemas porque as distâncias percorridas na velocidade da luz estão se tornando demasiadamente pequenas, definitivamente, não fazia parte das minhas cogitações.

Com a palavra os especialistas.

PS: para quem ficou curioso sobre o canário e as Canárias: as ilhas deram nome ao pássaro. Quando Juba II, Rei da Numídia, desembarcou na maior ilha do arquipélago, lá encontrou diversas matilhas de cães. E por isso a batizou de Insula Canaria, ou “ilha dos cães” em latim. Depois os espanhóis chamaram a ilha de “Gran Canária” e estenderam seu nome ao arquipélago. As aves herdaram o nome.

B. Piropo