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Foto de B.Piropo

Engenheiro Benito P. Da-Rin

Aula Magna / UERJ 2020

O Reino e seu Cocô - Um conto de fadas

Um livro de presente para você

Aula Magna - Curso: Engenharia Ambiental e Sanitária/UERJ 2020

O atalho ("link") para baixar a apresentação está no final do texto

Em fevereiro de 2020 fui honrado com o convite para ministrar a Aula Magna do Curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da UERJ. E o adjetivo "honrado" não está aí por mera questão de cortesia. Ministrar a aula foi mesmo uma honra não apenas pela qualidade da plateia mas por diversas outras razões: esta foi a primeira vez que o curso foi aberto com uma Aula Magna, eu nele lecionei a disciplina "Tratamento de Esgotos" nos já longínquos anos oitenta do século passado e os professores que atuam na coordenação do curso, autores do convite, foram meus alunos.

Todas essas razões me levaram a considerar o convite, além de honroso, irrecusável – o que me fez voltar ao computador e preparar uma apresentação para ilustrar a aula. Que foi ministrada no dia 11 de março, estendeu-se bem além do tempo a ela destinado e – pelo menos para mim, em que pese a falta de modéstia – foi ótima, transformando-se em uma proveitosa troca de opiniões no período reservado às perguntas.

A apresentação, como dito acima, foi preparada com o objetivo precípuo de ilustrar a aula, sem qualquer intenção de torná-la pública. Ela só está aqui no Sítio do Piropo porque fui docemente constrangido a mudar de opinião em virtude das muitas solicitações recebidas para fazê-lo. Então, basta clicar no botão que você encontrará no final deste texto para assisti-la (ou transferi-la para seu computador) no formato PDF.

Mas, antes disso, cabem duas observações.

A primeira tem a ver com os direitos autorais referentes às imagens. Embora todas as ilustrações da apresentação sejam de minha autoria,  criadas usando programas de edição gráfica (basicamente Photoshop e Illustrator), com poucas exceções as imagens em que elas se basearam não o são. A maioria delas foi obtida digitalizando figuras do livro "Os Esgotos do Rio de Janeiro", uma belíssima obra do Eng. José Ribeiro da Silva editada pela SEAERJ. Outras poucas foram capturadas na internet em fontes diversas, inclusive o Google Maps – e, quando possível, tais fontes são citadas. Porém, como tanto a aula quanto a apresentação não foram remuneradas, espero não estar infringindo quaisquer leis referentes a direitos autorais.

A segunda observação visa apenas enfatizar que a apresentação aqui disponibilizada foi desenvolvida por mim com a finalidade precípua de ilustrar a Aula Magna, não para ser exibida isoladamente. E só está aqui para atender pedidos de amigos e colegas que a solicitaram porque não lhes foi possível comparecer à aula. Enfatizo isto porque assistir uma apresentação como esta fora do contexto da aula é como ordenar o melhor prato do cardápio de um bom restaurante e, ao consumi-lo, perceber que o "chef" esqueceu de acrescentar os temperos.

Vai ficar um bocado insosso...

Dito isto, aos que ainda assim se dispuserem a ingeri-la, bom proveito.

Eng. Benito Piropo Da-Rin

Apresentação: Aula Magna/UERJ 2020 - PDF

Em um dos grupos do WhatsApp de que participo um amigo pediu minha opinião sobre uma charge cujo conteúdo era: "Eles dizem que é melhor privatizar porque está ruim ... mas não dizem que fazem ficar ruim de propósito para a gente apoiar o que é do interesse deles". Eu prometi responder. Depois, pensando melhor, achei que seria mais proveitoso recorrer a uma alegoria. Assim nasceu esse Conto de Fadas

O reino e seu cocô – um conto de fadas

[Este conto é inteiramente ficcional e qualquer semelhança com fatos, pessoas, coisas, animais e demais entidades envolvidas, se houver, é a mais pura, completa, absoluta, total e cabal e inequívoca coincidência]

Era uma vez um reino de rara beleza com um governante conhecido por Velho Barreiro porque gostava muito de cana e cujo filho era conhecido por Rato Aurélio porque gostava muito de grana.

Nesse reino havia uma praia que se tornou famosa por sua garota e nessa praia havia uma tubulação mágica chamada "Emissário" que transportava quase todo o cocô do reino para bem distante. E era tão bem feito que apesar de em cada segundo lançar quase dez mil litros de cocô no mar, o fazia tão longe que jamais uma só gota conseguiu voltar à praia (havia também um canal e um rio por onde transitavam outros cocôs para tomar banho de mar e que uns ímpios ainda não maduros insistiam em afirmar que não eram outros e que vinham do emissário; porém, quem conhece os frutos sabe que os verdes não são de confiança e dizem sempre o que acham que lhes convém. Mas isso é outra história).

Era um emissário grosso e longo, quase cem tubos emendados, cada um com mais de quarenta metros de comprido por quase três de redondo. Suas emendas repousam em grandes lanças cravadas no fundo do mar chamadas "pilares".

Aquele emissário era dos tempos de antanho, uma era longinqua quando as pessoas andavam tranquilamente pelas ruas do reino sem medo de trombadinhas porque naqueles dias trombadinhas não havia. Assim, só muito depois se descobriu que certas ondas malévolas (que só poderiam ser detectadas por caixas mágicas chamadas "computadores" que ainda não tinham sido inventadas) importunavam tanto os pilares que eles ficavam cansados e podiam quebrar por "fadiga do material". Por isso os guardiães do emissário invocaram a ajuda dos deuses e iam regularmente ao fundo do mar para olhar, filmar e fotografar todos os tubos e pilares, cumprindo um ritual anual chamado "Monitoramento".

Quando o Monitoramento revelava que um pilar começava a cansar, invocavam-se outros deuses ainda mais influentes que com um sortilégio conhecido como "Reforço do Pilar" o faziam recuperar sua força. E eram deuses tão poderosos que isso era feito sem sequer interromper a passagem do cocô por dentro do Emissário.

E todos eram felizes para sempre.

Essa fábula terminaria aqui não fosse pela cobiça do Rato, que convenceu seu velho pai Barreiro que deveria vender a Confraria dos Guardiães do Emissário para embolsar uma bufunfa em um ritual chamado "Conchavo", muito comum naqueles dias. Mas, acrescentou Rato, os astros aconselhavam fazê-lo apenas no final do governo quando já estariam protegidos dos efeitos colaterais indesejáveis. Mas que podiam começar a tomar as providências necessárias.

Elas implicavam o desmonte da Confraria, tornando-a mais apetitosa para os generosos adquirentes – tão generosos que segundo as más línguas já tinham adiantado uma oferenda (também conhecida como "por fora") de trinta mil ducados aos membros da Sagrada Assembleia de Sacerdotes designada para aprovar a tenebrosa transação.

Uma dessas providências foi suspender o ritual de monitoramento.

Porém, sendo insondáveis os desígnios dos deuses e dos corações humanos (ia escrever "das mulheres", mas como tenho uma amiga muito querida que pertinazmente me acusa de machismo, para não provocar sua ira resolvi desta vez – e, prometo, só desta vez - ser politicamente correto; mas também isso é outra história) a operação foi frustrada por quem menos se esperava: Pedro Álvares, então presidente da Assembleia, que abortou a transação. Dizem as más línguas que fê-lo por achar que diante do vulto do cambalacho o "por fora" oferecido aos sacerdotes se enquadrava na classificação "merreca" da escala financeira (motivo esse que se revelou provável quando alguns anos mais tarde se percebeu a descomunal voracidade e o insaciável apetite de Pedro Álvares ao assumir ele mesmo o governo do reino e revelar-se o ladravaz-mor; mas, ainda uma vez, isso também é outra história).

E a fábula também poderia terminar aqui com todos sendo felizes para sempre não tivesse sido suspenso o ritual do Monitoramento.

Mas foi.

E menos de um mês após Criancinha ser sagrado governador tal suspensão revelou-se desastrosa: os deuses, contrariados por não mais serem honrados com o ritual, provocaram um dano (que teria sido detectado pelo Monitoramento) que derrubou um dos pilares.

O pilar tombou a menos de um quilômetro da linha do litoral e com a separação dos tubos ali se derramou o cocô, provocando o fenômeno popularmente conhecido por "esmerdalhamento da praia".

Deu trabalho, aporrinhação e despesa. O cocô teve que ser desviado para duas saídas de emergência interditando praias em pleno verão, a época dourada do reino. A recuperação demorou quatro meses e custou muito mais caro do que o monitoramento suspenso.

Em resumo: foi uma merda...

E agora nos resta torcer para que novo Conchavo não seja tramado e novas canganchas não venham a ocorrer com o cocô e com a água do reino (parece estranho, mas seus guardiães são os mesmos e provavelmente seria muito melhor se não fossem, como não eram na longínqua era em que o emissário foi concebido, projetado e construído).

Então, quem sabe, afinal seremos todos felizes para sempre.

Um livro de presente para você

O atalho ("link") para baixar o livro está no final do texto

No momento eu, o Engenheiro Benito P. Da-Rin, estou muito ocupado ajudando "o outro" a atualizar o Sítio do Piropo. Mais tarde talvez apareçam por aqui alguns textos de minha autoria – por enquanto, não dá. Mas nem por isso deixo de lhe oferecer algo. No caso, um livro sobre tratamento de esgotos. E – mesmo considerando que minha opinião há de ser um tanto suspeita – um bom livro sobre tratamento de esgotos.

Todo livro tem uma história. Este não poderia ser diferente. Então, vamos a ela.

Dediquei 58 anos de minha vida a trabalhar no campo dos esgotos sanitários. Durante os oito primeiros, como estagiário ou engenheiro recém formado, fiz um pouco de tudo, desde projeto de redes de esgoto até oceanografia (coordenei a "Operação Cartões à Deriva 64", uma técnica antediluviana usada no início dos anos sessenta do século passado para coletar dados para a escolha do ponto de descarga do Emissário Submarino de Ipanema). Os cinquenta anos restantes, mais precisamente de 1967, quando comecei a operar uma velha estação de tratamento no bairro de Realengo, no Rio, até 2017, quando me aposentei, foram dedicados exclusivamente ao tratamento de esgotos sanitários.

O que me deu meio século de experiência – no campo, no escritório e em sala de aula.

No escritório, examinando, fiscalizando, concebendo e desenvolvendo projetos de Estações de Tratamento de Esgotos. Centenas deles, no Brasil e em alguns países do exterior (trabalhei como engenheiro consultor de empresas de projeto e operação de sistemas de saneamento na maioria dos Estados do Brasil além do Chile, Peru e México; andei até pela Líbia, vejam só...).

No campo, operando e prestando apoio à operação de Estações de Tratamento. Em diferentes ocasiões estive envolvido direta ou indiretamente na operação praticamente todas as ETEs da CEDAE na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e, como consultor, em diversas outras espalhadas pelo Brasil, algumas de grande porte.

Na sala de aula, lecionando a disciplina Tratamento de Esgotos (na UERJ e na PUC) e ministrando dezenas de cursos de curta duração sobre o assunto no Rio de Janeiro e em diversos estados brasileiros – além de um na Cidade do México e outro na Nicarágua.

E foram esses cursos que deram origem ao livro.

Primeiro, sob a forma de apostilas. Eram, basicamente, textos de apoio às aulas, abordando os pontos essenciais do assunto. E à medida que os cursos iam se repetindo e a tecnologia se desenvolvendo, o material ia crescendo.

Lá por volta de 2016 fui solicitado a ministrar um curso na CEDAE, onde então trabalhava, para o pessoal envolvido na operação das Estações de Tratamento de Esgotos da própria empresa. E como, provavelmente, seria o último curso que ministraria, decidi fazê-lo da melhor forma possível. O que demandaria um bom material de apoio.

Comecei, então, a revisar o conjunto de apostilas para atualizá-las. Não era um projeto muito ambicioso. Mas quanto mais prosseguia a tarefa, mais surgiam novas tecnologias a serem incluídas, apareciam mais detalhes ligados às normas técnicas (a revisão da NBR 12.209 havia sido publicada em 2011) e mais pesquisas eram necessárias.

Dediquei com afinco grande parte dos meus dois últimos anos de trabalho na CEDAE a isso. Quanto mais prosseguia, mais me entusiasmava – e quem se der ao trabalho de consultar o livro poderá confirmá-lo quando perceber que os capítulos finais, que abordam técnicas e processos mais avançados, são bem mais detalhados que os iniciais.

O resultado foi o livro que hoje lhes ofereço. Com quase quinhentas páginas, ilustrado, detalhado e bastante atualizado.

O curso? Não houve. Razões ligadas a agenda, organização interna, mudança de orientação da empresa e coisas que tais foram retardando seu início até que no final de 2017 eu fui levado a me aposentar. O que acabou por me proporcionar o tempo e a oportunidade de revisar, detalhar e aprimorar o livro. E como não faria sentido dedicar quase três anos a escrever uma obra que não teria serventia, a ponho aqui à disposição de quem estiver nela interessado.

Basta clicar no botão abaixo para ter acesso ao livro. Como consiste em um arquivo no formato PDF, pode ser consultado diretamente na tela ou ser transferido para seu computador e, se assim o desejar, ser impresso.

Espero que façam dele bom proveito.

Eng. Benito Piropo Da-Rin

PS: Em dezembro de 2019 fui convidado a ministrar uma palestra no Clube de Engenharia/RJ sobre "O (quase sempre desprezado) papel do decantador no processo dos lodos ativados", uma questão que abordei detalhadamente no livro. O que me levou a efetuar uma revisão geral e atualizar o texto, portanto se você obteve o livro antes dessa data, sugiro fazê-lo novamente já que houve algumas alterações importantes.

E, já que estava "com a mão na massa", aproveitei para adicionar uma cópia no formato DOCX do MS Word e a apresentação da palestra no formato PPSX do MS Power Point.

Que aí estão à sua disposição

Livro: Técnicas de Tratamento de Esgotos - PDF

Livro: Técnicas de Tratamento de Esgotos - Docx

Apresentação: O Decantador Final no Lodo Ativado