Escritos
B. Piropo
Jornal o Estado de Minas:
< Coluna Técnicas & Truques >
Volte de onde veio
06/03/2008
< Discos de memória: >
<
desfragmentar ou não?
>

Há alguns meses discutimos aqui sobre a conveniência de desfragmentar arquivos. Aos que não a leram, a coluna permanece disponível no Sítio do Piropo (www.bpiropo.com.br), seção “Escritos”, tópico “Coluna Técnicas & Truques”, data 11/10/2007. Aqui vai um breve resumo.

Arquivos são gravados em discos rígidos em conjuntos de setores denominados “clusters” cujo tamanho varia com o sistema de arquivos. O menor “cluster” ocupa quatro setores.

Nenhum arquivo pode ocupar menos de um “cluster”. Para gravar um arquivo, o sistema operacional procura um espaço disponível no disco e grava tantos “clusters” quantos forem necessários para armazenar todo o arquivo. Quando se remove o arquivo, seus “clusters” são liberados e poderão ser usados por outros arquivos que vierem a ser gravados posteriormente.

O sistema procura gravar arquivos sempre em setores adjacentes a partir do primeiro conjunto de “clusters” livres. Mas se este espaço estiver disponível por haver sido liberado por um arquivo previamente removido e se o novo arquivo for maior do que o antigo, somente os primeiros “clusters” do novo arquivo “caberão” no espaço livre. Os restantes localizar-se-ão no próximo espaço vago encontrado. Resultado: nem todos os “clusters” do novo arquivo serão adjacentes. Diz-se, então, que este arquivo está “fragmentado”.

Na medida que arquivos vão sendo removidos e novos arquivos são gravados, a tendência é que muitos deles se apresentem fragmentados – por vezes em diversos “fragmentos”. Isto, em um disco magnético, representa um sério inconveniente já que, com os setores que contêm o arquivo “espalhados” em diferentes pontos da superfície do disco, a cabeça de leitura terá que “saltar” de um fragmento a outro até que todos tenham sido lidos. O que representa, por vezes, uma perda de tempo considerável. Por isso mesmo Windows oferece uma ferramenta (menu Iniciar >> “Todos os Programas” >> “Acessórios” >> “Ferramentas de sistema” >> “Desfragmentador de disco”) para desfragmentar discos rígidos, regravando os arquivos fragmentados em setores adjacentes. E recomenda que seja usada periodicamente com alguma regularidade para melhorar o desempenho do sistema.

Estava tudo bem até que surgiram os “discos de memória”, pequenos dispositivos com um módulo de memória tipo “flash” que, conectados a uma porta USB do computador, simulam o funcionamento de um disco rígido. São conhecidos como “memory drives”, “pen drives”, “thumb drives” ou outros nomes e permitem que neles sejam gravados e removidos arquivos empregando os mesmos procedimentos lógicos usados para gravá-los em discos magnéticos.

A pergunta que se impõe é a seguinte: também neles devemos desfragmentar arquivos?

A resposta simples, rápida e rasteira é: nunca, jamais, em tempo algum. Se isto lhe basta, siga adiante lépido e fagueiro e nem precisa ler o restante da coluna. Mas se quiser saber por que...

Note, dois parágrafos acima, que tive o cuidado de mencionar que os discos de memória usam os mesmos procedimentos lógicos para gravar arquivos que os discos magnéticos. E o fiz por boas razões, já que os procedimentos físicos são bastante diferentes.

Discos de memória não têm peças móveis como as cabeças magnéticas dos discos rígidos. Neles, a gravação, remoção e leitura de arquivos se faz de forma semelhante à que ocorre nos módulos de memória RAM. E não se perde tempo fazendo uma cabeça magnética saltar de um lado para outro mesmo que seus arquivos estejam fragmentados (e freqüentemente estão). Portanto, no que toca ao desempenho, arquivos fragmentados nos discos de memória não causam qualquer prejuízo. Por outro lado, ao contrário dos discos magnéticos, discos de memória têm “vida útil”, ou seja, somente suportam um número limitado de regravações (mas não se assuste: este número é bastante alto). E para desfragmentar arquivos é preciso regravá-los. Portanto, nos discos de memória, melhor deixá-los em paz. Só mexa quando for preciso.

Figura 1

 

B. Piropo


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